O ex-banqueiro Daniel Vorcaro contratou o escritório de advocacia Bialski Advogados Associados para tentar negociar, mais uma vez, um acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República.
A equipe se junta aos advogados do criminalista Sérgio Leonardo, que é o único defensor que atua na defesa de Vorcaro desde o início das investigações da Operação Compliance Zero, no ano passado.
A informação foi antecipada pelo portal g1.
Segundo apurou o Valor, o objetivo da nova equipe de defesa, formada pelos sócios Daniel Bialski, Bruno Borragine e André Bialski, é organizar todos os elementos para apresentar uma proposta robusta de colaboração, após duas tentativas frustradas de Vorcaro de fechar um acordo com as autoridades.
Preso duas vezes desde novembro do ano passado, Vorcaro está detido em Brasília desde março deste ano e já trocou duas vezes sua equipe de defesa.
Inicialmente, ele contava com uma equipe formada por alguns dos maiores escritórios do país, com os advogados Pierpaolo Bottini, Roberto Podval e Walfrido Warde, além de Sérgio Leonardo.
Ele chegou a ser preso ao tentar deixar o país em um jatinho em novembro do ano passado, e foi solto no mesmo mês pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região.
Depois disso, a investigação sobre ele subiu para o Supremo Tribunal Federal, após a própria defesa apontar suspeita de envolvimento de autoridade com foro privilegiado, pelo fato de ter sido encontrada uma pasta com o nome de um deputado nas buscas nos endereços de Vorcaro.
No Supremo, o caso ficou inicialmente com o ministro Dias Toffoli, mas ele acabou sendo forçado a deixar a relatoria após a Polícia Federal apresentar um relatório ao STF sobre várias menções ao ministro encontradas no celular de Vorcaro.
Com isso, o caso foi redistribuído ao ministro André Mendonça, que mandou prender Vorcaro novamente em março.
Na sequência também foram presos o cunhado, o pai e o primo do ex-banqueiro, todos suspeitos de participar do esquema de fraudes financeiras organizado por Vorcaro.
Com essa segunda prisão, o ex-banqueiro decidiu mudar sua estratégia de defesa, dispensou três escritórios de advocacia e passou a tentar um acordo de colaboração com o criminalista José Luís de Oliveira Lima, conhecido como Juca.
A proposta, porém, acabou sendo rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República.
Com isso, o advogado acabou deixando o caso e Vorcaro vinha sondando outros nomes para auxiliar em sua defesa.
Na sequência, o próprio Sérgio Leonardo tentou apresentar uma nova proposta de colaboração, apresentando mais fatos e detalhes, mas o conteúdo ainda assim foi considerado insuficiente pelas autoridades, que já contam com muita informação encontrada ao longo das dez fases da Operação Compliance Zero, incluindo, principalmente, os celulares do ex-banqueiro e de outros empresários.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master
Victor Moriyama/Bloomberg
