Ube: o roxo virou a nova aposta do universo wellness? Saiba o que está por trás da febre - QTU Questões do Universo

Ube: o roxo virou a nova aposta do universo wellness? Saiba o que está por trás da febre

Fonte: Bandeira da fonte

Depois de o matcha transformar o verde em uma das cores mais associadas ao universo wellness, o roxo começa a aparecer com força nas redes sociais.
A tonalidade vem acompanhada do ube, uma variedade de inhame tradicional das Filipinas que é usada em bebidas, sorvetes, bolos e cremes e tem chamado atenção também pelo tom naturalmente vibrante.
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No Brasil, o ingrediente ainda é pouco conhecido e não costuma ser encontrado com facilidade no comércio convencional, especialmente na versão fresca.
Ainda assim, sua tonalidade já começa a aparecer nas redes, onde cores marcantes têm ganhado espaço em conteúdos ligados a alimentação e bem-estar.
Um exemplo é a influenciadora Duda Guerra, que recentemente compartilhou uma bebida roxa.
Conhecida por abordar temas como saúde, exercícios e alimentação, ela aposta em receitas que combinam apelo visual e a associação com um estilo de vida saudável.
"Quem me acompanha sabe que eu amo fazer minhas próprias receitas de smoothie em casa… Esse da foto foi feito com polpa de açaí.
E vai um spoiler: essa imagem traz informações importantes sobre um projeto que já já será anunciado", adianta.
Ube ganha as redes: conheça a raiz roxa que virou tendência e apareceu com Duda Guerra
Reprodução Instagram
O fenômeno mostra como a estética digital também influencia a maneira como novos alimentos chegam ao público.
Antes mesmo de se tornarem acessíveis ou populares, ingredientes podem ganhar visibilidade pela aparência e despertar curiosidade a partir de fotos e vídeos.
Para a nutróloga Mariana Comério, no entanto, é importante separar o apelo visual das propriedades nutricionais do ube.
"O ube é um alimento interessante e pode fazer parte de uma alimentação equilibrada, mas não devemos atribuir propriedades milagrosas a ele por causa da sua cor ou da popularidade nas redes sociais.
A presença de compostos bioativos é um aspecto positivo, mas a saúde depende principalmente da qualidade e da variedade da alimentação como um todo", explica.
O roxo que chama atenção
A cor intensa é um dos principais atrativos do ube.
Sua tonalidade está relacionada à presença de antocianinas, compostos encontrados também em alimentos de cores vermelha, azul e roxa.
A característica ajuda a explicar por que a raiz se tornou especialmente popular em bebidas e sobremesas, nas quais a coloração ganha protagonismo.
No caso de Duda Guerra, o interesse aparece principalmente pelo aspecto visual, em sintonia com uma estética que associa cores marcantes a conteúdos de alimentação e bem-estar.
"O aspecto visual pode ser uma porta de entrada para que as pessoas tenham curiosidade e experimentem alimentos diferentes.
Isso é positivo quando contribui para aumentar a diversidade alimentar.
Mas é importante não transformar uma cor ou um ingrediente da moda em sinônimo automático de saúde", afirma Mariana.
Ube não é sinônimo de emagrecimento
A associação com o universo saudável, porém, exige cautela.
Assim como ocorreu com outros alimentos que ganharam popularidade nas redes, o ube pode acabar relacionado a benefícios que vão além do que as evidências científicas permitem afirmar.
A raiz contém carboidratos e pode integrar uma alimentação equilibrada.
Seu perfil nutricional, no entanto, também depende da forma de preparo e dos demais componentes da receita.
Um smoothie preparado com ube, frutas e outros ingredientes nutritivos é diferente de uma sobremesa feita com a mesma raiz, mas que leva grandes quantidades de açúcar e gordura.
"Precisamos avaliar a preparação inteira.
Um ingrediente pode ter características nutricionais interessantes e ainda assim fazer parte de uma receita com muito açúcar ou gordura.
Não é o alimento isoladamente que determina se uma preparação será adequada ou não para aquela pessoa", ressalta a nutróloga.
Uma tendência que chegou antes do ingrediente
O caso do ube no Brasil chama atenção porque a estética parece estar chegando antes da popularização do próprio alimento.
Enquanto a raiz ainda é pouco conhecida e de acesso restrito para boa parte dos consumidores, sua cor já circula em conteúdos sobre alimentação e bem-estar.
O movimento também ilustra como tendências internacionais podem ser incorporadas ao cotidiano brasileiro pelas redes sociais, mesmo quando o produto que as inspira ainda não está amplamente disponível por aqui.
Para Mariana, o interesse pode ser aproveitado para ampliar o repertório alimentar, sem transformar a novidade em uma promessa de saúde.
"Conhecer ingredientes de outras culturas pode ser muito interessante e estimular uma alimentação mais diversificada.
Mas não precisamos transformar cada novidade em uma obrigação ou em uma promessa de resultado.
O ube pode ser uma opção, assim como tantos outros alimentos, e o equilíbrio continua sendo o principal", conclui.