Catar e autoridade americana apontam chance de acordo entre EUA e Irã, que quer cobrança de

Catar e autoridade americana apontam chance de acordo entre EUA e Irã, que quer cobrança de 'taxa de serviço' em Ormuz

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A perspectiva de um acordo entre os EUA e o Irã parece ganhar força nesta terça-feira, depois que o Catar informou que uma proposta havia sido elaborada e o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, demonstrou otimismo quanto a um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz — uma via vital para o suprimento de petróleo, gás natural liquefeito e outras commodities, como fertilizantes.
Apesar das declarações, tanto o Catar quanto Bessent alertaram que ainda não há um acordo sólido e que o Irã não sinalizou qualquer progresso em relação a Ormuz.
— Estamos em negociações com os iranianos, e acredito que há chances de chegarmos a um acordo hoje ou amanhã para abrir o estreito — disse Bessent à CNBC nesta terça-feira.
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Perguntado se haveria cobrança de pedágio para o tráfego marítimo, ele acrescentou:
— Acredito que se trataria de liberdade de movimento.
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent
Daniel Heuer/Bloomberg
Os comentários de Bessent surgiram depois que o Ministério das Relações Exteriores do Catar — um dos principais mediadores entre Washington e Teerã — afirmou que uma proposta de resolução para a desescalada estava "circulando entre as partes".
Um porta-voz do Catar afirmou que não poderia fornecer um cronograma para um acordo e que o foco está em encontrar uma solução de curto prazo para evitar um novo confronto, sem deixar claro se o potencial pacto se referia a negociações entre o Irã e Omã para permitir que mais navios navegassem pelo Estreito de Ormuz.
Desde o início do conflito, quase nenhum navio transita pelo local, pelo menos não com os transponders ligados.
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Detalhes da negociação
Citando autoridades iranianas e americanas, o jornal americano New York Times informou que o acordo em negociação entre Irã e Omã poderá ratificar o controle de Teerã sobre o que, antes da guerra, era uma via navegável internacional aberta, preservando para a República Islâmica uma vantagem estratégica que não utilizava antes da guerra.
Conforme descrito por autoridades a par do acordo em gestação, as embarcações que se dirigem ao Golfo Pérsico transitarão por um canal controlado pelo Irã e próximo à sua costa.
Os navios que deixam o Golfo navegarão por um canal próximo a Omã.
Autoridades iranianas afirmam que, embora não haja cobrança de pedágio, o acordo inclui uma "taxa de serviço" para cobrir o impacto ambiental do transporte marítimo, a segurança de navios de carga e petroleiros, e a mão de obra.
As receitas seriam divididas igualmente entre o Irã e Omã, segundo duas autoridades iranianas.

No entanto, uma autoridade dos EUA a par das negociações afirmou, na segunda-feira, que a versão iraniana “não era precisa”, dizendo que quaisquer rotas “temporárias” estabelecidas pelo estreito não envolveriam aprovações ou permissões do Irã, nem a cobrança de pedágios.
O presidente dos EUA, Donald Trump, já reiterou em várias ocasiões que "não haverá cobrança" pelo acesso ao estreito, algo que Teerã estabeleceu como condição fundamental para qualquer acordo.
O país insiste que tem o direito de controlar o tráfego marítimo e de interceptar embarcações que tentem transitar por esse ponto estratégico sem sua permissão.
A postura do Irã ressalta a dificuldade que Trump tem enfrentado para encerrar uma guerra que ele iniciou ao lado de Israel em 28 de fevereiro e que fez os preços da energia dispararem, prejudicando o líder americano e seu Partido Republicano às vésperas das eleições de meio de mandato em novembro.
Para Trump, o acordo — caso se concretize — poderia solucionar seu problema político mais urgente ao permitir a retomada do fluxo de navios.
Por sua vez, autoridades iranianas afirmaram que o estreito permaneceria fechado, independentemente de qualquer acordo, até que os EUA suspendessem o bloqueio naval aos portos iranianos no Golfo Pérsico e ambos os países retomassem o plano de 14 pontos estabelecido no memorando de entendimento de Islamabad, em junho.
Mohsen Rezaee, conselheiro do líder supremo do Irã, declarou à televisão estatal na segunda-feira que "navios de guerra e bases dos EUA correrão sério perigo" se Trump não suspender o bloqueio aos portos iranianos.
Segundo algumas autoridades, os EUA poderiam aliviar ainda mais a pressão sobre o mercado caso decidissem conceder isenções às sanções contra o Irã, permitindo que o país vendesse e entregasse petróleo legalmente.

No entanto, se o Irã acabar mantendo o controle sobre a passagem, essa abertura poderá acarretar um custo geopolítico.
Tais restrições violariam diretamente o objetivo estabelecido pelo secretário de Estado Marco Rubio, que reiterou nos últimos meses que o estreito deve voltar a ser a via navegável aberta que era antes de os Estados Unidos e Israel atacarem o Irã, em 28 de fevereiro.
— Se criarmos no Oriente Médio um precedente no qual um Estado-nação pode decidir controlar uma via navegável internacional, cobrar pedágio e, caso não se pague, explodir os navios, teremos criado um precedente muito perigoso, que se repetirá em outras partes do mundo — disse ele recentemente em uma reunião com autoridades do Sudeste Asiático.
— As regras que sustentaram 150 anos de comércio internacional também estão ameaçadas, e isso não pode ser permitido.
O acordo em gestação faz parte da retomada das negociações que, segundo Trump, o levou a cancelar um novo e amplo ataque ao Irã no fim de semana — provavelmente em conjunto com Israel — que, disse, teriam sido os maiores desde a Segunda Guerra Mundial.
— Quero dar a eles todas as chances possíveis antes da decapitação — disse Trump a repórteres na segunda-feira.
— Vocês vão saber hoje ou amanhã.
Quer dizer, eles vão cair rapidamente, de um jeito ou de outro.
Não é nada muito complexo.
A República Islâmica prometeu retaliar com força contra quaisquer grandes ataques dos EUA e de Israel.
Ao longo do conflito, demonstrou capacidade de causar danos significativos a Estados árabes do Golfo, como Kuwait, Bahrein, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
Trump tem recuado frequentemente de ameaças de lançar ataques em grande escala contra o Irã.
Se ele optar por isso desta vez, é provável que os preços do petróleo subam ainda mais.
Urânio enriquecido
O acordo concede ao Irã e a Omã um prazo de 60 dias para negociar a abertura do estreito, mas prevê que, nesse período, os Estados Unidos e o Irã retomem as discussões sobre o futuro do estoque iraniano de 11 toneladas de urânio enriquecido, incluindo cerca de meia tonelada de combustível que já se encontra em nível próximo ao de grau militar (para armas nucleares).
Um plano assinado em meados de junho pelo vice-presidente JD Vance e, separadamente, por Trump, levou ambos a declararem com entusiasmo que um acordo nuclear seria negociado em 60 dias.
No entanto, esse prazo expira em duas semanas, e autoridades agora admitem que quaisquer negociações — caso cheguem a começar — se estenderão.
Em conversas reservadas, algumas autoridades duvidam que haverá um acordo nuclear e acreditam que o Trump poderá simplesmente declarar, como já sugeriu no passado, que os estoques do Irã devem permanecer soterrados sob os escombros resultantes de um ataque aéreo a três instalações nucleares em junho de 2025.
Ali Vaez, vice-diretor do programa para o Oriente Médio do International Crisis Group, afirmou que o Irã está decidido a manter sua influência sobre o Estreito de Ormuz, pois o considera sua única conquista da guerra, e que o acordo com Omã deixará o país em uma posição melhor do que a que ocupava antes da atual onda de confrontos.
— Qualquer solução que deixe o Irã no controle do estreito será muito difícil de vender para Trump, mas também não existe solução militar para retirar o controle do estreito das mãos do Irã — disse Vaez.
— As opções de Trump resumem-se a uma guerra impossível de vencer ou a uma paz indigesta.
Com Bloomberg e New York Times