A campanha do candidato do Novo à Presidência, Romeu Zema, ainda não descarta a possibilidade de uma aliança partidária para preencher a vaga de vice, mas considera que o mais provável seja disputar com uma chapa puro-sangue.
Segundo aliados, o principal cotado é o senador Eduardo Girão (Novo-CE), que se apresentou como pré-candidato ao governo do Ceará.
Zema, que não teve agendas públicas na segunda-feira (3), vem citando Girão como uma opção interna, mas um acerto ainda dependeria de uma negociação sobre as condições do convite e de uma solução para o palanque no Ceará.
A convenção estadual do Novo, para oficializar a candidatura a governador, foi marcada para esta terça (4).
Procurado, o senador não se manifestou.
Sua assessoria tampouco respondeu.
Em nota na semana passada, diante das especulações, ele disse que sua prioridade continuava sendo o Ceará.
O ex-governador de Minas Gerais tinha tentado atrair como vice o empresário Geraldo Rufino, que é filiado ao Podemos, mas não avançaram as articulações com o partido, que lançou Rufino ao Senado por São Paulo.
Na avaliação da cúpula do Novo, os empecilhos para fechar coligação se devem à prioridade dada por partidos à eleição para cadeiras na Câmara dos Deputados, preferindo adotar a neutralidade na disputa presidencial.
O Novo cogita empurrar a decisão até o limite para o registro das candidaturas na Justiça Eleitoral, no dia 15 de agosto.
O prazo para as convenções termina nesta quarta-feira (5), mas o Novo deixou aprovada em seu encontro, realizado no dia 27, uma autorização para que a direção nacional da sigla aprove mudanças posteriores.
No caso de uma solução interna, sem envolver coligação, a inscrição do vice seria um processo mais simples.
Na declaração feita por Girão, ele não fechou as portas para a hipótese e disse ter ficado feliz com a lembrança de seu nome, mas ponderou que uma escolha envolveria uma decisão partidária que requer responsabilidade.
A ausência de aliança é minimizada por auxiliares de Zema, que comparam seu caso ao de Flávio Bolsonaro, que pode terminar tendo que recorrer a um quadro do PL, e ao de Ronaldo Caiado, que tem como parceiro de chapa o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab.
Além disso, o Novo “não tem muito a oferecer”, como reconhece um de seus representantes, em referência à ausência de tempo na propaganda gratuita de TV e rádio e ao acesso limitado a recursos públicos de campanha.
Diante do diagnóstico de que Zema precisa buscar uma ampliação de sua candidatura para tentar crescer nas pesquisas, a entrada de Girão é vista no entorno do presidenciável como um ativo para dialogar com eleitores do Nordeste, além de segmentos religiosos conservadores, mais próximos do bolsonarismo.
Em pesquisa Genial/Quaest para o governo do Ceará, divulgada na semana passada, o postulante do Novo teve 3% das intenções de voto.
A candidatura de Zema tem encontrado dificuldades para superar a polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, e o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
No levantamento mais recente da Genial/Quaest sobre a corrida presidencial, o mineiro alcançou 3%.
Um dos objetivos do Novo com a campanha de Zema é fortalecer a eleição de deputados federais e atingir a cláusula de barreira, o que não ocorreu em 2022.
Segundo projeção interna, o Novo terá cerca de 1.250 candidatos para os cargos em disputa na eleição deste ano, um aumento de 161% em relação ao pleito de quatro anos atrás.
O partido calcula ser possível eleger mais de dez deputados federais para a próxima legislatura (hoje são cinco) e avançar no Senado, onde tem um representante.
O cientista político Luiz Felipe D’Avila, candidato do Novo à Presidência em 2022, também foi cogitado como vice de Zema.
O ex-presidenciável, que terminou a disputa com 0,47% dos votos válidos, descartou se candidatar novamente.
Ele também está impedido legalmente, porque é comentarista de TV e não saiu do ar antes de 30 de junho, como determina a Justiça Eleitoral.
Zema também expressou a vontade de ter como companheiro o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa, que chegou a ser lançado pré-candidato à Presidência pelo DC.
A ideia não vingou, e Barbosa desistiu de participar do processo eleitoral.
Washington Alves/Valor
