Turistas pagam para ver uma ruína grega

Turistas pagam para ver uma ruína grega 'autêntica' e descobrem estruturas falsas de isopor e cimento

Fonte: Bandeira da fonte

O que parecia ser uma descoberta arqueológica escondida entre as colinas de Arcugnano, na província italiana de Vicenza, acabou se tornando uma das fraudes mais inusitadas relacionadas ao patrimônio histórico do país.
Durante anos, visitantes foram ao local para ver um suposto teatro que, segundo seu promotor, reunia vestígios de diferentes civilizações, mas que, na realidade, era uma construção moderna erguida sem as devidas licenças e condicionada para parecer ter séculos de idade.
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O responsável era Franco Malosso, um italiano de 69 anos que também usava o nome Franz Von Rosenfranz.
Segundo informações divulgadas pela CNN, o homem apresentava o local como o suposto Anfiteatro de Beric e cobrava até 40 euros (cerca de R$ 240, na cotação atual) por pessoa para acesso ao alegado sítio arqueológico.

A organização também ofereceu visitas guiadas e atividades no local, que foi construído em um terreno de aproximadamente 5 mil metros quadrados.
A história que acompanhava a atração estava repleta de referências à antiguidade.
Os visitantes eram informados sobre uma estrutura relacionada à cultura grega e romana, e o local era até mesmo associado a figuras como Júlio César, Cleópatra e Julieta Capuleto.
No entanto, várias dessas afirmações continham contradições históricas óbvias.
Turistas pagam para ver uma ruína grega 'autêntica' e descobrem estruturas falsas na Itália
Reprodução / Tviweb via El Tiempo
Uma dessas questões estava relacionada à própria construção.
Embora fosse promovido como um anfiteatro, seu formato semicircular era mais típico de um teatro.
Uma arena como a que estava sendo anunciada, como o Coliseu de Roma, tem uma planta oval.
Além disso, a localização da suposta descoberta também levantou dúvidas, pois estava situada em uma área rural nas colinas de Vicenza.
Por trás da aparência antiga, escondiam-se materiais contemporâneos.
Investigações determinaram que os degraus foram feitos com pedra moderna tratada para simular desgaste, enquanto as colunas eram de cimento e as esculturas de gesso.
Outros materiais artificiais também foram incorporados, juntamente com um lago escavado no solo.
Além disso, parte de uma estrutura de contenção continha poliestireno, comumente conhecido como isopor.
A intervenção das autoridades começou em 2016, depois que o caso chegou ao conhecimento dos órgãos responsáveis ​​pela proteção do patrimônio.

Uma inspeção confirmou que não havia vestígios arqueológicos antigos sob os edifícios e que o complexo havia sido construído recentemente.
Também foi constatado que a construção afetou uma área de proteção paisagística.
Turistas pagam para ver uma ruína grega 'autêntica' e descobrem estruturas falsas na Itália
Reprodução / Tviweb via El Tiempo
O caso foi parar nos tribunais e se arrastou por aproximadamente uma década.
A defesa de Malosso argumentou que a farsa era tão óbvia que ninguém poderia tê-la considerado um sítio arqueológico genuíno.

Sua versão sobre a origem da estrutura também mudou durante o processo: ele passou de apresentar o local como uma descoberta antiga para argumentar que se tratava de uma reconstrução de um suposto teatro que existira anteriormente.
Essa explicação foi rejeitada pelas autoridades culturais.
Os especialistas também destacaram que existem diversos elementos que distinguem um edifício histórico de um recente.
Entre eles, os materiais, as técnicas arquitetônicas, o contexto geográfico e o desgaste causado pela passagem do tempo.

O arqueólogo Jacopo Bonetto explicou:
— É totalmente absurdo pensar que um edifício antigo possa ser confundido com um moderno, mesmo que sejam construídos da mesma maneira.
O tribunal confirmou a responsabilidade de Malosso pela construção ilegal e falsificação de obras de arte.
A sentença final foi de dois anos e quatro meses de prisão.
Além disso, foram impostas multas e a obrigação de restaurar o terreno ao seu estado original.