Zema justifica falha no ensino integral em Minas porque crianças eram necessárias em

Zema justifica falha no ensino integral em Minas porque crianças eram necessárias em 'atividade de contraturno'

Fonte: Bandeira da fonte

O candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) justificou a redução das matrículas em escolas de tempo integral em Minas Gerais com pedidos de prefeitos e comunidades para que algumas unidades retornassem ao modelo parcial.
Segundo ele, parte dos alunos não teria se adaptado à jornada ampliada e parentes podem ter afirmando que precisariam das crianças em "atividades de contraturno".
A declaração ocorre em meio à queda de 13% nas matrículas em tempo integral no estado entre 2022 e 2025, segundo dados do Ministério da Educação (MEC).
— Nós implantamos cerca de 800 escolas, talvez algumas não deram certo.
O prefeito, a comunidade pediu: “Os nossos filhos não se adaptaram, nós precisamos deles aqui no contraturno porque ajudam nisso e nisso” — afirmou Zema na sabatina promovida por O GLOBO, CBN e Valor.
A resposta veio após questionamento sobre os dados do MEC, segundo os quais Minas Gerais foi uma das quatro unidades da Federação que registraram redução nas matrículas de tempo integral entre 2022 e 2025.

Zema disse que a avaliação deveria considerar a expansão realizada desde o início de seu governo.
Segundo ele, o estado saiu de cerca de 60 escolas em tempo integral, em 2019, para mais de 800 em março deste ano, quando deixou o governo para disputar a Presidência.
— Eu quero pedir que compare as escolas integrais entre janeiro de 2019 e a data que saí, em março deste ano.
O dado que eu tenho é que saímos de 60 escolas em tempo integral e avançamos para mais de 800.
Ao longo do tempo, multiplicamos por 12 as escolas de tempo integral — afirmou.
Zema reconheceu que algumas unidades podem ter retornado ao ensino parcial por dificuldades de adaptação.
Segundo ele, a expansão foi muito rápida, e prefeitos e comunidades teriam concluído que seria mais adequado manter os estudantes na escola em apenas um dos turnos, já que eles poderiam ser necessários para ajudar os pais.
Ao mesmo tempo, em maio, Zema defendeu a flexibilização das regras para o trabalho infantil e afirmou que a esquerda teria criado a ideia de que “jovem não pode trabalhar”.
Na ocasião, ele citou como exemplo crianças que trabalham entregando jornais nos Estados Unidos.
A fala provocou reação de entidades de defesa dos direitos da criança e do adolescente e levou à abertura de uma investigação pelo Ministério Público do Trabalho para apurar possível apologia ao trabalho infantil.
Durante a sabatina, Zema reiterou que é favorável ao ensino integral, mas afirmou que a expansão precisa considerar a realidade de cada comunidade.
— O salto foi grande e continuamos investindo.
Acreditamos no integral.
Mas quando você dá um salto gigantesco, pode acontecer de algumas escolas não se adaptarem — disse.