Vanessa Giácomo vive uma fase em que novas possibilidades começam a dividir espaço com uma carreira construída ao longo de mais de duas décadas.
Entre as novidades estão a estreia na literatura, com um livro de ficção previsto para a Bienal deste ano, o protagonismo em "Delegacia de Homicídios", do Disney+, e um novo papel no cinema em "Sombras", thriller psicológico que tem Reynaldo Gianecchini e Louise Cardoso no elenco e chega às salas no segundo semestre de 2027.
Ao mesmo tempo, a atriz acompanha a chegada de produções das quais participou a públicos de outros países.
Laura Luz, de 'Por Você', conta detalhes da preparação para sua estreia nas novelas: 'Tenho me dedicado muito à construção da Glorinha'
Conheça a atriz: Gabi Amaral estreia nos cinemas ao lado de Mônica Martelli e Ingrid Guimarães
De 'Man on Fire' ao cinema autoral: Ismael Caneppele abre o jogo sobre atuar, escrever e dirigir
Essa abertura para outros mercados aconteceu sem planejamento prévio.
Vanessa já havia vivido uma experiência internacional em "Jean Charles" e, mais recentemente, passou a trabalhar também em Portugal.
O contato com outros profissionais e maneiras de fazer cinema e televisão trouxe novas referências, inclusive para a vida pessoal.
"Me sinto mais aberta para trabalhar em diferentes lugares, conhecer outras formas de fazer e também levar comigo aquilo que aprendi no Brasil", afirma à revista ELA.
Estar fora do país também mudou a maneira como Vanessa observa o cotidiano.
Longe de hábitos que pareciam familiares, ela passou a reparar mais em formas de falar, se relacionar e contar histórias.
"Você começa a observar outras maneiras de falar, de se relacionar, de trabalhar, de contar histórias.
E isso inevitavelmente vai para a atriz que eu sou", conta.
A troca, segundo ela, não apaga suas referências de origem.
"Hoje me sinto muito brasileira e, ao mesmo tempo, mais aberta ao mundo", reflete.
Vanessa Giácomo vive fase de descobertas com novos projetos no cinema e streaming
Divulgação @felicosta
Essa percepção também está presente em “Chuva Negra”, que agora chega a espectadores de diferentes lugares.
Para Vanessa, ver uma história tão ligada à realidade brasileira despertar interesse fora daqui mostra como a arte é capaz de criar identificação mesmo em contextos distintos.
"'Chuva Negra' fala de questões muito humanas, e poder imaginar esse encontro com outros públicos é muito especial", diz.
O streaming teve papel importante nessa mudança de alcance.
Uma produção pode ser disponibilizada em lugares que seus realizadores sequer tinham em mente durante as filmagens, algo que alterou a dimensão possível de uma obra.
Vanessa, porém, não coloca essa perspectiva como ponto de partida para suas escolhas.
"Continuo escolhendo uma personagem pela história, pelo que ela me provoca e pelo desejo de fazer parte daquele universo.
O alcance vem depois", explica.
É justamente uma história que a provoque que ela encontrou em "Delegacia de Homicídios".
Na produção criada por José Júnior, a atriz entra no universo da investigação criminal, cenário que ainda não havia explorado daquela maneira.
O interesse veio tanto pela protagonista quanto pela possibilidade de pesquisar uma rotina marcada por tensão, procedimentos específicos e situações extremas.
O desafio foi não deixar que o aspecto policial se sobrepusesse às pessoas envolvidas em cada caso.
"Quando estamos falando de investigação criminal, existe uma série de procedimentos e uma realidade muito específica, mas, por trás de tudo isso, existem pessoas, histórias, perdas e escolhas", observa.
Vanessa Giácomo fala sobre carreira internacional, novos papéis e estreia como autora
Divulgação @felicosta
Vanessa não vê a busca por papéis diferentes como uma obrigação.
O que a move é encontrar, em cada novo projeto, algo que desperte sua curiosidade e a faça sair da zona de conforto.
"Não quero necessariamente que cada personagem seja completamente diferente da anterior, mas preciso encontrar alguma coisa que me provoque, que me faça estudar, observar, sair da zona de conforto", avalia.
Fora dos sets, ela passou a lidar com um tipo diferente de criação.
Vanessa está preparando um livro de ficção para a Bienal deste ano, projeto que representa a transformação de uma vontade antiga em uma experiência concreta.
A escrita já fazia parte de sua vida antes da ideia de publicar, mas, em determinado momento, ela sentiu que era hora de dar espaço a essa outra forma de expressão.
Na atuação, Vanessa recebe uma personagem, uma dramaturgia e um universo que já existem.
Na literatura, precisa construir tudo a partir do próprio imaginário.
"É uma responsabilidade e uma liberdade enormes", reconhece.
A vulnerabilidade, no entanto, permanece.
Se, diante das câmeras, existe uma personagem entre a atriz e o público, no livro a exposição é mais direta.
"É como abrir uma porta de uma casa que você normalmente mantém fechada", compara.
Vanessa Giácomo revela o que busca em novos projetos
Divulgação @felicosta
No cinema, Vanessa também se prepara para apresentar outra faceta.
Em "Sombras", Vanessa divide o elenco com Reynaldo Gianecchini e Louise Cardoso em uma trama de suspense psicológico.
A atmosfera do filme e a possibilidade de explorar diferentes camadas da protagonista foram alguns dos motivos que despertaram seu interesse.
A parceria com Gianecchini ganhou importância durante o processo.
"Existe uma parceria muito boa entre nós e acho que o público vai perceber isso quando o filme chegar às telas", destaca.
Diante de tantas novidades, Vanessa prefere falar em descoberta, e não em reinvenção.
Reinventar, na visão da atriz, pressupõe deixar o passado para trás, algo que não corresponde à forma como encara o momento atual.
"Tudo o que vivi até aqui está presente no que faço hoje.
O que mudou foi a minha disponibilidade para experimentar", resume.
Vanessa Giácomo explica por que prefere falar em descoberta, e não em reinvenção
Divulgação @felicosta
Na hora de aceitar um projeto, um critério se sobrepõe aos demais: curiosidade.
Esse interesse pode nascer de uma história, de uma personagem que ainda não sabe exatamente como interpretar, de um diretor com quem gostaria de trabalhar ou de um elenco que desperte sua atenção.
"Preciso sentir que existe alguma coisa ali que vai me fazer sair de casa, estudar, me preparar e começar de novo", conclui.
