O número de brasileiros com 65 anos ou mais cresceu 57,4% entre 2010 e 2022, passando de 14,1 milhões para 22,2 milhões, segundo o Censo do IBGE.
Esse avanço demográfico tem atraído investimentos crescentes para o setor de saúde voltado à longevidade, com operadoras, hospitais e redes de cuidado ampliando estrutura para atender essa faixa etária.
Só no mercado global de longevidade, projeções da consultoria Mordor Intelligence apontam crescimento de US$ 31,6 bilhões em 2026 para US$ 46,8 bilhões até 2031.
No Brasil, o número de beneficiários com 50 anos ou mais em planos de saúde cresceu 20,6% entre 2015 e 2025, segundo dados do setor de saúde suplementar.
Nesse contexto, o especialista no setor, Wilson Bachega Junior avalia que essa expansão reflete uma mudança estrutural na forma como empresas do setor enxergam o público mais velho: não mais apenas como grupo de maior custo assistencial, mas como mercado consumidor relevante e crescente.
O avanço dos investimentos em saúde voltada à longevidade
Grandes grupos de saúde vêm anunciando aportes expressivos voltados especificamente à população idosa, incluindo expansão de unidades de diagnóstico, centros de longevidade e programas de acompanhamento contínuo.
Esse movimento acompanha a percepção de que o envelhecimento populacional deixou de ser um risco isolado para se tornar um vetor relevante de crescimento para o setor.
Para Wilson Bachega Junior, essa mudança de perspectiva altera também o modelo de negócio das operadoras.
Programas voltados à prevenção e ao acompanhamento contínuo, segundo ele, tendem a reduzir custos assistenciais no longo prazo, já que intervenções precoces costumam ser menos onerosas do que tratamentos de complicações avançadas.
O peso econômico da população idosa como consumidora
Relatórios do setor de bens de consumo já apontam que o poder de compra de pessoas acima de 60 anos deve superar os R$ 30 trilhões globalmente neste ano, um indicativo de que esse público representa também oportunidade além do setor estritamente médico.
Produtos e serviços voltados a bem-estar, atividade física e qualidade de vida na terceira idade acompanham esse movimento.
O especialista pondera que empresas capazes de atender simultaneamente às necessidades clínicas e de consumo desse público tendem a se posicionar de forma mais competitiva nos próximos anos.
Modelos de negócio que integram cuidado médico a serviços de bem-estar, segundo ele, representam uma das fronteiras mais promissoras dentro do setor.
Desafios estruturais do sistema de saúde suplementar
Apesar do crescimento, o setor enfrenta desafios relacionados à sustentabilidade financeira do modelo atual.
A despesa média por beneficiário acima de 59 anos chega a ser o dobro daquela registrada na faixa entre 54 e 58 anos, o que pressiona operadoras a repensar a precificação e a estrutura de custos de seus planos voltados à população mais velha.
Na avaliação de Wilson Bachega Junior, equilibrar sustentabilidade financeira e qualidade assistencial será um dos principais desafios do setor nos próximos anos.
Modelos baseados em prevenção e diagnóstico precoce representam um caminho mais viável do que a simples elevação de mensalidades como resposta ao aumento de custos.
Cuidado domiciliar como fronteira em expansão
O setor de cuidados domiciliares também tem registrado crescimento acelerado, com alta de 74% no número de empresas formalizadas entre 2020 e 2025.
Esse movimento reflete tanto a preferência crescente por cuidado em casa quanto a necessidade de reduzir custos hospitalares associados ao envelhecimento populacional.
Segundo o especialista, a formalização desse mercado ainda avança de forma desigual, com parte relevante da força de trabalho operando na informalidade.
Essa lacuna, para ele, representa tanto um desafio regulatório quanto uma oportunidade para empresas capazes de estruturar serviços de cuidado domiciliar com qualidade e previsibilidade.
O que esperar do setor nos próximos anos?
A combinação entre envelhecimento populacional acelerado e maior poder de compra da terceira idade deve continuar atraindo capital para o setor de saúde voltado à longevidade nos próximos anos.
Empresas que conseguirem equilibrar sustentabilidade financeira, qualidade assistencial e experiência do consumidor tendem a se destacar nesse processo de expansão.
Wilson Bachega Junior: mercado de saúde voltado à longevidade avança no Brasil
Fonte:
