O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu nós últimos dias altos executivos das principais empresas de tecnologia envolvidas no desenvolvimento da inteligência artificial (IA) no país.
Hoje, seria a vez de representantes de OpenAI, Anthropic e Alphabet (controladora do Google).
No entanto, nenhuma decisão sobre como regular o desenvolvimento da nova tecnologia e enfrentar a competição com a China saiu dessas conversas até agora.
A verdade é que autoridades do governo Trump vêm enfrentando dificuldades, nas últimas semanas, para decidir o que fazer em relação à inteligência artificial (IA), apontam fontes ouvidas pelo jornal The New York Times.
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Em particular, um grupo que inclui a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o secretário do Comércio, Howard Lutnick, debateu se deveria adotar uma postura muito mais intervencionista em relação aos modelos de IA de “código aberto”, como os chineses, que podem ser baixados e modificados livremente, segundo mais de meia dúzia de atuais e ex-integrantes do setor de tecnologia e do governo, além de outras pessoas a par do assunto.
Sam Altman, CEO da OpenAI, em Washington, onde foi discutir os esforços do governo Trump para criar um marco regulatório para os testes de inteligência artificial.
O governo Trump tem enfrentado dificuldades para definir como lidar com os modelos de “código aberto”, como os chineseschinesas
Alex Kent/The New York Times
Altos funcionários analisaram uma série de medidas, entre elas o uso de sanções, a inclusão em uma lista comercial restritiva de empresas chinesas que desenvolvem esses modelos de IA de código aberto ou até mesmo a proibição de que empresas americanas de computação em nuvem façam negócios com elas, disseram cinco das pessoas, todas sob condição de anonimato para discutir assuntos privados.
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Mas, após uma reação negativa do Vale do Silício, eles parecem ter mudado de ideia e agora estão concentrados em promover modelos americanos de IA para torná-los mais competitivos, disseram as fontes ouvidas pelo New York Times.
Hoje, os planos do governo Trump para a IA podem ter ficado mais claros.
A Casa Branca convidou empresas americanas de tecnologia para discutir uma estrutura que permitiria ao governo avaliar novos modelos de IA quanto a possíveis problemas de segurança cibernética antes de seu lançamento ao público, segundo três pessoas com conhecimento dos planos.
Detalhes não foram disponibilizados.
'Muito rápido', diz senador
Na semana passada, os líderes da OpenAi, Sam Altman, e Jensen Huang, da Nvidia, fizeram um périplo entre gabinetes de Washington.
— Tudo isso está acontecendo muito rápido — disse, na semana passada, o senador Jon Husted, republicano de Ohio, após se reunir com os presidentes-executivos da Nvidia e da OpenAI.
— Não sei se tenho alguma conclusão definitiva sobre nada disso.
ensen Huang, ao centro, CEO da Nvidia, e o secretário do Comércio, Howard Lutnick, à direita, no Salão Oval da Casa Branca.
Huang havia levado diretamente a integrantes do governo seus argumentos em defesa de produtos de IA de código aberto
Kenny Holston/The New York Times
As mudanças bruscas de direção são um sinal dos impulsos contraditórios do governo Trump em relação à IA e das dificuldades para lidar com uma tecnologia tão poderosa e em desenvolvimento tão acelerado.
A Casa Branca interveio de forma agressiva em diversos setores da economia nos últimos 18 meses, da mídia à fabricação de chips de computador e à mineração.
Mas a IA muda rapidamente, e o governo tem corrido para determinar de que forma pode influenciar os rumos do setor.
O presidente Donald Trump iniciou seu segundo mandato como um defensor declarado da IA, revogando regulações e estreitando relações com empresas e startups do setor.
Isso, porém, mudou em junho, quando Trump assinou uma ordem executiva que daria ao governo poder de supervisão sobre novos modelos de IA.
Desde então, a tecnologia continuou evoluindo rapidamente.
Os debates mais recentes foram provocados por uma onda de novos e poderosos modelos chineses de IA, conhecidos como “código aberto”, nos quais o público pode ver o código de computador subjacente, ou “pesos abertos”, em que as empresas revelam os cálculos usados para gerar respostas às perguntas.
