Por mais de nove horas, o alpinista Rob Martin, de 51 anos, ficou preso em uma estreita faixa de pedra a cerca de 3,2 mil metros de altitude, durante uma escalada na Sierra Nevada, na Califórnia.
Sem conseguir avançar ou retornar, ele temeu morrer caso perdesse o equilíbrio enquanto aguardava a chegada das equipes de resgate.
Quer mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp
Quer morar fora? Veja guia interativo que reúne informações sobre 36 países
— É muito assustador estar em uma situação em que você pensa: um movimento errado agora e acabou.
Eu morro — contou Martin.
Martin havia dirigido cerca de seis horas desde Oakland, na Califórnia, até a região e acampado sob as estrelas na Floresta Nacional de Inyo com um amigo.
Na manhã seguinte, em 22 de agosto, os dois começaram a subir o Laurel Mountain, um pico de 3.602 metros de altitude localizado a cerca de 80 quilômetros a sudeste do Parque Nacional de Yosemite.
A dupla iniciou a escalada por uma espécie de canal formado na rocha.
Em alguns trechos, a passagem era praticamente vertical.
Para evitar uma área coberta por pedras soltas, Martin saiu do canal e continuou pela lateral da montanha.
Tentativa de resgate: mãe morre após voltar para casa em chamas para salvar filha de 4 anos nos EUA
Pouco depois, percebeu que havia chegado a um ponto sem apoio seguro.
A rocha lisa o cercava, e ele não conseguia nem descer nem retornar para o canal.
Em uma tentativa de se manter seguro, Martin passou uma corda ao redor de uma pedra que se projetava da parede.
Mas até mesmo o ponto de apoio se movia.
Ele então encontrou uma pequena beirada em uma pedra, com cerca de 15 centímetros de largura e 30 centímetros de comprimento.
A metade das solas de suas botas de escalada ficava para fora da borda.
Martin tentou chamar o amigo, mas o vento abafou sua voz.
Ele chegou a ouvir o que poderia ter sido uma resposta, mas não tinha certeza se era realmente o companheiro ou apenas o eco.
Ventos de 80km/h
Com medo, ligou para o serviço de emergência por meio de um telefone via satélite.
Por volta de 13h20, o pedido de socorro chegou à equipe de busca e resgate do condado de Mono, formada por voluntários.
O resgate, no entanto, demoraria horas.
Um helicóptero da Patrulha Rodoviária da Califórnia chegou a sobrevoar a região, mas os ventos eram fortes demais para que um socorrista pudesse içá-lo.
Segundo o Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos, as rajadas chegaram a cerca de 80 km/h naquele dia.
‘Agora e sempre’: Canadá responde a Trump e instala placa no Lago Ontário após americano mudar nome para ‘Lago América’
Enquanto esperava, Martin tentava movimentar partes do corpo uma de cada vez para manter a circulação.
— Meus pés estavam muito cansados.
Às vezes doía.
Era desconfortável.
Minhas pernas começaram a ter cãibras, assim como os pés e as mãos, porque eu estava segurando aquela parede — contou.
Segundo Mitch Quiring, porta-voz da equipe de busca e resgate, vários socorristas foram mobilizados para encontrar o alpinista.
Um helicóptero deixou Quiring e outro integrante da equipe na montanha.
Durante mais de duas horas, os socorristas procuraram por Martin, mas não conseguiram localizá-lo.
As coordenadas enviadas pelo telefone via satélite eram imprecisas.
As equipes gritavam para tentar estabelecer contato, mas o vento levava suas vozes.
Enquanto as horas passavam, Martin começou a temer que teria de passar a noite na montanha.
O sol se aproximava do horizonte e ele tinha medo de adormecer e perder a força das mãos.
— Isso teria sido muito difícil.
Então tentei não pensar muito nisso — disse.
Psicose pós-parto: O que explica a onda de solidariedade para mãe acusada de matar os três filhos nos EUA
Até que ouviu uma voz.
— Ei, Rob! Você consegue me ver? — gritou um dos socorristas.
Martin olhou ao redor, mas não conseguiu enxergar ninguém.
Começou a gritar e, então, avistou uma jaqueta vermelha.
— Eu consigo ver você! — respondeu.
Homem morre após bater carro em árvore durante perseguição policial no Reino Unido
O socorrista, porém, parecia ainda não conseguir localizá-lo.
Martin passou a acenar freneticamente com os braços, ainda preso pela corda que havia amarrado à rocha.
— Ainda me lembro do tom da voz dele.
Parecia uma criança no Natal.
Ele disse: “Eu consigo ver você” — contou Martin.
A possibilidade de passar a noite sozinho na montanha começou a desaparecer.
Ele não estava mais sozinho.
Os socorristas elaboraram um plano para instalar grampos e cordas na montanha e alcançar Martin com segurança.
Quando começaram a se aproximar dele, o sol já havia se posto.
— Naquele momento, achei que começaria a chorar como um bebê.
Funguei um pouco e comecei a tremer — relatou.
Martin foi finalmente retirado da montanha sem ferimentos.
Depois do resgate, encontrou um hotel e tomou um banho.
Ao todo, passou mais de nove horas agarrado à pequena beirada.
O alpinista atribuiu à equipe de busca e resgate o mérito por ter salvado sua vida.
— Minha gratidão por eles é eterna — afirmou.
‘Um movimento errado e eu morro’: alpinista passa mais de nove horas preso em montanha na Califórnia
Fonte:
