Aliados monitoram desgastes na campanha de Lula com escândalo do INSS, mas minimizam menor vantagem sobre Flávio - QTU Questões do Universo

Aliados monitoram desgastes na campanha de Lula com escândalo do INSS, mas minimizam menor vantagem sobre Flávio

Fonte: Bandeira da fonte

Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva monitoram desgastes na campanha com desdobramentos das investigações do escândalo do INSS, que estão em curso na Polícia Federal, falam que é possível contornar esses efeitos na imagem do petista e minimizam a queda na vantagem sobre Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário do petista nas eleições, registrada em pesquisa Genial/Quaest.

Divulgado nesta quarta-feira, o levantamento mostrou que Lula segue liderando todos os cenários testados no segundo turno das eleições.
Ele aparece com 44% das intenções de voto, contra 39% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), num cenário de oscilação positiva para Flávio — na sondagem anterior, ele perdia por 45% a 37%, embora os dados variem dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

Como o GLOBO mostrou, interlocutores de Lula avaliam que as investigações que miram Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, têm potencial de desgaste maior para a campanha petista do que o repasse feito pela empresária Roberta Luchsinger ao ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.
Por ora, aliados dizem não enxergar uma mudança das pesquisas por conta disso, mas afirmam ser preciso acompanhar de perto para evitar qualquer impacto na campanha petista, já que ainda reconhecem que o tema corrupção tem potencial de desgastar Lula.
Um integrante da cúpula do PT, no entanto, afirma que a eleição será acirrada e que é preciso evitar qualquer erro daqui para frente.
Além disso, aposta em deslizes de Flávio Bolsonaro para aumentar a rejeição do senador.
Dois integrantes da campanha de Lula afirmam enxergar nessa melhora de Flávio na pesquisa o impacto da reconciliação dele com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

A avaliação de aliados de Lula, apesar disso, é que essa é uma oscilação que está dentro da margem de erro e, portanto, não representa uma diferença significativa que levantamento anterior.
Eles ressaltam também que há maior rejeição ao nome de Flávio.
Por outro lado, dizem que é preciso a campanha petista ser mais enérgica e passar a pautar o debate com apresentação de propostas, comparação com as conquistas de Lula 3 e o governo Bolsonaro e, principalmente, discutir temas que têm impacto para a vida da população.
Apesar de a propaganda na televisão hoje ter menos impacto do que tinha em outras eleições, diante do crescimento das redes sociais, esse aliado diz que isso ainda é significativo e poderá ser usado para dialogar com o eleitorado de centro.
Com mais alianças partidárias, Lula terá mais tempo de televisão do que Flávio.

Além de temas do dia a dia, aliados de Lula dizem que ele seguirá apostando no discurso de defesa da soberania brasileira em um momento delicado internacionalmente.
O entorno do petista diz que cada dia que passa fica claro que há uma tentativa do governo Donald Trump, dos Estados Unidos, em interferir no resultado das eleições.
Cada novo desdobramento da crise diplomática entre os dois países deverá ser usado para enfraquecer e atacar Flávio Bolsonaro.

Um dos vice-presidentes do PT, Washington Quaquá diz que é preciso centrar na discussão de pautas que dialoguem com a sociedade “e sair do debate puramente ideológico”.
Ele afirma que diante do cenário de polarização já é esperado que o pleito seja acirrado e, por isso, defende aproximação com o centro, seja nas alianças locais, com consolidação dos palanques, seja com o debate de propostas.

— Ter um discurso baseado na pauta do desenvolvimento com distribuição de renda e riqueza e sair do debate puramente ideológico.
Na pauta concreta da vida do povo, o presidente Lula dá de 10 no Flavio e no Bolsonaro.
Precisa centrar nisso — diz o prefeito de Maricá.

Integrante da campanha lulista, Éden Valadares afirma que a preocupação com o resultado dessa pesquisa e que deve ser monitorada é a “causa” da variação negativa das intenções de voto em Lula.
Ele também reforça que é preciso “voltar a produzir conteúdos” que dialoguem com os interesses da sociedade.

— Uma pista pode estar na nossa capacidade de voltar a produzir conteúdos que pautem o debate na sociedade, como o fim da escala 6x1, a tarifa zero, etc.
A pesquisa sobre o noticiário revela que subiu 4% o número de brasileiros que notaram notícias negativas sobre o Governo, enquanto caiu também 4% quem percebe a veiculação de notícias positivas sobre a administração de Lula.
É preciso mergulhar e estudar, com humildade e a maturidade de quem sabe que as eleições não estão decididas — diz.