Rodrigo Cury, presidente da Visa
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O Brasil é referência em inovação dos meios de pagamento.
Além do Pix, os serviços financeiros avançaram na integração e inteligência de dados para dar mais fluidez e segurança às transações.
Em um setor que mudou mais nos últimos cinco anos do que nas cinco décadas anteriores, inovar significa antecipar desafios e simplificar experiências de pagamento, afirma Rodrigo Cury, presidente da Visa.
Nos últimos cinco anos a empresa investiu globalmente mais de US$ 12 bilhões em segurança e redução de fraudes e, ao longo da última década, mais de US$ 3 bilhões em inteligência artificial e infraestrutura de dados.
A estratégia, segundo Cury, combina conexão com o mercado local e presença global, atuando em mais de 200 países.
O ambiente é consolidado com o uso de dados na maior rede de pagamentos do mundo, para identificar padrões, testar hipóteses.
A Visa conta com 100 ferramentas de IA para que os colaboradores criem agentes para apoiar soluções e tenham mais tempo dedicado à resolução de problemas.
“Todos os colaboradores participam desse processo, contribuindo com soluções capazes de aumentar a eficiência e fluidez dos pagamentos digitais”, diz Cury.
Entre os projetos, Cury destaca o Visa Intelligent Commerce com infraestrutura impulsionada por IA.
“Em março de 2026, realizamos a primeira transação agêntica, demonstrando como agentes de IA poderão realizar compras de forma segura utilizando nossa infraestrutura de tokenização e autenticação”, diz Cury.
A iniciativa reúne mais de 100 parceiros globais, com mais de 30 desenvolvendo soluções, cerca de 20 agentes e plataformas integradas e centenas de transações agênticas realizadas em ambientes controlados.
Os projetos são apoiados pelo laboratório de inovação Visa LabGarage, que reúne equipes multidisciplinares para testar tecnologias em ambientes reais e escalar soluções.
A necessidade da evolução contínua das plataformas transacionais direciona a estratégia da Livelo cujo ecossistema une mais de 60 milhões de usuários, mais de 600 parceiros comerciais e 70 instituições financeiras.
A abordagem parte do princípio de que toda inovação precisa resolver um problema real do cliente ou do negócio.
“Os investimentos são voltados à simplificação da experiência do cliente, aumentar a escalabilidade da operação e criar oportunidades de negócio para os parceiros”, afirma Felipe Avila, Chief Product and Technology Office (CPTO) da Livelo.
Felipe Avila, Chief Product and Technology Office (CPTO) da Livelo
Divulgaço
A empresa conta com um Hub de Inovação aberta que desenvolveu um programa de fidelidade com IA baseado em um assistente digital, funcionando como uma consultoria personalizada auxiliando os clientes no acúmulo e uso de pontos.
As decisões são orientadas por dados, validadas e aprimoradas em ciclos curtos.
O hub reúne mais de 50 projetos e já reduziu pela metade o tempo entre a concepção de uma ideia e o teste.
“O objetivo é chegar a seis semanas entre a ideia e o produto, conectando colaboradores, clientes, startups e parceiros para acelerar a criação e a validação de soluções”, explica Avila.
Estanislau Bassols, CEO da Cielo, acredita que a inovação não pode ser pausada, porque o mercado de pagamentos evolui continuamente em tecnologia, comportamento e regulação.
“Tratamos inovação como uma capacidade organizacional conectando estratégia, tecnologia, execução e cultura, priorizando investimentos em iniciativas de maior impacto para clientes e para o negócio”, explica.
Essa abordagem, segundo Bassols, ganhou ainda mais relevância com IA: a Cielo possui mais de 500 frentes voltadas para eficiência operacional, tomada de decisão, personalização de jornadas e melhoria da experiência do cliente que gerou cerca de R$ 90 milhões em ganhos operacionais no último ano.
Os avanços aparecem nos indicadores da companhia: 95% das solicitações são atendidas dentro do prazo acordado, 75% das maquininhas são entregues em até 24 horas e o índice de quebra de equipamentos caiu para 3%, diz Bassols.
