Turista americano diz que negativa de visto para o Tibete ‘salvou sua vida’ após escapar de enchentes no Nepal - QTU Questões do Universo

Turista americano diz que negativa de visto para o Tibete ‘salvou sua vida’ após escapar de enchentes no Nepal

Fonte: Bandeira da fonte

Roman Shteynshlyuger, de 47 anos, deveria estar no Tibete quando as enchentes devastaram comunidades no norte do Nepal, perto da fronteira com a China.
Mas uma decisão que, à primeira vista, parecia apenas atrapalhar seus planos de viagem acabou mudando seu destino: o visto chinês foi negado, e ele desistiu da excursão que faria à região.
Em vez disso, o americano fez uma trilha até o acampamento-base do Everest e, depois, retornou aos Estados Unidos.
Agora, de volta a salvo, ele diz que a negativa do visto “salvou sua vida”.
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— Estou extremamente feliz e sortudo por estar vivo — conta Shteynshlyuger à CNN.
— Estou feliz por não estar lá, mas sinto tristeza pelas famílias.
Foi chocante.
O turista havia sido incluído em uma lista de cidadãos americanos com passaportes considerados “desaparecidos” após as enchentes, mas posteriormente informou às autoridades nepalesas que estava em segurança.
No sábado, já no Brooklyn, participou da festa de 70 anos da mãe e disse ter sentido uma “alegria e felicidade inimagináveis por estar aqui”.
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Em um e-mail visto pela CNN, a Polícia Turística do Nepal respondeu que estava “muito feliz” com a notícia e desejou a ele “uma vida longa e próspera”.
A história do americano contrasta com a de dezenas de famílias que estavam nas comunidades atingidas pelas enchentes repentinas no norte do Nepal.
Em algumas das áreas mais afetadas, moradores perderam casas, parentes e meios de subsistência, enquanto equipes de resgate continuam procurando sobreviventes e deslocados se refugiam em áreas mais altas.
‘Me sinto tão perdida’
Entre as vítimas está Kopila Tamang, de 20 anos, moradora de uma das regiões mais atingidas do distrito de Rasuwa.
Ela estava em Katmandu quando soube das enchentes e correu de volta para as montanhas.

