O Exército do Nepal divulgou imagens nesta sexta-feira de uma operação apoiada por helicópteros, na qual equipes de emergência retiram sobreviventes das enchentes que varreram o país na quarta-feira do túnel de uma hidrelétrica no vale do rio Trishuli — um dos locais por onde passou a torrente de água, lama e destroços que provocou uma severa destruição no país.
As autoridades confirmaram a retirada de ao menos 350 pessoas do local, afirmando que ainda há outras 100 à espera de resgate.
Após ameaça de nova inundação: Nepal e China retomam operações de resgate
Quer mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp
Quer morar fora? Veja guia interativo que reúne informações sobre 36 países
— Algumas pessoas estão presas no túnel do projeto hidrelétrico Trishuli 3A — disse o porta-voz do Exército do Nepal, Raja Ram Basnet, em entrevista à agência de notícias francesa AFP nesta sexta.
— Dois helicópteros foram enviados, mas a operação é desafiadora, pois é difícil até mesmo localizar as entradas do túnel.
Esforços de assistência também estão em andamento para fornecer o necessário às pessoas resgatadas.
O Gabinete do primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, informou em um comunicado que o Exército vinha trabalhando em condições difíceis, mas que, entre os 350 resgatados com sucesso, estavam trabalhadores e moradores que haviam ficado presos no local.
O texto afirmou ainda que "o Exército continua trabalhando para retirar com segurança mais de 100 pessoas presas no mesmo túnel".
Em um comunicado ainda na quarta-feira, a Associação de Produtores Independentes de Energia do Nepal informou que 14 projetos hidrelétricos, incluindo cinco em construção, estavam na zona afetada pela enchente.
Trabalhadores que foram localizados e retirados pelos militares descrevem um cenário desolador, considerando quem estava na "linha de frente" da tormenta.
Forças Armadas do Nepal resgatam sobreviventes de enchente presos em túnel de hidrelétrica
— Havia pelo menos 400 trabalhadores — disse Dev Shrestha, resgatado por via aérea do local onde trabalhava.
— Mais pessoas morreram do que foram resgatadas.
O trabalhador Buddha Tamang disse que sobreviveu apenas porque estava dentro de um túnel na barragem onde trabalhava quando a inundação atingiu o local — mas conseguiu sair e buscar ajuda.
— Sobrevivi porque estava no túnel — disse Tamang, resgatado por helicóptero na quinta-feira após ficar ilhado por mais de 24 horas.
— Os supervisores que trabalhavam do outro lado...
todos foram levados pela correnteza.
Entenda a origem da tragédia em Nepal e Tibete e o percurso da destruição
Arte/O GLOBO
Outro trabalhador, Arjun Kumar Tamang, falou sobre os "danos enormes" na usina hidrelétrica onde estava.
— Não sei quantas pessoas morreram, mas a força da água levou tudo — contou.
Galerias Relacionadas
A contagem de mortos atualizada pela Polícia do Nepal cita 547 corpos resgatados, enquanto quase mil pessoas seguem desaparecidas só no país.
Muitos locais mais atingidos não foram acessados por equipes de busca até o momento, uma vez que pontes, estradas e outras infraestruturas ficaram comprometidas após o impacto direto.
Os riscos de novas enchentes e deslizamentos de terra, com as chuvas registradas na região e o solo instável, ainda demandam atenção.
No Tibete, o primeiro grupo de resgate chinês conseguiu chegar à área mais afetada de Gyirong, na fronteira com o Nepal, nesta sexta.
As autoridades chinesas têm controlado as informações sobre o impacto na região autônoma, citando apenas cinco mortos, mas mais de 500 desaparecidos.
Figuras da cúpula comunista, porém, já admitiram que o número de mortos deve ser elevado com o avanço das buscas.
(Com AFP)
