A Ucrânia quer a paz, mas não vai simplesmente se render à Rússia a qualquer preço, afirmou o presidente Volodymyr Zelensky nesta segunda-feira, em um discurso de tom desafiador para marcar o Dia da Independência ucraniana.
A declaração foi feita enquanto líderes estrangeiros reafirmaram seu apoio ao país.
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Ao lado do primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, e do presidente do Conselho Europeu, António Costa, Zelensky elogiou a resiliência do povo ucraniano durante mais de quatro anos de guerra contra a Rússia.
“A Ucrânia quer absolutamente a paz, mas não está pronta para simplesmente se render”, afirmou Zelensky, alertando que a Rússia não interromperia sua agressão mesmo que Kiev cedesse às exigências de Moscou por mais territórios no leste do país.
Vestindo uma camisa tradicional ucraniana bordada, Zelensky agradeceu a diversos líderes estrangeiros que viajaram a Kiev para demonstrar a continuidade de seu apoio, no 35º aniversário da independência da Ucrânia em relação à União Soviética.
Burnham, que assumiu o cargo no mês passado, disse que a escolha de Kiev como destino de sua primeira viagem ao exterior demonstrava a importância que atribui ao apoio à defesa da Ucrânia.
“Estamos com vocês nesta luta até o fim, de corpo e alma”, afirmou Burnham, prometendo manter o apoio “apesar das ameaças ultrajantes da Rússia contra o meu país”.
O Reino Unido anunciou nesta segunda-feira que permitirá a Kiev acesso a tecnologia sigilosa para iniciar a produção, na Ucrânia, de mísseis de cruzeiro europeus Scalp de longo alcance, capazes de realizar ataques em profundidade no território russo.
Em resposta, o Kremlin afirmou que o uso de tecnologia britânica sigilosa iria “jogar mais lenha na fogueira” da deterioração das relações entre os dois países, depois de Moscou ter advertido Londres na semana passada de que haveria “consequências” pelo fornecimento de drones a Kiev.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, participam de uma reunião da chamada Coalizão dos Dispostos, em meio à guerra na Ucrânia, em Kiev, em 24 de agosto de 2026
REUTERS/Valentyn Ogirenko
Aliados realizarão negociações militares
Burnham copresidiu ainda uma reunião virtual da “Coalizão dos Dispostos” — grupo de países que apoiam a Ucrânia — ao lado do presidente francês, Emmanuel Macron, e do primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz.
Era esperado que os líderes discutissem o pedido da Ucrânia por mais sistemas de defesa aérea para conter os mísseis balísticos russos que vêm atingindo cidades ucranianas.
Zelensky afirmou no sábado que o esforço de guerra ucraniano é dificultado por um déficit de US$ 27 bilhões no financiamento da defesa neste ano.
Ele também alertou que a Rússia poderá intensificar o conflito ainda neste ano, mobilizando cerca de 300 mil soldados adicionais após as eleições parlamentares de setembro.
Ao prestar homenagem ao povo e aos soldados ucranianos que defendem o país na guerra, Zelensky pediu aos aliados que forneçam “tudo” o que for necessário para interromper o conflito.
“Não estamos pedindo que vocês lutem por nós”, afirmou.
Centenas de milhares de pessoas morreram e vastas áreas do território ucraniano foram devastadas desde que a Rússia lançou sua invasão em grande escala, em 24 de fevereiro de 2022.
As negociações de paz lideradas pelos Estados Unidos para tentar alcançar um fim duradouro para a guerra fracassaram no início deste ano, depois que a Ucrânia rejeitou as exigências russas de ceder mais territórios.
Os combates continuam ao longo de uma linha de frente de 1.200 quilômetros, e a Ucrânia conseguiu praticamente interromper o avanço geral das forças russas neste ano.
No céu de Kiev, um esquadrão de drones aéreos fez uma demonstração da tecnologia militar ucraniana, que tem ajudado a conter as forças russas.
Drones navais percorreram o rio Dnipro, enquanto veículos terrestres não tripulados, alguns equipados com metralhadoras pesadas, avançaram em formação por uma das principais avenidas comerciais da cidade.
Ao elogiar os avanços da indústria de defesa ucraniana durante a guerra, Zelensky pediu um aumento da produção de mísseis de cruzeiro para levar o combate à Rússia durante o inverno.
Aproveitando-se da grave escassez de mísseis antibalísticos da Ucrânia, a Rússia intensificou neste verão sua campanha de ataques aéreos contra cidades distantes da linha de frente.
A Ucrânia também ampliou seus ataques de longo alcance contra refinarias e infraestrutura logística russas, com o objetivo de enfraquecer o esforço de guerra de Moscou.
Nesta segunda-feira, ataques ucranianos com drones atingiram quatro centros logísticos pertencentes à Ozon, segunda maior varejista online da Rússia, no sul do país, informou a empresa.
Em um momento solene, o líder ucraniano concedeu condecorações de Estado a soldados mortos, entregando as homenagens a suas mães e outros familiares.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky; o primeiro-ministro Sergii Koretskyi; o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham; o presidente do Conselho Europeu, António Costa; o primeiro-ministro de Luxemburgo, Luc Frieden; o presidente da Finlândia, Alexander Stubb; o presidente da Lituânia, Gitanas Nauseda; o primeiro-ministro da Letônia, Andris Kulbergs; a presidente da Moldávia, Maia Sandu; e a ministra das Relações Exteriores da Suécia, Maria Malmer Stenergard, posam para foto antes de uma reunião da chamada Coalizão dos Dispostos, em meio à guerra na Ucrânia, em Kiev, em 24 de agosto de 2026
REUTERS/Valentyn Ogirenko.
Zelensky também anunciou o retorno de dez militares ucranianos que haviam sido considerados desaparecidos em combate, como parte de uma troca especial de prisioneiros com a Rússia.
“Lembramos de cada um daqueles que continuam em cativeiro”, afirmou Zelensky, prometendo fazer todo o possível para trazê-los de volta.
