Leandro Garcia, da Visa Brasil: tokenização amplia segurança e reduz fraudes
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De todas as transações pagas hoje com cartão de crédito no e-commerce brasileiro, a maioria é feita sob uma tecnologia imperceptível ao consumidor: a tokenização de rede.
Essa ferramenta substitui dados do cartão, como o número e o código de segurança, por um identificador único, o token de rede, protegendo as credenciais de ataques cibernéticos.
Desenvolvida em conjunto por bandeiras de cartão, como Visa e Mastercard, a tecnologia atua nos modelos de checkout - a etapa final de pagamento no site ou aplicativo - como no card-on-file (em que o cartão fica salvo para futuras compras) e no click-to-pay (que permite pagar em poucos cliques sem digitar os dados).
O resultado é uma jornada de compra on-line mais segura, veloz e fluida.
Uma experiência de compra sem atritos tem se tornado um diferencial decisivo no e-commerce, capaz de convencer o consumidor a concluir o pagamento em vez de desistir do carrinho durante o processo.
Dados das bandeiras de cartões e do mercado de meios de pagamento apontam que a tokenização pode reduzir em média em 25% a taxa de abandono de carrinho no varejo virtual, que hoje, segundo as bandeiras, é de 82%.
“Hoje, todos procuram uma jornada de compra ágil e as transações com cartões tokenizados podem aumentar, em média, em 4% a taxa de conversão de um pedido em uma venda efetiva”, diz Giuliana Cestaro, vice-presidente de produtos da Fiserv Brasil, multinacional de tecnologia financeira e meios de pagamento.
Segundo ela, o lançamento do sistema de pagamento on-line click-to-pay pela indústria de cartões, em 2024, agregou mais valor à tokenização.
O click-to-pay resolve o problema da experiência do checkout ao permitir que o consumidor finalize suas compras com apenas um clique, eliminando a necessidade de digitar os dados do cartão a cada nova compra, diz Ricardo Vieira, vice-presidente executivo da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs).
“Estamos passando do modelo baseado no ‘eu digito os dados do meu cartão’ para o modelo em que ‘o ecossistema reconhece uma credencial e um consumidor previamente habilitado de forma segura'”, acrescenta Vieira.
O avanço dessa infraestrutura vem impulsionando as grandes bandeiras a expandir a tecnologia para novas frentes e modalidades de pagamento.
“A tokenização trouxe a base da tecnologia e nós acrescentamos a ela essa camada de segurança”, diz Leandro Garcia, diretor executivo de soluções para pagamentos digitais da Visa Brasil.
Nos últimos 12 meses, o número de transações no click-to-pay da Visa cresceu quase 12 vezes, segundo o executivo, o que fez a empresa expandir a solução para o cartão de débito, com um projeto piloto em parceria com o Santander, anunciado neste mês de agosto.
A Visa tem trabalhado para acrescentar mais uma camada de proteção para reduzir fraudes e melhorar o checkout.
“Estamos agregando o pagamento por biometria às transações tokenizadas com a passkey (chave de acesso) e não somente a biometria do usuário, mas também o dispositivo que ele usa para a compra.
Com isso teremos uma camada extremamente forte para os pagamentos no crédito e débito”, diz Garcia.
Essa jornada está mais ágil também porque, do outro lado do balcão virtual, lojas aderiram ao card-on-file, ferramenta que permite o armazenamento da credencial do cartão para compras futuras e recorrentes.
Com aprovação automática, o card-on-file reduz principalmente os custos do e-commerce, ao diminuir as taxas de abandono de carrinho e o custo operacional com cobranças manuais.
“A tokenização é a infraestrutura que permite às bandeiras trabalhar dados de forma a melhorar não apenas a experiência do consumidor, mas viabilizar novos produtos e soluções”, avalia Leandro Lucas, diretor de engenharia de produtos da Elo, que tem 76% de suas transações tokenizadas.
A Mastercard fixou a meta de alcançar 100% de tokenização em suas transações até 2030, impulsionada por 52 mil estabelecimentos já habilitados com a tecnologia e o click-to-pay, além de 216 mil pequenas e médias empresas (PMEs) ativas via links de pagamento.
“O Brasil vive um ambiente favorável para a tokenização, figurando entre os líderes dessa tecnologia.
Isso tem permitido à Mastercard trazer ao mercado a transação autenticada por biometria”, destaca José Pereira, diretor de produtos e soluções digitais da instituição.
A tecnologia reduz o incentivo ao crime, mas o resultado final depende de outras camadas de proteção.
“A tokenização aumenta a segurança e reduz a fricção, protege a credencial do cartão, mas não elimina as tentativas de fraudes, pois a segurança depende da autenticação e das análises de risco”, afirma Maurício Salvador, presidente do conselho da Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (Abiacom).
Tokenização reduz abandono no carrinho e acelera vendas digitais
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