As empresas de petróleo e gás vêm incorporando, cada vez mais, inteligência artificial (IA) e transformação digital em suas estratégias de inovação.
Além de ajudar no processo decisório corporativo, essas ferramentas contribuem para a descarbonização – um dos maiores objetivos do setor – ao otimizarem a operação, além de integrarem novas soluções para o mercado.
Renata Baruzzi, diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação da Petrobras
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A Petrobras tem quatro programas de tecnologia principais: aumento de eficiência na exploração e produção; novas fronteiras e recomposição de reservas; descarbonização das operações; novos produtos e energias de baixo carbono.
De acordo com seu Plano Estratégico 2026-2030, a área de P,D&I receberá mais de US$ 4 bilhões no período.
“Vamos ampliar nosso orçamento em pesquisas em baixo carbono, atingindo 40% do orçamento anual de P&D em 2029.
Investiremos US$ 1,2 bilhão no horizonte do Plano em pesquisas que vão possibilitar o desenvolvimento de novos negócios no futuro”, conta Renata Baruzzi, diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação.
Nos últimos dois anos, a empresa implantou mais de 300 tecnologias.
A IA participa da interpretação sísmica, monitoramento de ativos, gestão do conhecimento e apoio à tomada de decisão.
Esforços apoiados pelo Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), que atua integrado a uma ampla rede de parcerias, incluindo universidades, instituições de ciência e tecnologia, empresas e startups.
No último ano, a Petrobras foi responsável pelo depósito de 184 patentes.
Entre as inovações bem-sucedidas estão o SAF, combustível sustentável de aviação, que teve seu primeiro lote – produzido com 1% de óleo de soja – comercializado neste ano.
Outras iniciativas que devem se concretizar na próxima década são as plataformas eletrificadas, associadas a uma fonte renovável de energia.
Raquel Mattos Cavalcanti, Gerente de Portfólio P&D e Inovação da Repsol Sinopec Brasil, diz que nem toda tecnologia promissora gera valor na velocidade esperada.
“Isso nos levou para uma abordagem cada vez mais orientada por desafios estratégicos, métricas claras e potencial de escalabilidade.”
Cerca de metade do portfólio da área de inovação é direcionado a novas energias e descarbonização.
Do restante, 30% buscam otimizar a exploração e produção e 20%, oportunidades estratégicas e tecnologias emergentes.
A empresa fez avanços este ano.
Um de seus projetos entrou em fase de validação experimental em escala real.
É o Gimbal Joint Riser (GJR), tecnologia offshore desenvolvida com parceiros para simplificar sistemas em águas ultraprofundas, com potencial de reduzir em até 40% investimentos.
Raquel Cavalcanti, da Repsol Sinopec Brasil: abordagem orientada por métricas claras e escalabilidade
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Também firmou parceria para desenvolver o DAC Twins, gêmeo digital de uma unidade de captura direta de carbono do ar (DAC) instalada no campus da PUC – RS, em Porto Alegre.
Será criado um ambiente digital para reproduzir, em tempo real, o comportamento de um reator DAC, o que permitirá estudos de escalabilidade.
As iniciativas de inovação passam por um processo estruturado de prospecção, desenvolvimento de business case, definição de indicadores de desempenho e avaliação de maturidade tecnológica.
E são avaliadas pelos gestores de portfólio e pela liderança de P&D, seguindo para aprovação do Executive Committee (ExCom), com participação da alta liderança.
Outra petroleira que também divide suas empreitadas tecnológicas em áreas é a Shell Brasil.
Foca em quatro: subsuperfície, engenharia de sistemas de produção, soluções de baixo carbono e digitalização.
Por ano, R$ 500 milhões são investidos em P&D, dos quais 70% vão para projetos de descarbonização e eficiência offshore e o restante para iniciativas de baixo carbono.
Também adepta da inovação aberta, uma de suas realizações recentes é fruto de união de esforços entre a Shell e o Senai Cimatec.
Trata-se do Viper, um braço robótico que substitui o trabalho humano de inspeção e manutenção em alturas elevadas, nas plataformas.
“Na Shell, a inovação é uma forma de trabalhar: com colaboração, aprendizado contínuo, curiosidade e responsabilidade pelos resultados.
Ela é apresentada como parte do modo de operar e de decidir da empresa”, salienta Alexandre Breda, gerente de Tecnologia e Inovação da Shell Brasil.
A tecnologia PACI (Completação Inteligente de Poço Aberto) é outro êxito criado em conjunto – dessa vez com Petrobras, Welltec e Halliburton.
Reduz a complexidade e economiza entre US$ 10 e 15 milhões na construção de cada poço.
Já foi aplicada mais de 50 vezes no pré-sal brasileiro.
A Acelen, que comanda a refinaria de Mataripe (BA), tem sua inovação baseada em experimentação controlada, reduzindo riscos técnicos, operacionais e financeiros.
“Nosso processo parte de um diagnóstico operacional, identificação de gargalos prioritários, desenho de caso de uso, validação em piloto e escalonamento quando a solução comprova valor”, explica Celso Ferreira, vice-presidente de Operações da Acelen.
A trilha da inovação foi definida com a identificação de oportunidades relevantes de evolução em automação, conectividade, dados, cibersegurança e maturidade digital.
A Acelen está desenvolvendo um copiloto industrial para a refinaria de Mataripe.
Trata-se de uma plataforma de IA generativa que, com a decisão final sempre sob governança humana, ampliará a capacidade de antecipar desvios, otimizar processos, fortalecer a segurança operacional e acelerar a captura de ganhos em eficiência, confiabilidade e margem operacional.
Outro exemplo de uso inovador da IA é uma solução, criada em 2025, que possibilita o monitoramento do catalisador na produção de diesel da Unidade de Hidrotratamento da refinaria.
Os dados, processados em tempo real, apoiam decisões que podem ampliar a vida útil do catalisador, estendendo a campanha (período contínuo de operação) da unidade e reduzindo custos operacionais.
“Entendemos que a inovação se incorpora à cultura quando deixa de ser um tema restrito à tecnologia e passa a orientar a forma como a organização opera, incluindo maior conexão com startups, ICTs, universidades e parceiros tecnológicos”, afirma o executivo.
Na distribuidora de combustíveis Vibra, a inovação combina pesquisa aplicada, desenvolvimento interno, inovação aberta, corporate venture capital e programas de transformação cultural.
O propulsor dessa estratégia é o Vibra co.lab, um hub de inovação, pelo qual a empresa já se conectou a mais de mil startups e mantém mais de 200 delas em operação ativa.
O fundo Vibra Ventures, com R$ 150 milhões sob gestão, investe em empresas de mobilidade, IA e dados.
Segundo Aspen Andersen, vice-presidente de Gente, Tecnologia e ESG da Vibra, a inovação não depende apenas da tecnologia, mas da mobilização das pessoas.
“Por isso, criamos a Academia de IA, que capacita nossos colaboradores a aplicar inteligência artificial em desafios reais do negócio.”
Cerca de 70% das iniciativas estão focadas em eficiência operacional, acelerando projetos de IA para ganhos imediatos de produtividade.
Outras 20%, nos clientes.
E 10% em inovações disruptivas em mercados adjacentes e tecnologias emergentes.
Há resultados em várias frentes, como o ClientIA, já em uso pela área comercial.
É uma ferramenta que transforma dados em inteligência de vendas e que fornece insights em tempo real às equipes de campo, ampliando a assertividade das ofertas e as margens.
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