A família de Tamang havia sobrevivido ao devastador terremoto que atingiu o Nepal em 2015, embora a casa tivesse sido destruída.
Desta vez, porém, a tragédia levou uma residência recém-construída e 17 integrantes de sua família.
A jovem perdeu a mãe, a irmã e a avó, além de outros parentes — incluindo um sobrinho de apenas um mês de idade.
Agora, as fotos armazenadas no celular são algumas das poucas lembranças que restaram.
— Eu me sinto tão sozinha.
Eu me sinto tão perdida — afirma Tamang à CNN.
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O irmão dela, de sete anos, é jovem demais para compreender o que aconteceu e ainda acredita que a mãe voltará.
— Ele é tão pequeno.
Ele acha que ela vai voltar — conta.
— Agora, eu sou a mãe dele, então preciso ser forte.
Membros da equipe de busca e resgate Harel 669 inspecionam a área afetada no Centro Trishuli após as enchentes repentinas no distrito de Nuwakot, no Nepal, em 30 de agosto de 2026
Foto por ARUN SANKAR/AFP
O primo de Tamang, Subba Tamang, de 17 anos, também perdeu familiares.
Suas duas irmãs pequenas, Anjana, de um ano, e Archana, de cinco, morreram nas enchentes.
— É muito difícil acreditar que perdi meus irmãos.
Eles foram enterrados jovens demais — diz ele à CNN.
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Sem casa, Subba agora dorme no terraço de um prédio inacabado em Bidur, junto com outros 50 homens e meninos deslocados.
— Muitas pessoas choram aqui à noite, lembrando de seus familiares.
É muito difícil dormir aqui — relata.
O medo de novas enchentes também permanece.
Segundo Tamang, famílias deslocadas costumam fugir para áreas mais altas da floresta durante a noite quando recebem alertas de que novas inundações estão chegando.
‘Só tenho as roupas que estou usando’
Às margens do rio Trishuli, em Bidur, 40 casas de uma comunidade ribeirinha foram destruídas pelas enchentes de quarta-feira.
Cerca de 200 pessoas que viviam na área conseguiram correr morro acima e escapar poucos minutos antes de a água atingir as residências.
Agora, porém, elas enfrentam um futuro incerto.
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Uma delas é Ganga Maya Tamang, de 39 anos, que perdeu a casa e vive em um abrigo improvisado em uma área mais elevada.
— Perdemos tudo na enchente.
Só tenho as roupas que estou usando — diz Ganga Maya à CNN.
Cerca de 100 mulheres e crianças estão abrigadas em um prédio que normalmente funciona como centro de ioga.
Os próprios colchonetes usados nas aulas agora servem de cama para os deslocados.
Veja fotos das enchentes no Nepal
O abastecimento de água de Bidur foi completamente destruído.
Os moradores dependem de caminhões que levam água à região e a armazenam em baldes e garrafas.
Com helicópteros de resgate sobrevoando constantemente a comunidade, as famílias também dependem da chegada de ajuda enviada da capital, Katmandu, para sobreviver.
‘A água estava nos perseguindo’
A força das enchentes também deixou marcas entre crianças que conseguiram escapar.
Rojina Bhatta, de 13 anos, estava em um ônibus escolar quando a água começou a se aproximar.
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Segundo ela, os professores receberam o alerta de que uma grande enchente estava chegando e orientaram os alunos a deixar a escola e procurar um local seguro.
O motorista então “dirigiu extremamente rápido” para tirar as crianças da área, depois de ainda buscar outros estudantes pelo caminho.
— A água estava nos perseguindo.
Todos no ônibus estavam assustados e chorando — conta Rojina à CNN.
O motorista conseguiu salvar cerca de 50 crianças, mas a escola onde ela estudava, a Trishuli High School, foi completamente destruída pela enchente.
— Quando me lembro daquele momento aterrorizante, ainda fico com medo — afirma a menina.
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O pai de Rojina, Rajendra Bhatta, de 38 anos, viu de perto a destruição em Bidur.
De acordo com ele, dezenas de casas foram levadas pela água, junto com uma ponte e uma estrada recém-construída.
— A água do rio rugia como se estivesse voando.
Eu a vi saltar para o céu — conta.
Uma mulher aponta para casas danificadas do outro lado do rio Trishuli, após inundações repentinas em Devighat, no distrito de Nuwakot, no Nepal, em 29 de agosto de 2026
MANAN VATSYAYANA / AFP
Bhatta disse que nem ele, nem seu pai ou avô haviam presenciado uma enchente tão devastadora ao longo de suas vidas.
Ele também perdeu o acesso a 30 búfalos que mantém do outro lado do rio.
Com as pontes destruídas, não consegue chegar até os animais.
Ainda assim, diz estar grato por sua família ter sobrevivido.
Resgatada dos escombros
Em meio à destruição, também houve histórias de sobrevivência.
Manisha, uma menina de 5 anos, foi encontrada viva sob os escombros na sexta-feira, dois dias depois das enchentes, e posteriormente reencontrou os pais no hospital.
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O resgate ocorreu perto de Syabrubesi, no distrito de Rasuwa.
Segundo Sanju Khatri, agente da Força Policial Armada do Nepal, as equipes procuravam sobreviventes quando pensaram ter ouvido um gato preso sob os destroços.
Os socorristas começaram a remover os escombros e encontraram a menina presa sob eles.
O trabalho levou cerca de duas horas.
Manisha estava viva, mas quase não respondia.
A equipe chegou a pedir um helicóptero para retirá-la do local, mas o mau tempo impediu o deslocamento.
Os socorristas então levaram a menina para um acampamento de resgate, onde lhe deram água.
Depois de algum tempo, ela recuperou a consciência e passou a receber água de arroz cozido como alimento.
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Traumatizada, Manisha foi transportada de avião na tarde de sábado para o setor de emergência pediátrica do Teaching Hospital, em Katmandu.
Em uma atualização divulgada no domingo, o hospital informou à BBC que a menina estava se recuperando e em condição estável.
Militares nepaleses carregam corpos no acampamento de Trishuli, no distrito de Nuwakot, atingido pelas enchentes fatais
PRABIN RANABHAT / AFP
Enquanto Manisha se recupera no hospital e as famílias atingidas tentam reconstruir suas vidas, a dimensão da tragédia ainda cresce.
O Nepal informou neste domingo que começou a enterrar temporariamente parte dos corpos recuperados, após coletar amostras de DNA e registrar as vítimas para permitir que os familiares as identifiquem e recuperem posteriormente.
O país contabilizava 752 corpos recuperados e 2.502 pessoas desaparecidas, incluindo 589 estrangeiros.
No Tibete, a imprensa estatal chinesa confirmou 16 mortes e 546 desaparecidos após as enchentes de quarta-feira.
Somados os dois lados da fronteira, o balanço chega a 768 mortos e 3.048 pessoas desaparecidas.
Segundo o secretário de Relações Exteriores do Nepal, Amrit Bahadur Rai, o país precisa de mais de mil unidades de refrigeração para armazenar os corpos com segurança, enquanto equipes de resgate e autoridades seguem enfrentando as consequências da devastação.
(Com AFP)