Tarcísio defende urna eletrônica, minimiza falta de apoio a Flávio e diz que impeachment no STF é

Tarcísio defende urna eletrônica, minimiza falta de apoio a Flávio e diz que impeachment no STF é 'instrumento válido'

Fonte: Bandeira da fonte

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que concorre à reeleição em São Paulo, defendeu as urnas eletrônicas durante a sabatina O GLOBO, CBN e Valor, nesta quinta-feira.
O candidato também minimizou a falta de apoio dos partidos do "Centrão" ao aliado Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial contra Lula (PT) e que concorda em discutir o "instrumento" do impeachment de ministros do STF, desde que não ocorra uma "personalização do debate".
— Eu confio absolutamente na segurança das urnas, acho que isso não é pauta, não é mais pauta e não deve ser.
A gente tem que falar de outras pautas — afirmou o candidato.
Flávio tem sido criticado por divulgar desinformação sobre as urnas em reunião recente com diplomatas, a exemplo do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que fez uma cruzada contra o sistema de votação há quatro anos.
Nesta quinta (19), Tarcísio compareceu a uma cerimônia do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) e assinou, junto a outros candidatos, um documento em que se compromete a fazer com que “a votação, a escolha e todo o processo eleitoral se desenvolva de maneira transparente, com toda a lisura”.

Também em atitude de distanciamento da base mais radical bolsonarismo, Tarcísio apontou ser possível rever o processo de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), mas sem "personalizar o debate".
Aliados do ex-presidente concorrem este ano ao Senado com discurso aberto pelo afastamento de Alexandre de Moraes, relator do inquérito das fake news e do processo que levou à condenação de Bolsonaro por tentativa de golpe de estado.
— Acho que a gente não pode personalizar o debate, mas discutir o instrumento.
O instrumento é válido, existe, está regulamentado? Sim.
O presidente da República não pode sofrer impeachment? Sim, tivemos dois que sofreram.
Se um presidente pode sofrer impeachment, um ministro também não pode? Pode, desde que também o devido processo aconteça.
Aí é um processo político que tem endereço, o Senado — afirmou.
O governador disse ainda que "o foco dos partidos" do chamado Centrão, que aderem a todo e qualquer governo, seria o de "fazer bancadas", ao comentar o descasamento entre o seu arco de alianças no estado e a solitude de Flávio, com um candidato a vice do próprio PL.
— Acho que o foco desses partidos, no final das contas, é fazer bancada.
Cada partido está privilegiando a formação de suas bancadas dentro das suas realidades locais — afirmou Tarcísio, ressaltando as preferências divergentes em estados do Sul e Sudeste com os do Norte e Nordeste.
— A grande questão é que os partidos estão adotando aquela linha que os deixam mais confortáveis.
Ele alegou que os mesmos partidos que estão com ele, como União Brasil, PP, MDB, PSD e Podemos, estão com Flávio “em São Paulo”, mas que houve “pragmatismo” de lideranças dessas siglas e também do Republicanos, o seu próprio partido, no âmbito nacional.
Tarcísio foi o segundo entrevistado das sabatinas com os candidatos ao governo do estado.
Ontem, foi a vez de Fernando Haddad (PT).
O programa teve início às 10h30 e durou até o meio-dia.
A entrevista foi conduzida por Vera Magalhães, colunista de O GLOBO, Marcello Corrêa, editor de Política do Valor, e Guilherme Muniz, apresentador da CBN.
Os convites foram baseados no desempenho dos candidatos na pesquisa Quaest divulgada em 29 de julho.
Sabatina GLOBO/CBN/Valor: Haddad defende investigações contra Lulinha e diz que Flávio é 'risco institucional'
Rifado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro como candidato a presidente este ano, Tarcísio alegou que as próximas eleições ainda estão “muito longe” e que adotará uma postura de “pragmatismo” caso conquiste um novo mandato em São Paulo e o presidente Lula seja reeleito em outubro.
— Não dá para pensar em 2030, está muito distante, tem muita água para rolar, a gente tem que superar 2026.
Ganhando a eleição aqui, tem um mandato para fazer, tem resultados que precisam ser apresentados, isso não pode estar na cabeça em hipótese nenhuma agora — desconversou o candidato.
Tarcísio declarou que nunca disputou protagonismo com o petista em obras paulistas, como o túnel submerso entre Santos e Guarujá, que conta com recursos do governo estadual e da União.
— Sempre vou me pautar pelo pragmatismo e pelo interesse das pessoas — disse.
— Eu procurei o presidente e disse que conseguia fazer mais fácil e rápido, por razões muito objetivas.
O governo federal tem dificuldades de operar com PPP, faz muita concessão, mas pouca PPP.
É uma obra de mobilidade, estamos ligando duas vias locais, a gente faria mais rápido, e o presidente concordou comigo.
Segundo o último levantamento da Quaest, divulgado no fim do mês passado, Tarcísio lidera as intenções de votos com 15 pontos a mais que Haddad.
São 41% para Tarcísio, ante 26% para o petista.
Os outros três candidatos, juntos, somam cinco pontos, o que aponta para a possibilidade de resolução em primeiro turno, uma vez que a diferença entre a dupla supera a expectativa de votos dos demais.
A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Flávio e fim da reeleição
Mesmo na condição de candidato à procura de um novo mandato em São Paulo, Tarcísio defendeu o fim da reeleição para cargos no Executivo, ao comentar uma promessa de Flávio nestas eleições, e pediu a formação de um consenso para executar uma “reforma mãe”, como classifica mudanças nas leis que regem a política.

