Vorcaro nega à PF ter corrompido servidores do BC e diz que poderia

Vorcaro nega à PF ter corrompido servidores do BC e diz que poderia 'falar mais' com delação

Fonte: Bandeira da fonte

O banqueiro Daniel Vorcaro prestou depoimento à Polícia Federal por aproximadamente quatro horas nesta sexta-feira, 28, no inquérito que apura as suspeitas de cooptação de dois servidores do Banco Central.
Ele negou ter praticado atos de corrupção desses servidores, mas, ao final do depoimento, disse à PF que se estivesse em um ambiente de delação premiada, "poderia falar muito mais coisas" sobre o assunto.

O depoimento seria realizado na quinta, 27, mas acabou sendo adiado por problemas técnicos.
A PF fez questionamentos sobre a relação de Vorcaro com o ex-diretor de fiscalização do BC, Paulo Sérgio Neves, e com o ex-chefe do departamento de supervisão bancária, Belline Santana.

Eles são suspeitos de terem recebido propinas em troca de dar uma consultoria informal ao dono do Banco Master durante o processo de tentativa de venda ao Banco de Brasília (BRB).
Vorcaro disse que os pagamentos feito a eles não tiveram irregularidades.

Belline foi contratado por um operador de Vorcaro para uma consultoria em um projeto para conectar jovens da periferia ao mercado financeiro, que a PF diz ter sido apenas de fachada, enquanto Paulo Sérgio vendeu um terreno ao cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel.

No depoimento, Vorcaro disse que os pagamentos a Belline foram efetivamente para o projeto de jovens e que a transação com Paulo Sérgio foi definida por seu cunhado para investimento no mercado imobiliário.
De acordo com comunicado feito por sua defesa, Vorcaro negou atos de corrupção.
"Daniel respondeu de forma clara e consistente a todos os questionamentos que lhe foram formulados, não deixando qualquer indagação sem esclarecimento.
Restou demonstrado, em especial, que não houve qualquer ato de corrupção envolvendo os servidores mencionados na investigação", disse a nota, assinada pela equipe de advogados da defesa do banqueiro.
O depoimento foi feito por videoconferência de dentro da unidade prisional da Papudinha, onde ele está detido há cerca de dois meses.
O delegado responsável pelo caso e sua defesa participaram também por vídeo.
É o primeiro depoimento de Vorcaro à PF depois que ele tentou fazer um acordo de delação premiada, que acabou sendo rejeitado pelos investigadores.
Sua defesa tem sinalizado que ele continua querendo colaborar e quer tentar fazer uma terceira proposta de delação, mas ainda não houve nenhum movimento concreto nesse sentido.

A frase dita pelo banqueiro à PF no depoimento foi uma demonstração dessa disposição.
No final do interrogatório, ele afirmou que "poderia falar muito mais coisas" se estivesse em um ambiente de colaboração premiada.
A defesa afirmou, na nota divulgada à imprensa, que Vorcaro "externou, ainda, sua plena disposição de prestar esclarecimentos mais amplos e aprofundados sobre os fatos, desde que lhe seja efetivamente assegurada a possibilidade de colaborar".