O impacto da dependência de produtos vindos de outros estados pesa diretamente no orçamento das famílias na Região Norte.
Um balanço divulgado nesta quinta (27) pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos no Pará (Dieese-PA) revela que as principais frutas consumidas na Grande Belém sofreram reajustes que chegam a ser quase dez vezes maiores que a inflação estimada de 3,5% para o período.
O destaque é a manga rosa, que acumulou uma alta de 30,48% entre janeiro e julho de 2026.
"Outro aspecto relevante é a forte dependência do Pará de produtos oriundos de outros estados, o que amplia a sensibilidade dos preços locais às variações nos custos de produção e transporte", afirma Everson Costa, supervisor técnico do Dieese-PA.
"A tendência para os próximos meses tende a ser de manutenção de preços elevados e maior volatilidade, com impactos diretos sobre o orçamento das famílias paraenses", destaca o especialista.
Apenas na comparação entre junho e julho deste ano, o limão liderou os aumentos com 10,75%, seguido pelo maracujá com 8%.
O mamão e a melancia também encareceram no acumulado do ano, registrando saltos de 18,98% e 16,31%, respectivamente.
Variação nas bancas
Apesar da pressão inflacionária registrada pelo levantamento até o fim do mês passado, feirantes do Ver-o-Peso já observam mudanças de valores em agosto motivadas pela sazonalidade.
"O abacate, por exemplo, tem aumento porque são safras diferentes durante o ano.
Quando está na entressafra, tem aumento no preço", afirma o vendedor Anderson Barbosa.
Anderson Barbosa, feirante no Ver-o-Peso (Ivan Duarte / O Liberal)
"De julho para agosto, deu uma baixada no preço.
Em julho, estava custando em média R$ 10 o quilo.
Agora está custando entre R$ 6 e R$ 7 o quilo", destaca o feirante.
O mamão também começou a baratear no mercado aberto com a transição de clima local.
"A partir do momento que cessa a chuva, porque o mamão ele é uma fruta do verão.
Começou a ter uma baixa significativa no final de junho, porque as chuvas desse ano prolongaram até junho", disse Anderson Barbosa.
"Todo ano, no inverno, o mamão sobe de preço", afirma o trabalhador sobre o encarecimento registrado no primeiro semestre.
A melancia é outro item que apresenta flutuação recente para os consumidores belenenses.
"Ela já aumentou, e agora baixou de novo.
No mês passado, ela tava de R$ 2,20 lá na Ceas; agora baixou para R$ 2", disse o feirante Edivaldo Gomes.
Edivaldo Gomes, feirante no Ver-o-Peso (Ivan Duarte / O Liberal)
"Eu tô vendendo a R$ 4 o quilo", finalizou o vendedor sobre a revenda direta no complexo do Ver-o-Peso.
Balanço das frutas na Grande Belém
Acumulado do ano (janeiro a julho de 2026)
Manga rosa: aumento de 30,48%
Mamão: aumento de 18,98%
Melancia: aumento de 16,31%
Abacaxi: aumento de 10,51%
Abacate: queda expressiva de 44,19%
Limão: queda de 29,76%
Variação mensal (julho em relação a junho de 2026)
Limão: aumento de 10,75%
Maracujá: aumento de 8,00%
Manga rosa: aumento de 4,94%
Tangerina: queda de 7,06%
Laranja pera: queda de 6,07%
Acumulado de 12 meses (julho de 2025 a julho de 2026)
Acerola: aumento de 36,55%
Melão amarelo: aumento de 29,66%
Melancia: queda de 33,69%
Laranja pera: queda de 23,12%
Fonte: Dieese Pará