— A política se desorganizou e, quando a política se desorganiza, as instituições se desorganizam junto.
Talvez a última vez que tenhamos visto uma grande formação de consenso tenha sido na época do enfrentamento à inflação, do Plano Real, quando havia um inimigo comum, a hiperinflação, e o Brasil se organizou.
A gente precisa ter essa capacidade de estabelecer consenso de novo.

Tarcísio sustentou que as pessoas podem não estar sendo representadas adequadamente, porque sequer lembram para quem depositaram os votos e não sabem quem cobrar, o que o inclina para o voto distrital.
E que os incumbentes deixam de fazer determinadas medidas impopulares, mas necessárias, por medo de serem rifados na próxima eleição.
— Alguma coisa deixa de ser feita porque aquele incumbente pensa 'tenho que me reeleger, não posso fazer isso, é impopular'.
A gente precisa de pessoas que tomem o desgaste, que façam aquilo que precisa ser feito, e melhor a qualidade de aderência dos partidos a um programa — disse.
— O fim da reeleição é fundamental.
Em fevereiro, Flávio Bolsonaro defendeu uma proposta em que o presidente passaria a ficar inelegível para o mesmo cargo no mandato subsequente, restabelecendo o modelo anterior à emenda constitucional de 1997, que instituiu a reeleição no país.
O senador argumentou que o atual sistema cria um “estado permanente de eleição”.
Três meses depois, porém, citou num evento de Santa Catarina que, caso eleito, seu governo pode durar até oito anos.
Depois, alegou que teve a fala distorcida, mas que acha quatro anos "muito pouco para um mandato só".
Na sabatina, Tarcísio foi questionado sobre como agregar votos para Flávio em São Paulo na eleição presidencial.
Na resposta, porém, o governador evitou citar o aliado e focou apenas em realizações do próprio governo.
Apenas mais tarde, ao fustigar o governo Lula, declarou que existe empenho da "equipe do Flávio" em apresentar uma alternativa viável à Presidência da República.
— Eu tenho visto o esforço da equipe do Flávio de apresentar um plano, espero que a gente consiga apresentar esse plano e mostrar que tem uma direção.
Será que alguém vai acreditar que o Lula, na idade que tem e com a experiência que tem como um presidente que sempre se acostumou a usar muito o fiscal para fazer política pública, ele vai agora fazer um ajuste?
Problemas nos trens
Tarcísio alegou que entregas parciais feitas às vésperas do prazo de inaugurações antes do pleito, em julho, não seguiram cronograma diferenciado para ganhar votos.
Na sua opinião, “o evento de inauguração em si perdeu relevância” para a decisão do eleitor.
Entre elas, estavam as obras da linha 6-Laranja do metrô e da Linha 17-Ouro, o monotrilho da CPTM, ambas em operação não completa.
— Isso está sendo comunicado há muito tempo.
Sempre disse que entregaremos parcialmente o funcionamento da Linha 6, que vai funcionar da João Paulo I até a estação Perdizes.