No Vale do Silício, a reação a esses modelos chineses de IA variou amplamente.
OpenAI e Anthropic, que em geral não compartilham a tecnologia subjacente de seus modelos, pressionaram o governo a conter suas rivais chinesas, alegando razões de segurança nacional.
Outras empresas americanas de tecnologia que produzem modelos de código aberto, entre elas a Nvidia, reagiram.
Elas argumentaram que os modelos de código aberto estimulam a inovação e poderiam ser usados para proteger sistemas de computadores contra ataques cibernéticos.
Qual lado prevalecerá ganhou nova importância na disputa de longa data entre Washington e Pequim para definir qual país controlará tecnologias críticas e vencerá a corrida da IA.
Elevando ainda mais o risco, Xi Jinping, líder da China, deve visitar Washington em setembro para reuniões que devem incluir alguma discussão sobre inteligência artificial.
Executivos e analistas do setor disseram acreditar que o governo provavelmente não adotará nenhuma medida antes dessa visita.
— Os Estados Unidos lideram o mundo em inovação em IA, e a abordagem bem-sucedida do presidente Trump garantirá que continue assim — disse Liz Huston, porta-voz da Casa Branca.
O Departamento de Comércio não quis comentar.
O debate se intensificou no mês passado, quando executivos da Anthropic e da OpenAI mantiveram discussões regulatórias após o lançamento do Kimi, da Moonshot AI, um modelo chinês de última geração que apresentou desempenho equivalente ao dos principais modelos das duas empresas americanas em algumas áreas, disseram duas pessoas familiarizadas com as posições das companhias.
OpenAI e Anthropic também expressaram preocupações sobre a “destilação”, processo em que um modelo é desenvolvido com base nas respostas de outra ferramenta de IA, criando, em essência, uma cópia, segundo três pessoas a par do assunto.
O governo ecoou essas preocupações.
Michael Kratsios, que comanda o Escritório de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca, publicou no mês passado na rede social X que a empresa chinesa responsável pelo Kimi havia destilado o Fable, poderoso modelo da Anthropic.
Ele alertou que “roubar tecnologia proprietária dos Estados Unidos e prejudicar a pesquisa americana é inaceitável”.
No mesmo dia, Bessent publicou que empresas chinesas poderiam enfrentar sanções ou outras restrições federais por roubo de propriedade intelectual.
O governo também analisou restringir os modelos que podem ser usados por órgãos federais ou regular tecnologias da informação e comunicação por meio do Departamento de Comércio, uma possível forma de impedir que empresas americanas façam negócios com companhias chinesas de IA, disseram quatro pessoas familiarizadas com as discussões.
— Acreditamos que tanto os modelos de pesos abertos quanto os modelos fechados têm um papel importante na democratização do acesso à IA — afirmou um porta-voz da OpenAI.
— Os avanços dos modelos chineses de pesos abertos não são um argumento contra a abertura.
Eles reforçam a necessidade de uma estrutura nacional coerente que permita aos Estados Unidos avaliar rapidamente novos modelos, administrar riscos e colocar as ferramentas de IA mais poderosas nas mãos dos defensores da segurança cibernética.
A Anthropic não quis comentar.
Nas empresas Nvidia, Microsoft, Google e Meta, executivos ficaram cada vez mais preocupados com a possibilidade de Anthropic e OpenAI convencerem a Casa Branca com seus argumentos favoráveis a restrições mais rígidas, segundo duas das pessoas.
Isso poderia consolidar a posição das startups de IA como líderes de mercado.
Outros laboratórios de IA corriam o risco de ficar permanentemente para trás, acrescentaram as fontes.
E, como várias dessas empresas desenvolvem seus próprios modelos de código aberto ou fornecem equipamentos a negócios que utilizam tecnologia aberta, elas temiam que as restrições também as prejudicassem.
Em mensagens privadas, telefonemas e videoconferências, executivos construíram discretamente o argumento de que modelos de código aberto eram benéficos para o mundo e para a inovação americana, segundo três pessoas familiarizadas com as conversas.
