Integrantes de duas gerações da mesma família convivem em uma casa que é também personagem — talvez a principal — em “Nosso segredo”, vencedor dos prêmios de melhor filme, fotografia e direção de arte no Festival de Gramado que se encerrou no último domingo.
A concentração dramática em um único espaço tem origem teatral: a peça “Amores surdos”, escrita pela diretora Grace Passô e encenada pelo grupo Espanca.
Mas o resultado é cinematográfico, com uma câmera que se movimenta como se fosse também personagem, a explorar as relações entre as pessoas e delas com o lugar onde vivem.
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“É uma herança nossa, a gente sente saudade”, diz alguém na expressiva e ambígua sequência de abertura, em um carro que transita por Belo Horizonte.
A chave para o filme — o sentimento de “presença da ausência”, na imagem do escritor palestino Mahmoud Darwish — esconde-se nesse momento inaugural.
Mesmo antes de mergulhar num sobrado inacabado, já intuímos o que lá nos aguarda, na rotina de uma mãe (Ju Colombo), de seus quatro filhos (Robert Frank, Jessica Gaspar, Flip e Efraim Santos) e de uma tia (Marisa Revert).
O namorado da filha (Juan Queiroz) e uma vizinha (Gláucia Vandeveld) completam o microcosmo.
Atriz de “Praça Paris” (2017) e “Temporada” (2018), Grace Passô estreia na direção de longa-metragem usando a casa de sua própria família como um porto seguro para o elenco — ótimo tanto nos momentos solo como nas interações —e para a combinação de realismo social e drama psicológico, com elementos de cinema fantástico.
Cotação: Bonequinho aplaude.
Vencedor do Festival de Gramado, 'Nosso segredo' combina realismo social e drama psicológico
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