No final do ano a gente vai fazer Brasilândia-Perdizes, e no final de 2027 a gente vai fazer Brasilândia-São Joaquim.
Então, na verdade, a gente seguiu o cronograma.
Quando a gente inicia uma pré-operação é para as pessoas se acostumarem com o sistema — argumentou o candidato.
Ele rebateu, ainda, a imagem de que a concessão das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM, que registraram acidentes graves quando a empresa Trivia assumiu a operação, teriam sido feitas de maneira apressada e sem a fiscalização adequada.
O governo estadual precisou retomar o gerenciamento em meio às investigações sobre o ocorrido e enfrentou, pouco tempo depois, uma greve dos ferroviários.
— Quando a gente faz a contratação, a gente busca sempre as melhores competências que estão no mercado.
A Trívia faz parte do grupo Comporte, da família Constantino, que tem empresas de ônibus e empresas aéreas.
Imagina a segurança que uma empresa de aviação tem.
Eles desenvolvem aptidão para outras áreas também, já operam o metrô de Belo Horizonte, ganharam o leilão do Trem Intercidades, operam a Linha 7 (Rubi), operam o VLT da Baixada — declarou Tarcísio.
Ele admitiu que houve “uma série de problemas” depois da “passagem definitiva de bastão”, e que foi necessário “dar um passo atrás” após três dias de problemas, algo inédito na cidade, porém previsto no contrato.
— Vamos rever a operação, os protocolos.
Eu sei que as pessoas sofrem muito no transporte e que a velocidade dessa melhora é inferior ao que as pessoas estão esperando de nós.
Mas a gente sabe o que está fazendo.
Por que a gente fez a concessão? Não é fazer concessão por concessão, um dogma que a iniciativa privada vai fazer melhor que o público, não acredito nisso.
A ideia era mobilizar investimento num prazo mais curto.
Reclamações na Sabesp
No caso da privatização da Sabesp, promessa de campanha cumprida em 2023, o candidato do Republicanos justificou o aumento das reclamações sobre a prestação do serviço a uma parcela da população paulista que “não pagavam esgoto mesmo com a rede disponível” e questionaram cobranças como indevidas, enquanto “uma pequena parcela” se refere, de fato, à prestação do serviço de abastecimento de água.
— A troca dos hidrômetros foi a grande responsável por explodir a quantidade de reclamações sobre a tarifa, que representam a maioria no Procon.
A percepção ruim que ficou tem muito a ver com a troca dos hidrômetros para o digital.
A empresa vai fazer o ajuste, melhorou os canais de comunicação com os clientes, a já vem recuperando a imagem — disse.
Tarcísio também associou a transferência do controle estatal da companhia para o setor privado, como no caso do transporte sobre trilhos, à necessidade de fazer investimentos.
O contrato prevê a antecipação da universalização do serviço de água e esgoto, até 2029, porque “mesmo São Paulo, o estado mais rico do país, tinha deficiências severas no saneamento básico”.

