O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira que a Rússia não vai atacar os países-membro da Otan, ao minimizar relatos da imprensa americana de que o chefe da Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês), John Ratcliffe, teria viajado secretamente a Moscou com o objetivo de alertar os russos contra qualquer ofensiva aos aliados — uma preocupação que seria motivada por informações coletadas pela agência.
O Kremlin já tinha chamado a versão em circulação nos EUA de "alarmista".
Em voo secreto: Diretor da CIA viaja a Moscou para negociações não anunciadas com russos
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— [A Rússia] não vai atacar o território da Otan — disse Trump nesta quinta-feira ao comentar as alegações, acrescentando que tem mantido "boas conversas" com o presidente russo, Vladimir Putin.
Em um programa de rádio na quarta-feira, o presidente já tinha classificado a ida do diretor como uma "visita de semirrotina", e rejeitado qualquer relação com ameaças russas.
Fontes ouvidas pelo jornal americano Wall Street Journal apontaram a finalidade da viagem do chefe da CIA a Moscou seria alertar contra um ataque ao território da Otan.
Autoridades americanas estariam preocupadas que Putin, pressionado pela guerra na Ucrânia e suas consequências internas e externas, pudesse lançar algum tipo de ação agressiva contra um aliado europeu, disseram as fontes — mencionando que o provável seria algum país báltico, em uma ação que poderia ser tanto um ataque cibernético quanto uma incursão de pequena escala.
Aliados europeus da Otan têm denunciado um comportamento mais agressivo da Rússia nos últimos meses, com alguns episódios sendo atribuídos a Moscou mesmo sem uma confirmação oficial.
Entre os casos mais recentes, drones com explosivos foram identificados em aeroportos da Alemanha, um projétil abriu uma cratera em uma área rural da Polônia e jatos caça tiveram que ser acionados pela aliança para abater possíveis ameaças aos espaços aéreos de países mais orientais.
Moscou tem criticado o apoio europeu à Ucrânia com repetidamente desde o início da guerra.
A frente de pressão mais recente envolve o anúncio do Reino Unido sobre ceder tecnologia de mísseis de longo alcance a Kiev — um artigo a muito solicitado pelos ucranianos para atacar além das linhas de frente com maior poder de fogo.
O governo russo afirmou que a medida correspondia a uma participação de Londres na guerra ao lado dos ucranianos, e acrescentou que via o líder britânico "empenhado em jogar gasolina no fogo e em elaborar planos para impedir qualquer tipo de processo de paz".
Da esquerda para a direita: o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, o presidente dos EUA, Donald Trump, e o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, durante uma reunião na Cúpula da Otan de 2025, realizada em Haia, nos Países Baixos, em 25 de junho de 2025
Haiyun Jiang / The New York Times
As forças ucranianas têm investido em ataques aéreos contra o território russo e de áreas ocupadas, em uma campanha que chamam de "sanções de longo alcance", a fim de fazer a guerra ser sentida do outro lado da fronteira.
Entre os alvos recentes estão grandes redes de e-commerce e refinarias de petróleo.
Uma investigação foi aberta nesta quinta-feira para apurar as circunstâncias da morte de um militar russo da Força Aérea, em um incidente envolvendo um carro-bomba perto de São Petersburgo.
A Ucrânia realizou uma série de assassinatos de militares russos de alta patente desde que começou a ofensiva da Rússia há mais de quatro anos.
Em uma manifestação nesta quinta, o Kremlin classificou as informações da mídia americana sobre a visita do diretor da CIA como "histórias alarmistas".
O principal porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov , disse que a informação "não tem nada a ver com a realidade nem com as intenções da Rússia".
Ele insistiu, porém, que Moscou enfrenta uma "agressão" dos países europeus.
— A Rússia preferia alcançar seus objetivos por meios pacíficos, mas, como isso não é possível, continua com sua operação militar especial [termo usado pelo governo russo para se referir à guerra lançada contra a Ucrânia].
Isso é para garantir sua segurança e seus interesses — acrescentou Peskov.
Tanto Moscou quanto Washington afirmaram nos últimos dias que as reuniões envolvendo o diretor da CIA incluiria apenas contrapartes, rejeitando que Ratcliffe tivesse qualquer encontro programado com Putin.
Embora o enviado especial de Trump para negociações no exterior, Steve Witkoff, tenha viajado a Moscou algumas vezes desde o retorno do republicano à Casa Branca, o último chefe da Inteligência dos EUA a pisar na capital russa tinha sido William Burns, durante o governo Joe Biden, em novembro de 2021 — antes do início da guerra com a Ucrânia, portanto.
(Com AFP)
