Você tira print para não esquecer? Isso pode fazer você se lembrar menos, diz estudo - QTU Questões do Universo

Você tira print para não esquecer? Isso pode fazer você se lembrar menos, diz estudo

Fonte: Bandeira da fonte

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Pixabey
Você vê algo que gosta ou quer lembrar e tira um print da tela do seu celular? Isso pode, na verdade, fazer você se lembrar menos do que viu.
Um novo estudo, publicado na revista Memory & Cognition, mostrou que tirar capturas de tela prejudicou de forma consistente a memória dos participantes em sete experimentos diferentes.
As informações são do Science Alert.
“Os resultados do presente estudo sugerem que provavelmente estamos prejudicando nossa memória de informações e experiências ao apertar um botão, e que esse prejuízo pode até se estender para além do que foi capturado”, afirma Sophia Fabrizio, psicóloga da Universidade de Binghamton e uma das autoras da pesquisa.
Pesquisas anteriores já haviam mostrado que registrar digitalmente uma informação, por exemplo, ao tirar uma fotografia, pode prejudicar a memória em comparação com simplesmente observar.
E o novo estudo partiu desse fenômeno.
Os pesquisadores queriam entender não apenas se os prints prejudicavam a memória, mas também se havia algum benefício cognitivo em troca.
A hipótese era que, ao deixar uma informação armazenada no celular, a pessoa poderia dedicar menos recursos mentais para memorizá-la e usar essa capacidade em outra tarefa.
Os cientistas propuseram algumas possíveis explicações.
Uma delas sugere que o próprio ato de usar a câmera ou o celular pode dividir nossa atenção ou nos afastar do que está acontecendo ao redor, fazendo com que o cérebro dedique menos recursos à formação da memória do acontecimento em si.
Outra hipótese é o chamado descarregamento cognitivo (cognitive offloading).
Basicamente, o cérebro pode dedicar menos esforço para memorizar algo quando sabe que aquela informação já está sendo armazenada externamente.
É algo semelhante ao chamado “efeito Google”.
Ou seja, por que se dar ao trabalho de armazenar informações no cérebro quando é possível encontrá-las em segundos na internet? É por isso que muitas pessoas já não decoram números de telefone, preferindo consultar a lista de contatos salva no celular.
Para investigar essas hipóteses, a equipe testou 892 participantes em sete experimentos, analisando diferentes aspectos do fenômeno.
Em todos eles, porém, os resultados foram, de modo geral, os mesmos, com os participantes apresentando desempenho consistentemente pior em testes de memória depois de tirar prints.
No primeiro experimento, os participantes viram 44 imagens de obras de arte em seus celulares e foram instruídos a fazer uma captura de tela de cada uma ou simplesmente visualizá-las.
Depois de uma atividade de distração de 10 minutos, eles passaram por um teste de memória, no qual precisavam identificar as imagens originais que haviam visto entre três versões semelhantes de cada uma.
Os participantes tiveram desempenho consistentemente pior ao identificar as imagens das quais haviam feito capturas de tela do que aquelas que haviam apenas visualizado.
Exemplo do que os participantes tinham que observar
Reprodução/Estudo Digital amnesia: The aftermath of a screenshot
O segundo experimento foi desenvolvido para verificar se havia algum tipo de compensação, ou seja, algum benefício que pudesse contrabalançar o prejuízo à memória.
Dessa vez, os pesquisadores acrescentaram uma nova pergunta ao teste de memória, perguntando aos participantes se eles se lembravam de ter apenas visualizado ou feito uma captura de tela de cada imagem.
Novamente, os participantes se lembraram menos das imagens das quais haviam feito capturas de tela do que daquelas que apenas haviam visualizado.
Os experimentos seguintes foram para verificar se esses recursos cognitivos poderiam estar sendo usados em outra atividade.
Os cientistas fizeram os participantes resolverem problemas matemáticos ou realizarem tarefas de memória não relacionadas às imagens.
No entanto, houve poucos sinais de que os participantes que fizeram capturas de tela das imagens tivessem desempenho melhor nessas tarefas do que aqueles que apenas visualizaram as imagens.
Nos experimentos posteriores, os pesquisadores analisaram o que acontecia quando os participantes eram informados especificamente de que fariam um teste de memória sobre as imagens e teriam a oportunidade de revisar suas capturas de tela.
Alguns participantes foram informados de que fariam o teste em até 30 minutos; outros, de que voltariam um mês depois para realizar a avaliação.
Na realidade, porém, os dois grupos foram testados 10 minutos após a sessão com as imagens.
A hipótese da equipe era que aqueles que acreditassem que haveria um intervalo maior até o teste dependeriam mais do celular como uma espécie de memória externa do que aqueles que soubessem que seriam testados imediatamente.
Curiosamente, porém, houve pouca diferença entre os grupos.
Em vez disso, os participantes dos dois grupos continuaram apresentando uma memória mais fraca para as imagens das quais haviam feito capturas de tela em comparação com aquelas que haviam apenas visualizado.
Isso não significa que todo print fará uma pessoa esquecer determinada informação.
Os experimentos avaliaram o desempenho em testes de memória em condições controladas e usaram imagens de obras de arte, e não situações cotidianas como fotografar uma viagem, salvar uma receita ou fazer um print de uma mensagem.
Ainda assim, os resultados levantam uma questão interessante sobre um hábito cada vez mais comum: talvez guardar uma informação no celular não seja tão útil para a memória quanto imaginamos.
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