— Há muito pouco tempo atrás, Guarulhos tratava 2% do esgoto.
Cajamar, Franco da Rocha e Francisco Morato tratavam praticamente 0% de esgoto.
E as pessoas não sabem.
Essa realidade está mudando muito rapidamente.
A empresa que investia R$ 3 a R$ 4 bilhões por ano está investindo R$ 16 bilhões por ano.
Guarulhos vai chegar ao final desse ano tratando 78% de esgoto — afirmou.
Parte desses investimentos, segundo ele, conferem mais “resiliência hídrica” ao estado, que sofreu com os efeitos da seca nos mananciais este ano e precisou diminuir a pressão da água para economizar o recurso e superar a estação baixa.
Ele menciona, por exemplo, reservatórios em Cubatão, adutoras na Baixada Santista e interligação entre a represa Billings e o Alto Tietê.
Câmeras corporais da PM
Na sabatina, Tarcísio defendeu o aumento do efetivo policial, o uso de tecnologia e mais presença territorial para combater o crime organizado em São Paulo.
O candidato defendeu o acionamento manual da câmera em farda de policiais: 'É a mesma que está em uso em Paris', disse.
— Vai continuar (sem gravação ininterrupta).
Não é diferente do que acontece no resto do mundo, a gente estudou muito esse tema.
Hoje você tem o acionamento remoto.
Lá atrás você, você tinha queixa com acionamento contínuo, porque muitas vezes a câmera estava desligada, tinha reclamação de falta de bateria, e quando há intenção (de gravar), a pessoa burla.
Agora, a gente está diminuindo a possibilidade de isso acontecer porque nós desenvolvemos uma série de funcionalidades.
A câmera que está em uso em São Paulo é a mesma que está em uso em Paris, com as mesmas funcionalidades, e com o mesmo fornecedor, que é a Motorola — afirmou o governador.
O programa de câmeras corporais da Polícia Militar de São Paulo, pioneiro no país ao demonstrar redução na letalidade policial e na proteção aos próprios agentes, tornou-se objeto de intensa disputa política e mudanças operacionais na gestão estadual.
Durante a campanha eleitoral de 2022, Tarcísio chegou a defender a retirada das câmeras corporais dos uniformes dos PMs, sob o argumento de que os equipamentos limitavam a ação das forças de segurança.
Mais adiante, disse que se arrependeu e passou a defender o uso das câmeras — mas adotou o modelo sem gravação ininterrupta.
— Agora a gente tem o acionamento via bluetooth.
Uma câmera que é acionada e os policiais que estão na imediação tem o acionamento integral.
E (vou) até explicar um pouco da gravação contínua: ela grava o tempo todo, mas ela tem um sistema de buffer que vai gravando por cima.
Quando você aciona a câmera ela retroage no tempo em 90 segundos e aí você tem a gravação daquele momento — disse.
Violência contra a mulher
O combate à violência contra a mulher ganhou destaque na sabatina a partir de dados de feminicídio que demonstram uma tendência de alta no estado.
Segundo dados consolidados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil teve 1.571 casos em 2025, alta geral de 4% e maior número da série histórica.
Em São Paulo, a incidência do crime aumentou 6,4%, para 270 ocorrências, no ano passado.
Haddad costuma citar um dado mais atualizado, do primeiro semestre deste ano, para sustentar que existe uma discrepância maior entre a realidade do estado e do país.
De acordo com painel organizado pelos ministérios da Justiça e das Mulheres, o Brasil registrou 741 feminicídios no primeiro semestre deste ano, contra 760 no mesmo período de 2025, redução de 2,5%.
Em São Paulo, o mesmo levantamento aponta acréscimo de 10% nesse tipo de crime, avançando de 129 para 142.

— É um crime super difícil de combater, ter a equação para isso é algo que a gente debate o tempo todo — declarou Tarcísio.
— Estamos tentando aumentar os nossos canais de comunicação, mostrar para as mulheres que estamos aqui.
Criamos o São Paulo para Todas, um grande guarda-chuva de ações, o Abrigo Amigo, o Protocolo Não se Cale, o SP Mulher Segura, o tornozelamento e monitoramento de agressores de mulheres, em que fomos pioneiros e outros estados começaram a copiar.
O candidato diz que o governo evita feminicídios com essas e outras políticas e que, de acordo com dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública, o estado registrou queda nos indicadores nos dois últimos meses.
Não citou, por outro lado, a indicação de mulheres para o comando da Polícia Militar, a coronel Glauce Cavalli, e da delegada Adriana Liporoni para a secretaria da Mulher, como no debate da Band.
Em contrapartida, o governador minimizou a escassez de recursos da Secretaria da Mulher, criada em seu primeiro ano de mandato, e cortes de verbas a programas de proteção, contestados pela oposição.

