The Economist compara Renan Santos a Milei e destaca

The Economist compara Renan Santos a Milei e destaca 'obsessão pelo livre mercado', mas critica 'fanfarronices'

Fonte: Bandeira da fonte

O site da revista The Economist publicou nesta segunda-feira um artigo sobre Renan Santos, candidato do Missão à Presidência da República.
O texto afirma que o ativista tem "plataforma técnica e detalhada que delineia uma visão ousada" para o Brasil, "apesar de todas as suas fanfarronices" (como dizer que aprendeu sueco para paquerar e chamar os rivais de infantis, patéticos e medíocres).

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A revista incluiu, depois da publicação, um aviso de que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Dias Toffoli teria suspendido a candidatura de Renan.
Na verdade, a decisão de Toffoli suspende a propaganda digital em perfis informados ao TSE depois da inscrição da postulação e impede a participação de Renan em debates, além de vetar o acesso do Missão ao fundo partidário (que o candidato alega não ter usado).
A revista diz que Santos tem paralelos com a trajetória do presidente da Argentina, Javier Milei, que também procurou se colocar como um outsider na política para chegar ao poder.
"Assim como Milei, ele é obcecado pela economia de livre mercado", compara o artigo, rememorando a fundação em 2014 do Movimento Brasil Livre (MBL).
"Assim como Milei, Santos mistura seu dogmatismo com o rock, liderando uma banda que exalta as virtudes da concorrência e dos impostos baixos", acrescenta a revista, ressalvando que, embora o brasileiro afirme ser melhor músico, o seu assessor diz que as bandas de ambos os políticos são "igualmente horríveis".
O artigo compara os escritórios do Missão a uma start-up que sedia "um projeto focado tanto na revolução cultural quanto no poder político", com programadores e um estúdio de gravação de vídeos dinâmicos destinados aos 4 milhões de seguidores do MBL.
"O foco na mídia é uma resposta ao 'wokeísmo', diz o sr.
Santos", afirma a Economist.
O candidato declara na publicação que muitos millennials como ele passaram de apoiadores do casamento gay e da legalização das drogas após serem "rotulados como fascistas por não quererem usar certos pronomes...
ou por se esperar que aceitem que uma criança pode mudar de gênero".
Renan procura distanciar o MBL do Maga de Donald Trump, ressalta ainda a reportagem: a economia seria a causa mais importante.
O artigo diz que o movimento comandado pelo candidato do Missão buscou novas ideias diante do "fracasso de uma forma infantil de liberalismo econômico" influenciada por libertários americanos.
"É ingenuidade pensar que, se você retirar o Estado de todas as atividades e privatizar tudo, as coisas se resolverão sozinhas.
O Estado deve estar presente em muitas áreas, especialmente em um país como o Brasil", declara Renan na reportagem, ressaltando que defende uma influência menor do governo na Petrobras, mas não a sua privatização.
Único deputado do Missão, Kim Kataguiri, responsável pelas propostas econômicas do partido, é citado no artigo dizendo que a legenda defende o "liberalismo pragmático e não dogmático".
A revista pontua que Renan "é franco quanto à necessidade de cortes de gastos", reforçando que mais de 90% do orçamento federal brasileiro está comprometido com despesas obrigatórias, especialmente a Previdência.
Estima-se que, até 2029, as despesas discricionárias representarão apenas 0,1% do Orçamento — "um patamar inviável".

"O Missão propõe desvincular o salário mínimo desses benefícios e atrelar os gastos com educação e saúde à inflação, em vez de às receitas, que crescem rapidamente.
Seguir-se-iam cortes nos salários elevados do funcionalismo público e uma reforma da previdência.
Tudo isso, espera o Sr.
Kataguiri, abriria espaço para investimentos em infraestrutura que impulsionariam o crescimento — ele pretende dobrar esses investimentos para 4% do PIB", diz a reportagem.
A revista adota um tom crítico ao falar das propostas de segurança de Renan, onde avalia que "o populismo se sobrepõe ao liberalismo".
A Economist cita que um dos principais slogans de Renan é "prendeu, matou", e que o candidato do Missão frequentemente elogia Nayib Bukele, "o líder autoritário de El Salvador, que reduziu a criminalidade ao encarcerar 2% da população adulta do país e atropelar a democracia" —"o Sr.
Santos afirma ser 'Bukele no estilo, Milei na substância'", completa a revista).
A revista adverte que a "doutrina do inimigo", citada pelo "Livro amarelo" de propostas de Renan, mais do que ser pouco conhecida, "poderia ser facilmente utilizada de forma abusiva por um Poder Executivo empenhado em reprimir seus adversários políticos".
Enquanto registra o entusiasmo que Renan gera em "apoiadores de destaque na direita brasileira", a Economist prevê que o candidato do Missão "terá dificuldade em conquistar o eleitorado feminino", tanto por já ter elogiado blogueiros da "manosfera" quanto por ter como um dos aliados Arthur do Val, que disse que as refugiadas ucranianas eram "fáceis porque são pobres" depois de uma viagem à Ucrânia em 2022 (em que Renan também esteve presente).
"A maioria dos brasileiros ainda não ouviu falar do Sr.
Santos.
Ele espera que o período de campanha, iniciado em 16 de agosto, mude esse cenário.
No entanto, a profunda polarização política do Brasil e o poder das máquinas políticas dos partidos tradicionais dificultam a conquista de votos por parte de figuras de fora do sistema, como ele.
Mas, mesmo que o Sr.
Santos não vença desta vez, ele ofereceu à direita brasileira algo extremamente valioso: uma alternativa ao bolsonarismo", encerra a revista.