Valor Inovação: Nono mais inovador, Grupo Boticário quer estar por dentro da mente do consumidor - QTU Questões do Universo

Valor Inovação: Nono mais inovador, Grupo Boticário quer estar por dentro da mente do consumidor

Fonte: Bandeira da fonte

O avanço das canetas emagrecedoras e dos tratamentos para perda de peso rápido está redefinindo os códigos do mercado de beleza global num ritmo muito acelerado.
“Quem não está atento a esse movimento, que reconfigura o comportamento de consumo, corre o risco de perder espaço”, afirma Gustavo Dieamant, diretor de pesquisa e desenvolvimento (P&D) do Grupo Boticário.
“São movimentações como essas, que acompanhamos com muita atenção, que nos fazem revisitar nossas estratégias de inovação ano a ano, embora nossos planos sejam traçados para médio prazo.”
Com essa conduta, o Grupo Boticário criou no mercado nacional uma nova categoria de skincare: “antiderretimento”.
Trata-se do primeiro protocolo que trata a flacidez do emagrecimento rápido, desenvolvido com o objetivo de combater o esvaziamento facial e a perda substancial da pele, fenômeno que a cultura digital batizou de “rosto derretido”.
Uma nova linha de produtos, lançada pela Botik, marca de cuidados com a pele do Boticário, é composta por um sérum facial e um creme para a área dos olhos.
A companhia afirma ter chegado a uma fórmula que ajuda a eliminar mais rapidamente células de baixo desempenho e a estimular as mais ativas, o que daria mais firmeza ao tecido cutâneo.
“Os testes feitos em laboratório apontam que a formulação foi capaz de promover um aumento de até 300% na produção de elastina”, diz Dieamant.
“Conectamos inovação tecnológica com uma necessidade atual do consumidor.”
A criação da nova categoria de skincare resultou de uma das dezenas de pesquisas que o Grupo Boticário vem trabalhando em seus ambientes de inovação, instalados junto à fábrica em São José dos Pinhais (PR).
Entre eles, Quintana Lab e Quintana Herbal, com foco no desenvolvimento de ingredientes proprietários; Centro de Pesquisa do Olfato, voltado à ampliação do conhecimento sobre olfato, suas influências emocionais e diversidade sensorial; e o Centro de Pesquisa Capilar, criado em 2025.
Este último é definido como um hub de inovação dedicado à pesquisa de cabelo e couro cabeludo, a fim de desenvolver ativos proprietários, biotecnologia e soluções sustentáveis que antecipam as tendências do mercado capilar.
Foi dele que saiu um novo produto que, segundo a companhia, se propõe a combater o afinamento dos fios provocado por fatores como o uso de canetas emagrecedoras, estresse, procedimentos químicos e predisposição genética.
A inovação, lançada pela Eudora, uma das marcas do portfólio, é resultado da escuta ativa das consumidoras.
“O produto entrega efeito megahair e sensação de mais de 44 mil fios, fruto de uma tecnologia que atua diretamente na fibra capilar, promovendo o aumento do diâmetro dos fios e criando a percepção de maior densidade”, afirma o diretor.
Em 2025, as vendas totais do Grupo Boticário alcançaram R$ 38,1 bilhões, alta de 7% em relação ao ano anterior.
O desempenho, afirma Dieamant, foi marcado pela evolução da estratégia de ecossistema de beleza multimarca e multicanal, centralidade no cliente, ampliação de operação fabril e logística em todo o país, além de investimentos em inovação.
“Cerca de 27% do faturamento foi proveniente de produtos lançados há menos de um ano.
Foram cinco mil novos produtos desenvolvidos e outros dois mil reformulados”, diz o executivo.
“No ano passado, publicamos dez novas patentes, crescimento exponencial de 450% em relação a 2024.” Segundo Dieamant, os números refletem o investimento consistente em parcerias com institutos nacionais e internacionais, como Universidade de São Paulo (USP), MIT, Berkely University, Laboratório Nacional de Biociências e o Habitat Senai Corporações.
“No Grupo Boticário, a inovação é uma responsabilidade compartilhada e acontece pela integração entre P&D, tecnologia, marketing, operações e negócios”, assegura.
