Na véspera do segundo jogo das oitavas de final da Copa do Brasil — hoje, às 21h30, no Maracanã —, Fluminense e Vasco protagonizaram um esquenta diferente: com o microfone na mão, em palestras na Rio Innovation Week, conferência de tecnologia e inovação que acontece no Pier Mauá até sexta-feira.
De um lado, o presidente tricolor, Mattheus Montenegro, voltou a tocar em um tema que se apresenta como um dos mais importantes da história do clube: a venda da SAF.
Do outro, o gerente de inovação e tecnologia cruz-maltino, Pedro Caixeiro Rodrigues, apresentou mecanismos digitais para melhorar a relação com seu maior patrimônio: o torcedor.
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Com intenção de aprovar o projeto de SAF no segundo semestre deste ano, o Fluminense ainda não tem previsão de quando levará a proposta para votação dos sócios.
De acordo com Montenegro, o clube continua em reuniões internas para modular o formato final.
Mas ele assegura que o maior atrativo não serão os valores, mas, sim, o comprometimento e a identificação dos investidores com o sucesso do tricolor.
— Deixar de ser um clube associativo exige buscar um investidor que tenha, no mínimo, identificação e compromisso com o clube.
Mesmo por um valor maior, eu não venderia o Fluminense para um sheik árabe — garantiu o presidente.
A previsão é de um aporte inicial de R$ 500 milhões, sendo R$ 250 milhões à vista e o restante em até dois anos — com um montante ainda não definido para abater parte das dívidas, que somaram mais de R$ 1 bilhão em 2025.
E não é novidade que o Fluminense quer aumentar esse valor.
Em meio às crises enfrentadas pelas SAFs de Botafogo e Vasco, Montenegro procurou desassociar o projeto tricolor do dos rivais.
Segundo ele, cada cláusula está sendo discutida no detalhe.
Fluminense recebe proposta dos investidores para criação de SAF
Fluminense/Divulgação
— Desafio alguém a mostrar um processo de SAF mais transparente do que o do Fluminense.
Ela pode até ser rejeitada, mas não vou dizer que o Fluminense vai virar o Real Madrid.
O objetivo é de longo prazo, porque, sem planejamento, a conta chega — afirmou ele.
Pressão em campo
Com um plano de recuperação judicial em atividade, o Vasco já encaminhou a venda da SAF ao empresário Marcos Lamachia, filho de José Lamachia, fundador da Crefisa.
Isso porque o presidente Pedrinho voltou ao comando após a Justiça suspender a intervenção que havia afastado membros do Conselho de Administração do clube-empresa.
— O Vasco é vendido a um grupo americano (777 Partners) e dá errado.
É um desafio diário.
Ainda é um fator preponderante, mas a gente está chegando mais perto do torcedor.
Ele é o maior bem que o clube tem — destacou Pedro Caixeiro Rodrigues, gerente de inovação e relacionamento do clube, em sua palestra na Rio Innovation.
Essa aproximação com a torcida tem um motivo: o Vasco ID, uma espécie de “gov.br” (plataforma digital do Governo Federal) voltado exclusivamente para os cruz-maltinos.
Lançada em outubro do ano passado, já alcançou cerca de 1 milhão de pessoas e reúne mais de 50 mil cadastros no Vasco ID, concentrando as informações dos torcedores.
Torcida do Vasco em São Januário
Matheus Lima/Vasco
— O Vasco não tinha um torcedor registrado com seu CPF.
Os clubes se relacionavam com os torcedores por meio de subsistemas e não tinham uma visão abrangente da base.
Agora, conseguimos concentrar os dados e reunir informações como quem vai aos jogos e o perfil dos torcedores — destacou.
Com a nova ferramenta, o clube também lançou o Vasco App, mais uma iniciativa para aproximar o torcedor e ampliar as receitas.
Para o clássico de hoje com o Fluminense, por exemplo, os torcedores cadastrados tiveram acesso a uma entrevista exclusiva com o técnico Pedro Emanuel.
— Vai chegar uma hora que, se não tiver o Vasco ID, não vai consumir nada do Vasco — previu Rodrigues.
Enquanto os rivais discutem projetos de gestão e sustentabilidade, o presente reforça urgência mais simplista: a pressão de vencer dentro de campo para que as administrações tenham tranquilidade para colocar suas ideias em prática.
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