Um dos mais importantes conjuntos de ouro da Idade do Bronze na Europa foi alvo de um roubo nesta quinta-feira (27), no Museu de Villena, no sudeste da Espanha.
Em quatro minutos, criminosos invadiram o prédio e levaram peças do chamado Tesouro de Villena, uma coleção com cerca de 60 peças, muitas delas de ouro e com cerca de 3 mil anos.
Morre a artista japonesa Yayoi Kusama, conhecida por suas obras com bolinhas, aos 97 anos
Biógrafa de Freddie Mercury fala de filha que líder do Queen teria mantido em segredo
O episódio ocorre poucos dias depois de a Agência da União Europeia para Cooperação Policial (Europol) divulgar um relatório alertando para uma mudança no perfil dos roubos de museus na Europa.
Segundo o documento, criminosos têm recorrido cada vez mais a métodos violentos para invadir instituições culturais, e com foco em ouro, joias, metais preciosos e artefatos de alto valor.
O roubo na Espanha se soma a uma sequência de ataques que, em pouco mais de dois anos, atingiram museus e coleções históricas em diferentes países europeus.
Alguns tiveram como alvo objetos cujo valor não pode ser medido apenas em dinheiro.
Relembre casos:
Museu de Messina, agosto de 2026: quatro pinturas renascentistas roubadas
Ladrões levaram três dos cinco painéis que compunham a pintura Polittico di San Gregorio
Reprodução
No nordeste da Sicília, quatro pinturas de Antonello da Messina, um dos principais nomes do Renascimento italiano, foram roubadas em 15 de agosto de um museu em Messina, cidade natal do artista.
Segundo o Ministério da Cultura da Itália, as obras têm “valor extraordinário”.
Entre as peças levadas estão três painéis do Políptico de São Gregório, produzido no século XV.
O roubo ocorre poucos meses depois de o Estado italiano adquirir outra obra de Antonello, Ecce Homo, por cerca de US$ 15 milhões em um leilão em Nova York.
O caso amplia a lista recente de roubos de obras de arte de grande relevância histórica em museus europeus.
Museu-Fundação Magnani Rocca, março de 2026: pinturas roubadas em três minutos
"Natureza morta com cerejas", de Paul Cézanne, está entre as obras roubadas
Divulgação | Magnani Rocca
Na Itália, três pinturas de Renoir, Cézanne e Matisse foram roubadas, no dia 22 de março, da Fundação Magnani Rocca, na Villa dei Capolavori, na zona rural de Parma.
Avaliadas em 9 milhões de euros, cerca de R$ 54,4 milhões, as obras foram levadas em uma ação que durou apenas três minutos.
Quatro homens mascarados arrombaram a porta principal do museu e seguiram para a Sala Francesa, no primeiro andar, onde estavam expostas as pinturas Les Poissons, de Pierre-Auguste Renoir; Natureza-morta com cerejas, de Paul Cézanne; e Odalisca no terraço, de Henri Matisse.
O sistema de alarme foi acionado durante a ação, impedindo que os criminosos levassem outras pinturas.
Depois do roubo, o grupo fugiu ao escalar uma cerca.
Segundo a Fundação Magnani Rocca, os ladrões pareciam “estruturados e organizados” e davam sinais de que pretendiam levar mais peças.
As obras foram recuperadas pela polícia italiana no dia 14 de agosto.
Museu do Louvre, outubro de 2025: joias levadas em menos de oito minutos
Coroa da imperatriz Eugenia antes e depois do assalto ao Louvre, em outubro de 2025
Divulgação/Museu do Louvre/AFP
Um dos casos mais emblemáticos de roubo à joias ocorreu em Paris, em 19 de outubro de 2025.
Em plena manhã de domingo, quatro criminosos invadiram o Museu do Louvre e chegaram à Galeria Apolo, onde estavam expostas joias da antiga Coroa francesa.
Disfarçados como trabalhadores, os ladrões usaram um caminhão com plataforma elevatória para alcançar uma janela do primeiro andar.
Depois de entrar no museu, quebraram vitrines e usaram ferramentas elétricas para retirar as joias.
A ação durou cerca de sete minutos.
O grupo fugiu em motocicletas levando oito peças.
Uma nona, a coroa da imperatriz Eugênia, composta por 1.354 diamantes e 56 esmeraldas, foi abandonada durante a fuga e recuperada poucas horas depois, embora danificada.
Entre os objetos levados estavam peças ligadas às imperatrizes Eugênia, Maria Luísa e à rainha Maria Amélia.
O valor estimado do conjunto roubado chegou a 88 milhões de euros, o equivalente a cerca de 550,2 milhões de reais.
Para as autoridades francesas, mais do que a quantia impressionante, o principal problema é a importância histórica das peças.
Um relatório parlamentar divulgado após as investigações sobre o roubo expôs falhas na segurança do museu.
Apurações revelaram problemas na cobertura por câmeras, no monitoramento das imagens e nas senhas de acesso à áreas extremamente restritas, dentre outros.
O episódio levou a uma revisão dos sistemas de proteção do Louvre e se tornou um dos casos citados pela Europol para ilustrar a nova geração de roubos de patrimônio cultural.
Museu Drents, janeiro de 2025: porta explodida e tesouros romenos levados
Artefatos de ouro romenos, do século 5 a.C., roubados do Museu Drents, na Holanda
Reprodução/polícia holandesa
Meses antes do ataque ao Louvre, outro roubo cinematográfico havia ocorrido na Holanda.
Na madrugada de 25 de janeiro de 2025, criminosos explodiram uma porta do Drents Museum, na cidade de Assen, e invadiram a instituição para levar peças arqueológicas de ouro que faziam parte de uma exposição emprestada pela Romênia.
Entre os objetos roubados estava o capacete dourado de Cotofenesti, uma peça de ouro maciço datada do século V a.C., além de três pulseiras de ouro da antiga civilização dácia.
Os objetos faziam parte da exposição "Dacia: Empire of Gold and Silver".
A explosão aconteceu por volta das 3h45.
Imagens de segurança registraram homens encapuzados antes da invasão.
O grupo deixou o local levando peças avaliadas em cerca de 6 milhões de euros, mas cujo significado histórico para a Romênia é considerado incalculável.
Mais de um ano depois, em abril de 2026, o capacete e as três pulseiras foram recuperados.
Os ladrões receberam uma sentença de 47 meses de prisão.
O uso de explosivos é justamente um dos elementos que, segundo a Europol, diferencia os roubos mais recentes de antigas operações de ladrões especializados em obras de arte.
*aluna do curso Jornalismo do Futuro sob supervisão de Daniel Biasetto.
