Alvo de críticas após a repercussão de uma fala negando a existência de feminícidios, Marco Antônio Superman (Novo), candidato ao senado em Minas Gerais, creditou essa visão ao que chamou de "confusão conceitual" sobre o tema.
Em entrevista ao GLOBO, ele argumenta ainda que a classificação incluída no Código Penal em 2025 seria fruto de um "neologismo da esquerda".
— Eu acredito piamente em punição exemplar para qualquer tipo de bandido, vagabundo, terrorista e claro, qualquer tipo de homem que bate em mulher.
Eu entendo que as penas e as punições devem ser mais severas do que elas já são, mas não é com a criação de neologismos que a gente vai conseguir enfrentar o crime real — disse.
O candidato do partido de Romeu Zema defende, inclusive, a retirada do termo do Código Penal, restaurando a existência apenas da qualificadora do homicídio, como passou a ocorrer em 2015.
Atualmente, a legislação define o feminicídio como o ato de matar uma mulher por razões da condição do sexo feminino.
— O que é o cara matar a mulher se não crime passional? Eu considero equivocado ter incorporado tanto esse termo quanto o termo gênero na legislação.
Falar que o crime é motivado pela condição de ser mulher não significa absolutamente nada, é loucura — completou Marco Antônio.
Superman, como é mais conhecido, também diz não confiar nas pesquisas sobre o escalonamento dos casos de feminicídio e sustenta que o termo usado em dados estatísticos parte de uma premissa subjetiva:
— É um conceito sociológico.
Você não consegue levantar dados empíricos sobre motivação de crime.
Eu não sei explicar o que é feminicídio e ninguém conseguiu me explicar o que é.
Criar conceito sociológico para alimentar a pesquisa acaba gerando na cabeça da pessoa um mundo onde ela não consegue explicar o que ela está falando.
Presumir motivação das pessoas é loucura e gera uma chave semântica e subjetiva que pode gerar um problema gigantesco.
No último ano, 1.571 mil mulheres foram vítimas de feminicídio, o maior número da série histórica, o que representou um aumento de 4% em relação a 2024, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Minas Gerais, estado do candidato, registrou 78 feminicídios no primeiro semestre deste ano, de acordo com a Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública.
O número é o mesmo contabilizado no mesmo período do ano passado.
Já as tentativas de feminicídio aumentaram no estado.
Foram 97 casos, dois a mais que no primeiro semestre de 2025.
Marco Antônio ainda opina que cada estado deveria ter sua própria legislação penal, define a ampliação da Lei Maria da Penha como “absurdo”, classifica o PL da Misoginia como “pé do apocalipse zumbi” e diz acreditar que a sociedade brasileira está bem longe de viver em um machismo estrutural:
— A esquerda quer vender uma espécie de guerra dos sexos, de genocídio de homens contra mulheres, que, no fundo é só um discurso sociológico.
É uma pauta que ganhou tração e é uma pauta prioritária da Janja (a primeira-dama Rosângela da Silva).
A esquerda não está preocupada em combater o crime real, está preocupada em criar essa ideia de que existe uma guerra velada entre homens e mulheres, entre pretos e brancos, entre índios e ocidentais.
Machismo existe, mas estamos bem longe de um machismo estrutural.
A primeira declaração de que o feminicídio “não existe” foi feita durante a Semana Eleitoral Milton Campos, realizada em parceria com a TV Banqueta em 10 de agosto.
Durante a participação no evento, Superman repetiu três vezes que o feminicídio não existe e desafiou os presentes a explicarem o conceito.
"Não existe feminicídio, tirem isso da cabeça.
Não existe feminicídio, tirem isso da cabeça.
Não existe feminicídio, tirem isso da cabeça.
Misoginia estrutural e patriarcado opressor é discurso de gente da extrema esquerda", enfileirou.
Procurada, a faculdade ainda não se manifestou sobre o episódio.
(*Estagiária sob supervisão de Luã Marinatto)