— A Secretaria (da Mulher) executa a política? Não, ela é uma secretaria de coordenação.
O orçamento do auxílio-aluguel para mulheres que são vítimas de violência sai da Habitação, o crédito das mulheres empreendedoras, do Desenvolvimento Econômico, o recurso para exames de mamografia, papanicolau, da Saúde, e para as salas de atendimento à mulher nas delegacias, da Segurança.
Reforma tributária
Em outro momento da sabatina, o governador declarou que a reforma tributária é benéfica para o estado de São Paulo, em outra divergência explícita com Flávio, que fez propaganda contra o modelo alegando que o Imposto de Valor Agregado (IVA) seria muito elevado, com ampla maioria da bancada do PL votando contra a proposta.
— Fizemos a conta e percebemos que São Paulo é beneficiado pela reforma tributária.
Além disso, existe uma demanda do mercado por simplificação.
Acho que a grande questão que se coloca é como vai se dar, de fato, a coexistência dos sistemas durante o período de transição, e como o conselho gestor vai funcionar — declarou.

A reforma é uma das bandeiras do presidente Lula à reeleição e costuma ser citada frequentemente em discursos pelo vice Geraldo Alckmin (PSB), ex-governador do estado por quatro vezes.
Durante a tramitação do projeto, Tarcísio afirmou publicamente que concordava com “95% do texto-base”, o que deu impulso à pauta entre os parlamentares e desagradou Jair Bolsonaro.
Tarcísio ponderou, por outro lado, que o Brasil “corre o risco de ter o maior IVA do mundo” com uma série de exceções previstas na reforma.
“Se ninguém paga”, declarou o candidato do Republicanos, “todo mundo paga mais caro”.

— A reforma está envolta ainda de muita incerteza.
Quando ela estava sendo discutida, São Paulo foi favorável, diferentemente do que (Geraldo) Alckmin e (José) Serra fizeram quando foram governadores, eles criaram obstáculos.
Isso se deve, e não tiro a razão deles, do seguinte: São Paulo é o maior originador de cargas, e as reformas mudam a lógica da tributação, da origem para o destino.
Programa de governo
Na corrida à reeleição, Tarcísio, ao contrário de quatro anos atrás, depende cada vez menos do chamado "bolsonarismo raiz".
No discurso de sua convenção, realizada no início do mês, no Ginásio do Ibirapuera, na Zona Sul, o candidato evitou temas polêmicos (citou Jair Bolsonaro apenas uma vez, ao dizer que o ama) e focou em suas realizações, como a privatização da Sabesp e a entrega de obras que estavam prometidas havia anos, como o Rodoanel Norte e a ampliação do Metrô.
Outra diferença em relação à campanha de 2022 é o número de partidos que o apoiam.
Serão 12 legendas: PL, PSD, Novo, PRD, PSDB, Cidadania, Avante, Podemos, PP, União Brasil e MDB, além do próprio Republicanos.
Com uma ampla frente partidária, o governador conseguir diminuir o rol de concorrentes, o que pode facilitar sua busca pela reeleição.
Ao contrário da última campanha estadual, um dos principais temas que já têm sido abordados pelos candidatos é a violência contra a mulher, que fez parte do primeiro discurso de Tarcísio no início oficial da corrida eleitoral, domingo (16), em Osasco, na Região Metropolitana de São Paulo.
Ele previu que "a pauta da mulher está muito em alta e vai dominar os debates", principalmente sob o viés da segurança pública, do empreendedorismo e da saúde.
Como mostrou O GLOBO, o tema "mulher" foi citado 19 vezes no plano de 2022, menos do que as 63 enumerações deste ano.
De assistência às vítimas de violência sexual, passando pelo cadastro estadual de condenados a crimes contra a mulher, o programa de Tarcísio promete triplicar o número de delegacias especializadas que atendam 24 horas por dia, um dos pontos pelo qual o governo costuma ser fustigado pelo grupo político de Haddad.
Atualmente, esse número é de 18.
A chapa de Tarcísio é composta ainda pelo candidato a vice-governador Felício Ramuth (MDB) e pelos dois postulantes ao Senado: o deputado estadual André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa do Estado (Alesp), e pelo deputado federal Guilherme Derrite (PP), ex-secretário estadual de Segurança Pública.