Você tem entre 40 e 49 anos? O radiologista Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues explica o que mudou no acesso à mamografia pelo SUS - QTU Questões do Universo

Você tem entre 40 e 49 anos? O radiologista Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues explica o que mudou no acesso à mamografia pelo SUS

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Até setembro de 2025, uma mulher de 42 anos que quisesse fazer uma mamografia de rastreamento pelo SUS, sem sintomas nem histórico familiar da doença, frequentemente esbarrava em dificuldades de acesso na rede pública.
A recomendação oficial concentrava o rastreamento sistemático na faixa de 50 a 69 anos, e mulheres mais jovens só conseguiam o exame com mais facilidade caso apresentassem algum sinal de alerta.
O que mudou de fato na regra de acesso
O Ministério da Saúde passou a garantir, no SUS, o acesso à mamografia de rastreamento a partir dos 40 anos, por demanda e mediante orientação de um profissional de saúde sobre os riscos e benefícios do exame nessa idade.
Na prática, isso significa que mulheres entre 40 e 49 anos deixam de precisar justificar sintomas ou histórico familiar para conseguir realizar a mamografia pela rede pública.
Dr.
Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues explica que essa faixa etária concentra uma parcela importante dos diagnósticos: dados oficiais indicam que cerca de um quarto dos casos de câncer de mama no Brasil ocorre antes dos 50 anos, o que reforça por que ampliar o acesso justamente nessa idade tem relevância prática, e não apenas simbólica.
Por que essa faixa etária historicamente enfrentava mais dificuldade?
A concentração do rastreamento sistemático entre 50 e 69 anos não surgiu por acaso: estudos indicam que a sensibilidade da mamografia costuma ser menor em mulheres mais jovens, cujo tecido mamário tende a ser mais denso, o que dificulta a identificação de alterações suspeitas na imagem.
Essa diferença técnica levou por anos a uma recomendação mais conservadora para mulheres abaixo dos 50.
Dr.
Vinicius Rodrigues pondera que essa limitação técnica é real, mas não significa que o exame perca valor nessa faixa etária, e sim que a decisão de rastrear deve envolver uma conversa entre a mulher e seu médico sobre riscos individuais, e não apenas uma regra genérica válida para toda a população.
A importância da detecção precoce, explicada de forma simples
Quanto mais cedo um câncer de mama é identificado, maiores tendem a ser as chances de tratamento menos agressivo e de melhor resposta terapêutica.
Um exame de rotina, aparentemente burocrático, pode ser exatamente o que antecipa um diagnóstico em meses ou anos, período que faz diferença real no curso da doença.
Para o radiologista, o principal recado da mudança recente é prático: mulheres entre 40 e 49 anos que nunca haviam considerado fazer o exame, por acreditarem que não tinham direito a ele pelo SUS sem sintomas, agora podem procurar uma unidade de saúde e solicitar orientação sobre o assunto.
O que fazer se você está nessa faixa etária?
Quem tem entre 40 e 49 anos e nunca conversou com um médico sobre rastreamento de câncer de mama pode, a partir de agora, buscar essa orientação na própria rede pública, sem precisar apresentar sintomas prévios.
A decisão final sobre fazer ou não o exame deve considerar o histórico pessoal e familiar de cada mulher, mas o primeiro passo, segundo Vinicius Rodrigues, é simplesmente saber que essa porta de acesso agora está aberta.
Vale lembrar que essa orientação não substitui uma consulta médica individual: cada mulher tem um perfil de risco diferente, que depende de fatores como histórico familiar, idade da primeira menstruação e uso prévio de terapias hormonais, entre outros.
O papel da nova regra é justamente garantir que essa conversa possa acontecer dentro do SUS, sem que a mulher precise já chegar com um sintoma para ser ouvida.