O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira que o Conselho da Paz chegou a um acordo para o "desarmamento completo" do Hamas e de todos os demais grupos armados na Faixa de Gaza.
Segundo o republicano escreveu em sua rede social, Truth Social, o processo será implementado em etapas e abrirá caminho para a criação de um novo governo palestino, enquanto tropas israelenses deixarão gradualmente o território à medida que o desarmamento for concluído.
Pouco depois, autoridades do Hamas confirmaram que um entendimento foi alcançado com Israel e informaram que um comunicado oficial será divulgado em breve.
Israel não se pronunciou sobre o acordo.
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Criado pelo governo Trump para implementar seu plano de reorganização política e de segurança para a Faixa de Gaza, o Conselho da Paz reúne representantes americanos, mediadores árabes e técnicos encarregados de conduzir a transição para uma nova administração palestina no território.
O anúncio do acordo foi feito em uma publicação na rede Truth Social, na qual Trump classificou o entendimento como "um passo monumental rumo à paz e à segurança duradouras".
O presidente americano também afirmou que a implementação do acordo faz parte de seu Plano de 20 Pontos para Gaza e agradeceu aos mediadores — Egito, Catar e Turquia — pelos esforços nas negociações.
"À medida que o desarmamento for concluído, as forças israelenses se retirarão, e a Força Internacional de Estabilização trabalhará com uma nova força policial palestina para assumir a responsabilidade de manter Gaza segura para seus moradores e seus vizinhos", escreveu o republicano.
Segundo Trump, o acordo permitirá que Gaza seja governada por uma nova administração palestina em cooperação com o Conselho da Paz e impedirá que o território volte a ser utilizado como base para ataques contra Israel.
Apesar do anúncio da Casa Branca, autoridades israelenses e fontes envolvidas nas negociações indicam que ainda existem divergências importantes sobre os termos do acordo, especialmente em relação ao cronograma de retirada das tropas israelenses e ao alcance da desmilitarização da Faixa.
Como funcionará o acordo
Nas últimas horas, fontes ligadas ao Conselho da Paz disseram aos jornais Haaretz e The Times of Israel que as negociações haviam avançado significativamente e que um acordo poderia ser concluído "em horas ou dias".
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Segundo essas fontes, o plano prevê um processo gradual, de cerca de oito meses, para que o Hamas entregue suas armas ao Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), órgão formado por tecnocratas palestinos e supervisionado pelo Conselho da Paz, que deverá substituir o grupo na administração da Faixa.
A Força Internacional de Estabilização e uma nova força policial palestina ficariam responsáveis por acompanhar o processo, recolher o arsenal e assumir progressivamente a segurança do território.
O acordo também prevê o desmantelamento de túneis, depósitos de armas e instalações de fabricação de armamentos, seguindo o princípio de "uma autoridade, uma lei e uma arma", concentrando todo o monopólio da força nas instituições do novo governo palestino.
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Segundo um diplomata árabe ouvido pelo The Times of Israel, milícias palestinas rivais do Hamas apoiadas por Israel também seriam obrigadas a entregar suas armas.
O plano ainda prevê um programa de recompra de armamentos de uso pessoal e anistia para integrantes do Hamas que cumprirem as condições estabelecidas.
Fontes envolvidas nas negociações afirmaram que o grupo aceitou, em princípio, abrir mão de suas armas pesadas, mas ainda busca garantias sobre quem ficará responsável por armazená-las e insiste que o processo ocorra apenas após a instalação efetiva do novo governo palestino e de sua força policial.
Resistência israelense
Embora fontes do Conselho da Paz afirmem haver consenso sobre os principais pontos do acordo, o governo israelense continua demonstrando resistência à proposta.
Uma autoridade política israelense afirmou que o documento de 15 pontos elaborado pelo Conselho da Paz não atende às exigências de Jerusalém para uma "desmilitarização completa" da Faixa de Gaza.
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Segundo essa autoridade, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, já apresentou essas objeções ao enviado do Conselho da Paz, Tony Blair.
— Não haverá retirada das Forças de Defesa de Israel da Linha Amarela na Faixa de Gaza antes que o Hamas seja desarmado e o território esteja completamente desmilitarizado — afirma.
Outra fonte israelense disse ao Haaretz que Israel exige a retirada de todas as armas do enclave como condição prévia para qualquer processo político.
Apesar das divergências, interlocutores do Conselho da Paz afirmam que Israel vem coordenando discussões técnicas sobre a implementação do plano e autorizou, no último domingo, o envio inicial da Força Internacional de Estabilização para uma área limitada de Rafah — primeiro passo concreto para a execução do projeto.
Bastidores das negociações
Segundo fontes ouvidas pelo Haaretz, o acordo deverá ser assinado pelo Hamas, pelos países mediadores e pelos representantes do Conselho da Paz.
Israel não participaria formalmente da assinatura, mas ficaria vinculado aos termos do entendimento por seus compromissos firmados com os EUA.
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Os países mediadores vêm pressionando o Hamas a aceitar a proposta, argumentando que a adesão impediria que o grupo fosse responsabilizado por um eventual fracasso das negociações.
De acordo com um diplomata árabe ouvido pelo The Times of Israel, o Hamas considera que aceitar o plano colocaria "a bola no campo de Israel", aumentando a pressão internacional sobre o governo Netanyahu caso ele rejeite a proposta.
Os bastidores das negociações também envolveram contatos diretos entre Jared Kushner, assessor e genro de Trump, e Mohammed Dahlan, ex-chefe de segurança da Autoridade Palestina em Gaza que vive nos Emirados Árabes Unidos.
Segundo assessores de Dahlan, ele atuou diretamente junto à equipe americana e ao enviado do Conselho da Paz para Gaza, Nickolay Mladenov, ajudando a destravar as conversas que culminaram no anúncio feito por Trump nesta quinta-feira.
(Com AFP)
