Vera Araújo é uma das homenageadas pelo 21º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, evento organizado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), que acontece nesta semana no campus Paraíso da UNIP, em São Paulo.
Repórter do GLOBO desde 2000, a jornalista cunhou o termo “milícias” para se referir aos grupos que atuam em favelas do Rio de Janeiro e revelou detalhes que ajudaram a elucidar o assassinato da ex-vereadora Marielle Franco.
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Ela participou de uma cerimônia nesta quinta-feira (30), no auditório da UNIP.
Durante o evento, foi exibido um documentário, que retrata a biografia de Vera, seguido de um bate-papo mediado por Catarina Barbosa, diretora da Abraji, e Maiá Menezes, editora-assistente do jornal O Estado de S.Paulo.
Fátima Souza, repórter do SBT, a primeira jornalista a revelar a existência do Primeiro Comando da Capital (PCC), também foi homenageada pelo Congresso, tema do documentário e também participou do bate-papo.
O filme "Inspiração Abraji: Mulheres contra o crime" conta com depoimentos, imagens de arquivo e entrevistas sobre a trajetória de Vera e de Fátima.
O documentário teve direção executiva de Juliana Dal Piva, vice-presidente da Abraji.
Vera Araújo e Fátima Souza, homenageadasno 21º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo
Guilherme Queiroz / O GLOBO
A produção revisitou lugares ligados a grandes reportagens publicadas por Vera, como o local em Estácio em que Marielle e Anderson Gomes foram mortos em 2018 e a cobertura do julgamento do caso Henry Borel.
Também foram filmados depoimentos em espaços ligados à infância e adolescência da jornalista, em Duque de Caxias, e o início da carreira.
Outros membros do GLOBO, como o diretor de redação, Alan Gripp, e os fotógrafos Márcia Foletto e Domingos Peixoto também deram depoimentos para o documentário sobre o trabalho de Vera.
Durante o bate-papo após a exibição do documentário, Vera e Fátima responderam a perguntas sobre técnicas de investigação jornalística e revelaram bastidores de casos de repercussão que cobriram.
— A gente usa a humildade para poder chegar nas pessoas mais simples.
Eu costumo ouvir as pessoas falarem: não sei como você conseguiu arrancar algo dessa pessoa.
Tem que saber ouvir, observar — disse a repórter do GLOBO.
Tragetória de sucesso
Com 38 anos de carreira, Vera Araújo é formada em jornalismo e em direito.
Ela foi pioneira ao revelar a expansão e o funcionamento dos grupos paramilitares no Rio de Janeiro.
Em 20 de março de 2005, um domingo, em reportagem publicada pelo GLOBO intitulada “Milícias de PMs expulsam tráfico”, Vera relatou como grupos de policiais e ex-policiais tinham assumido o controle de 42 favelas na Zona Oeste do Rio.
A jornalista demonstrou como as organizações praticavam uma série de ações criminosas que, décadas depois, seguem parte da realidade dos moradores de bairros do Rio, como a cobrança de “taxas de segurança”, o controle da comercialização e sobretaxação de itens básicos como botijões de gás e outros “negócios”.
Com a matéria, ganhou o Prêmio Especial Tim Lopes de Jornalismo Investigativo em 2009.
As reportagens publicadas no jornal também foram essenciais para a elucidação do assassinato da ex-vereadora Marielle Franco, no Rio, em 2018.
Vera chegou a testemunhas oculares do crime que ainda não tinham sido ouvidas pela polícia e também revelou a existência do chamado “Escritório do Crime”, o grupo de matadores de aluguel a serviço de bicheiros e políticos onde atuava Ronnie Lessa, condenado pela morte da vereadora.
A jornalista é coautora do livro "Mataram Marielle" (Editora Intrínseca), que foi finalista do Prêmio Jabuti em 2021, na categoria documentário e biografia.
Outro livro de sua autoria é "O Plano Flordelis: Bíblia, filhos e sangue" (Editora Intrínseca), que traça a história da ex-deputada Flordelis, condenada pelo homicídio do pastor Anderson do Carmo.
Ao longo da carreira, também recebeu prêmios como o Imprensa Embratel, o Esso Sudeste e o Mulher Imprensa.
Foi ainda comentarista nas séries do Globoplay "Vale o Escrito" e "Lei da Selva", sobre a guerra do jogo do bicho no Rio.
Antes do GLOBO, a jornalista trabalhou no Jornal do Brasil e em O Dia e, desde 2024, é autora do blog Segredos do Crime, no qual escreve sobre os bastidores de casos emblemáticos.
