Zona Sudoeste, onde acontece o Rock in Rio, tem reforço de policiamento em favelas e barracas do Bope em área conflagrada

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A Zona Sudoeste, região que recebe, a partir desta sexta-feira, o Rock in Rio, vive uma rotina de confrontos em razão da disputa entre facções do tráfico e milícias. Com o aumento da circulação de pessoas pela região e, consequentemente, da passagem por comunidades que convivem com confrontos armados, a Polícia Militar determinou a policiamento ostensivo em áreas consideradas sensíveis, a fim de conter a instabilidade em locais como Muzema, Rio das Pedras, Asa Branca, Vila Sapê e Gardênia. Os policiais também estão monitorando, por meio do trabalho de inteligência, movimentações relacionadas a possíveis ataques ou invasões. A estratégia tem como objetivo identificar riscos e fazer com que as equipes atuem de forma coordenada para prevenir e conter eventuais ações criminosas. Rock in Rio: órgãos apresentam esquema especial para festival, que terá público de 100 mil por dia e muda rotina da cidade Separe a capa de chuva: veja como estará o tempo no primeiro fim de semana do Rock in Rio Em documento interno do 2º Comando de Policiamento de Área (2º CPA) da PM, o comandante da área determina o reforço do policiamento de algumas regiões durante todo o período do festival, até o dia 13 de setembro. Além de determinar a presença de agentes e viaturas nas áreas da Muzema, Asa Branca, Vila Sapê e Gardênia para “garantir a segurança da população e a preservação da Ordem Pública”, ele também determinou o apoio de uma fração do Grupamento de Ações Táticas (GAT) às equipes que atuam na região de Rio das Pedras. A justificativa para o reforço do policiamento ostensivo é, segundo o documento, a “instabilidade em áreas sensíveis”. Em levantamento feito a pedido do O GLOBO, o Fogo Cruzado contabilizou 110 tiroteios na região Sudoeste só nos últimos três meses, de junho a setembro. Nos oito primeiros meses deste ano, a Zona Sudoeste registrou 97 mortos e 80 feridos só em troca de tiros. Neste fim de semana, quatro pessoas morreram e 14 ônibus foram sequestrados após confrontos envolvendo milicianos e traficantes em diferentes pontos de Jacarepaguá e do Itanhangá. O acampamento montado pelo Bope no alto da Muzema Polícia Militar/Divulgação Crescimento de 59% O reforço do policiamento determinado pela PM tem como foco justamente as comunidades que convivem diariamente com confrontos entre traficantes de facções rivais e milicianos, localizadas nas áreas de atuação do 18º BPM e do 31º BPM. A região do primeiro, que inclui Gardênia, Curicica, Jacarepaguá e Cidade de Deus, registrou, entre janeiro e o fim de julho, 149 mortes violentas — número 59% superior ao registrado na mesma área durante o mesmo período do ano passado.

Contra o crime organizado: Estado e União firmam acordos para retomada de territórios no Rio e proteção de vias expressas Já a área do 31º BPM, que abrange Muzema, Itanhangá, Vargens e Recreio dos Bandeirantes, teve 56 mortes violentas nos sete primeiros meses deste ano — foram 53 no mesmo período de 2025. Esses números têm relação direta com as investidas do Comando Vermelho na área, que foram intensificadas há pelo menos quatro anos, quando a cúpula da facção estabeleceu um projeto expansionista com o objetivo de tomar da milícia comunidades da região. A área é considerada estratégica pelo grupo criminoso em razão de sua localização e de seu potencial econômico, diante da perspectiva de crescimento e valorização. O CV já se consolidou em uma parte considerável das favelas da região e tomou comunidades que historicamente eram dominadas pela milícia, como Gardênia Azul, Muzema, vizinha de Rio das Pedras, Morro do Banco e Tijuquinha. A mansão mais cara do Brasil: na área mais privilegiada do Leblon, imóvel com vista para o mar, a lagoa e o Cristo é sucesso de venda Investigadores apontam que a facção sempre teve como um de seus objetivos formar uma espécie de “cinturão” no entorno da Floresta da Tijuca, o que demanda o controle de Rio das Pedras, onde a milícia continua atuando. Para o grupo criminoso, dominar toda a área é estratégico não apenas do ponto de vista financeiro, mas também porque facilitaria fugas em caso de ações policiais ou de confrontos com grupos rivais, permitindo o acesso a outras áreas sob domínio da facção, como a Rocinha, na Zona Sul; o Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, na Região Central; e o Complexo do Lins, na Zona Norte. Três grupos juntos Juntando Jacarepaguá, as Vargens e o Itanhangá, a região conta com a presença das três principais organizações criminosas que atuam no estado: o Comando Vermelho (CV), as milícias e o Terceiro Comando Puro (TCP). Por essa razão, a região foi escolhida para ser o projeto-piloto do plano de retomada de territórios determinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento da “ADPF das Favelas”. O plano ainda precisa ser homologado pelo Supremo Tribunal Federal, o que não tem prazo para acontecer. Só após essa medida a Secretaria de Estado de Segurança Pública poderá colocar em prática as medidas de intervenção na área. Base do Bope Nesta semana, o Batalhão de Operações Especiais (Bope), da Polícia Militar, montou uma base avançada em uma área de mata entre as comunidades da Muzema e de Rio das Pedras, próxima também ao Corredor do Itanhangá — conjunto de vias que margeiam a região. A ação, que não tem prazo definido para terminar, tem como objetivo combater a disputa entre facções por territórios e foi motivada pela escalada dos conflitos na região, sem ter nenhuma relação direta com o plano de retomada da ADPF. Segundo a PM, o acampamento serve como base para o deslocamento dos policiais e vai agilizar o tempo de reação dos agentes. Além disso, a equipe também terá acesso facilitado às trilhas utilizadas pelos grupos criminosos para se deslocar e tentar invadir áreas dominadas por facções rivais.

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