“Não somos uma empresa nativa digital, mas construímos competências internas em IA [inteligência artificial] que hoje apoiam desde P&D até personalização da experiência do consumidor, operações logísticas e prevenção de fraudes.” O uso de IA amplia a capacidade de interpretar dados, identificar padrões de comportamento e acelerar ciclos de desenvolvimento.
“Não fazemos nada hoje sem usar dados, IA e robótica, seja para melhorar processos, seja para criar produtos.
A tecnologia não substitui a decisão humana, mas torna o processo de inovação mais preciso, eficiente e orientado por evidências”, afirma.
“Alcançamos 30% de otimização do tempo de criação de produtos com uso de ferramentas tecnológicas e dados.
Se antes íamos para a bancada para fazer 70 combinações para chegar a um novo produto, hoje fazemos menos de 50.” É também com base em dados estruturados que o Grupo Boticário está desenvolvendo produtos locais para dois mercados importantes: o de Portugal e o da Colômbia.
Dieamant, diretor de P&D: uso de dados, IA e robótica para criar produto
Divulgação
De acordo com o executivo, a nova arquitetura de inovação em fragrâncias, que integra em um único fluxo dados do consumidor, P&D, ativos proprietários, critérios regulatórios e metas ESG é um exemplo de abordagem da inovação como estratégia transversal: “O modelo torna o desenvolvimento mais integrado, assertivo e escalável, permitindo transformar necessidades reais das pessoas em produtos relevantes com maior velocidade e eficiência”.
Um exemplo dessa forma de trabalhar é o desenvolvimento de um novo perfume, que fez uso de IA para analisar cinco anos de comentário de consumidores e identificar territórios olfativos exclusivos da marca, tornando o processo de criação ainda mais preciso e conectado às expectativas dos clientes.
A mesma lógica está presente em outras frentes de P&D.
“O projeto My Skin, desenvolvido em parceria com a Fiocruz, combinou IA, proteômica e ciência de dados para criar uma metodologia inédita capaz de medir a idade biológica da pele em nível molecular, com resultados publicados na revista Communications Biology, do grupo Nature”, diz o executivo.
“É um exemplo de como a inovação aplicada gera conhecimento científico e amplia as fronteiras da ciência cosmética.”
Um dos focos dos trabalhos na área de inovação no período 2026/2027 é o Centro de Pesquisa da Mulher em parceria com o hub de startups do Albert Einstein, dedicado a fomentar estudos sobre o bem-estar e o cuidado feminino em todas as fases da vida.
“Em 2025, investimos R$ 13 milhões em pesquisas científicas no Centro e a estratégia é avançar nessa frente, com expectativa de crescimento de 20% nos próximos anos”, revela Dieamant.
Outra linha de cosméticos corporais, recém-lançada, é a primeira no país desenvolvida para o ciclo menstrual e foi criada a partir de um processo colaborativo com a Pantys, marca de referência em ciclo menstrual e bem-estar.
“A inovação teve origem numa pesquisa robusta relativa à alteração do olfato nos diferentes ciclos femininos e nos trouxe vários insumos não só para nossa principal categoria, a perfumaria, mas também para diversas áreas”, revela o executivo.
“Pesquisas desse porte nos ajudam a olhar para várias frentes do negócio, de solução de produto a treinamento das consultoras em loja.
Daí nossa convicção de que inovar tem de ser uma capacidade permanente e um pilar estratégico do negócio, sempre orientado pelo entendimento profundo do consumidor”.
ESTRATÉGIA
Investimento em P&D no Brasil: mais de 5% da receita
Centros de pesquisa no Brasil: 1
Ambientes de inovação no Brasil: 7 - Quintana Lab e Herbal, Núcleo de Inteligência Olfativa, Estúdio de Design, Galeria P&D, Centro de Pesquisa da Mulher, Centro de Pesquisa Capilar e Centro de Pesquisa do Olfato
Patentes no Brasil: mais de dez publicadas
Funcionários em P&D: 400
Parcerias: sete universidades e institutos, startups