Em meio à imposição de novas taxações a produtos brasileiros pelos Estados Unidos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou sua relação com Donald Trump como "civilizada", mas criticou a postura do segundo escalão do governo americano.
Para Lula, auxiliares do americano tomam "atitudes impensáveis" em relação ao Brasil.
Na sexta-feira, Lula telefonou a Trump.
Na ligação, defendeu a negociação sobre o tarifaço imposto pelos EUA ao Brasil e classificou as alegações americanas para aplicação das taxas como "infundadas".
—Tenho a impressão de que o Trump é bem melhor na relação política do que a assessoria.
Eu disse para ele: 'Não é possível.
Nós conversamos, tudo vai bem'.
A minha conversa com o Trump é muito civilizada, é muito respeitosa, tanto da minha parte quanto da parte dele.
Mas, depois, o segundo escalão toma atitudes que são impensáveis.
Aí nós não podemos aceitar intromissão de um país, quem quer que seja, na coisa do Brasil — disse Lula em entrevista à Record TV exibida na noite deste domingo.
A Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) divulgou nota na sexta-feira na qual afirmou a conversa ocorreu em “tom amistoso e cordial” e teve duração de uma hora e vinte minutos.
No começo do mês, Lula indicou a aliados políticos que buscaria uma conversa com o presidente americano para os próximos dias.
A crítica de Lula ao "segundo escalão" do governo Trump se refere especialmente ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
No começo de agosto, Lula disse que Rubio "odeia o Brasil" e que é um "latino-americano frustrado".
— Agora ele (Trump) tem um cidadão que não gosta do Brasil, que não gosta da América Latina e que é um bolsonarista, que é o secretário de Estado, que é o Marco Rubio.
Ele não gosta, eu disse para o Trump, ele não gosta do Brasil.
Não gosta, ele é um homem latino-americano, ou um latino-americano frustrado.
Ele é um descendente cubano de Miami, odeia Cuba, odeia Colômbia, odeia o Brasil — disse Lula em visita ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP).
Em julho, o Rubio usou as redes sociais no mês passado para criticar o presidente Lula, afirmando que as políticas econômicas adotadas por ele "são prejudiciais tanto para os americanos quanto para os brasileiros" e que ele "colocou seu próprio ego acima da realização de um acordo".
Tarifaço: Lula diz que relação com Trump é 'civilizada', mas que segundo escalão do governo dos EUA toma 'atitudes impensáveis'
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