Entre os projetos está o eSIM, tecnologia de adquirência que aumenta a estabilidade da conexão ao alternar automaticamente entre operadoras quando há instabilidade de sinal, garantindo continuidade no atendimento ao cliente.
O CEO também destaca o Extrato Cielo com IA, criado para simplificar a gestão financeira dos lojistas que permite consultar informações sobre vendas, taxas, repasses e antecipações por meio de linguagem natural dando mais autonomia e transparência aos clientes.
“Esse projeto faz parte de uma agenda mais ampla que contempla a IA aplicada ao atendimento, à logística, à manutenção preditiva, à análise de risco, ao comércio eletrônico, à força comercial, à prevenção a fraudes e à produtividade interna”, destaca Bassols.
A identificação de ganhos de eficiência operacional, simplificação de processos e novas oportunidades de negócio são prioridades na Rodobens, quarta empresa no ranking Valor Inovação Brasil.
Com o apoio da IA, a Rodobens desenvolveu sistemas de análise, identificação de tendências e antecipação de movimentos do mercado para responder rapidamente às mudanças do cenário econômico.
“Hoje conseguimos analisar informações de mercado, tendências de consumo, perfis de clientes e benchmarks de forma muito mais eficiente, apoiando a criação de novos produtos, campanhas e modelos de negócio”, afirma o gerente de inovação da Rodobens, Demétrio Teodorov.
Para acelerar esse processo, a empresa promovetreinamentos para estimular o uso da IA.
“A partir desse movimento, os próprios colaboradores passaram a identificar oportunidades em suas rotinas, revisando processos, automatizando atividades e propondo melhorias”, explica.
Um dos resultados foi o desenvolvimento de uma ferramenta com dados corporativos que conecta informações de mercado e variáveis relacionadas ao perfil dos clientes, características regionais e contexto competitivo.
“A plataforma gera recomendações e insights para campanhas comerciais mais aderentes a cada realidade de mercado e permite analisar oportunidades com maior profundidade, aumentando a qualidade do planejamento e da execução das ações”, diz Teodorov.
O projeto foi construído de forma multidisciplinar reunindo profissionais das áreas de negócio, tecnologia, comercial, compliance e jurídico para entender os requisitos estratégicos, operacionais e regulatórios.
“Essa etapa ocorreu por meio de workshops de imersão que ajudaram a definir objetivos, prioridades e critérios de sucesso”, explica.
Ao longo do desenvolvimento foram realizados ciclos de validação e ajustes, refinando as fontes de informação, ampliando a profundidade dos dados e calibrando os modelos para garantir a qualidade das recomendações geradas.
A estratégia de inovação da QI Tech, quinta empresa do ranking, é integrar essa cultura em todas as áreas.
“Se a empresa não investe em inovação, alguém mais rápido vai resolver o mesmo problema com menos gente e menos custo, e vai ganhar o cliente”, avalia Emílio Moreira, cofundador e CEO de administração e custódia da QI Tech.
A maior administradora de Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) do Brasil, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), com R$ 174 bilhões em patrimônio líquido sob custódia em fundos de investimento, tinha como um dos gargalos o cadastro de novos cedentes.
As consultas manuais de contrato social, ata de assembleia, validação de poderes de representação e checagem levavam até quatro dias.
“Construímos uma solução combinando reconhecimento óptico de caracteres, aprendizado de máquina e regras de validação regulatória e o fluxo passou a rodar em algumas horas em vez de dias, a validação de poderes societários caiu para menos de 20 segundos, e o ganho de produtividade para gestores e consultores chegou a 80%”, destaca Moreira.
O próximo passo é a integração de um agente na plataforma de gestão e administração.
Hoje o cliente interage com telas, relatórios e áreas de suporte para tirar dúvidas, pedir posição de carteira ou entender uma movimentação.
“O agente muda essa interação como uma nova interface para conversar com o software, entender contexto, responder com precisão sobre a operação do fundo e resolver no momento o que antes dependia de fazer uma ligação ou esperar retorno de alguém do time”, aponta Moreira.
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