Toma que a rejeição é sua: Paes tenta colar Cláudio Castro a Ruas, que devolve vinculando o rival a Lula - QTU Questões do Universo

Toma que a rejeição é sua: Paes tenta colar Cláudio Castro a Ruas, que devolve vinculando o rival a Lula

Fonte: Bandeira da fonte

A eleição no Rio tem colocado holofotes em políticos para além dos candidatos que de fato estão disputando o Palácio Guanabara.
De um lado, Douglas Ruas (PL) busca ressaltar a aliança de Eduardo Paes (PSD) com Lula (PT), como uma forma de trazer ao Rio a polarização nacional.
Do outro, o ex-prefeito da capital enfatiza em seus discursos a ligação do bolsonarista com o ex-governador Cláudio Castro (PL), de quem foi secretário.
Para especialistas, as estratégias dos dois candidatos podem soar parecidas, mas têm objetivos bem diferentes.
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O esforço de Ruas para ligar Paes a Lula tem como principal objetivo nacionalizar a campanha, não só tentando atrelar a rejeição do petista ao ex-prefeito do Rio, mas trazendo Flávio Bolsonaro (PL), que disputa o Palácio do Planalto, e seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, ao pleito.
Ruas ainda é desconhecido por grande parte do eleitorado, e os “cabos eleitorais” são sua aposta para atrair apoio.
Durante comícios e sabatinas, o candidato do PL faz uso da expressão “soldado do Lula” ao se referir ao concorrente, afirmando que quem apoia Paes está, na verdade, contribuindo para um “projeto do Lula”.
Esse discurso pôde ser ouvido no último dia 25, quando ele participou de uma entrevista no canal Cláudio Dantas, popular no YouTube entre nomes do bolsonarismo.
Ao falar sobre segurança pública, Ruas criou uma separação entre ele e Paes, relacionando-o a Lula, principal adversário de Flávio:
— Se quiserem um governo que não enfrente o crime organizado, pode ficar com meu adversário, que é o soldado do Lula aqui no Rio.
Se quiser alguém que quer partir para cima da bandidagem, é comigo.
Segundo aliados, a postura de Ruas faz parte da estratégia de afastar Paes de eleitores de direita ainda indecisos.
Para o cientista político Sérgio Praça, no centro da disputa de narrativas estão os eleitores da chapa “BolsoPaes”, que apoiam ao mesmo tempo o ex-prefeito e o filho de Bolsonaro.
— Além de perder votos entre eleitores do Flávio Bolsonaro, trazer o Lula para o debate poderia fazer o Paes ter que responder sobre assuntos como exploração das bets, dívida pública e investigações de corrupção no governo federal que não têm relação com ele ou com o governo estadual.
Como grande parte dos votos do eleitorado da esquerda ele já tem, a imagem do presidente não agregaria novos eleitores, só poderia tirar — analisa.
Desde o começo da campanha, em 16 de agosto, Lula fez apenas uma agenda no Rio, em Bangu.
Questionado sobre novos compromissos com o presidente, Paes diz não saber quando Lula retornará.
Correligionários do político do PSD, no entanto, negam que exista um movimento para esconder a aliança com Lula, mesmo com o presidente não aparecendo no programa eleitoral ou no material de campanha de Paes.
A avaliação é que ele, por ter sido prefeito por quatro mandatos, tem capital político para se apresentar sozinho, mostrando suas realizações na prefeitura.
Uma das tônicas de Paes em seus discursos ao se referir a Lula tem sido a de que está na contramão da polarização, afirmando que sua coligação é feita de pessoas que não pensam igual, mas se uniram por um objetivo maior.
No mesmo sentido, o ex-prefeito tem reforçado em suas falas que quem governará o Rio não será Lula ou Jair Bolsonaro, e sim a pessoa escolhida pelo eleitorado fluminense, em mais uma tentativa de se esquivar da nacionalização.
Já na propaganda de TV, Ruas é chamado de “o príncipe herdeiro de Cláudio Castro”.
Segurança de Castro
O tema da segurança pública, um dos principais debates da campanha no Rio, tem sido o ponto de partida de Paes para reforçar a ligação de Ruas com Castro.
O discurso ganhou destaque em sua propaganda na TV, em que Paes expõe uma imagem do rival ao lado do ex-governador e do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj) Rodrigo Bacellar, preso por suspeita de vazamento de informações sigilosas.
“Começamos, é claro, pela questão da segurança pública, destruída pelo grupo político que comandou o estado nos (últimos) oito anos.
Wilson Witzel, Cláudio Castro e o ex-poderoso chefão da Alerj Rodrigo Bacellar, que foi preso por associação ao Comando Vermelho.
Grupo político que virou sócio do crime organizado”, afirma o ex-prefeito na propaganda eleitoral.
Para o cientista político Theófilo Rodrigues, apoios não são determinantes para a eleição, mas podem influenciar na rejeição, fator importante num eventual segundo turno:
— Certamente o apoio de um aliado indesejado, de uma personalidade com reputação ruim, pode abalar uma candidatura, mas dificilmente esse será o único fator que causará a derrota.
As pesquisas sugerem que Ruas perde mais ao ser colado em Bacellar e Castro do que Paes em Lula.