Celebridades nas redes sociais, aranhas-saltadoras de estimação viram febre nos Estados Unidos - QTU Questões do Universo

Celebridades nas redes sociais, aranhas-saltadoras de estimação viram febre nos Estados Unidos

Fonte: Bandeira da fonte

Para muita gente, a casa de Lauren Taylor, em Reno, no estado de Nevada, parece saída de um pesadelo.
Ela tem cerca de 2.000 aranhas vivendo dentro de casa, número que aumenta a cada dia à medida que fêmeas grávidas depositam bolsas de ovos com dezenas de novos filhotes.
Mas essa infestação é totalmente intencional.
Taylor, designer gráfica de 35 anos, cria, reproduz e vende aranhas-saltadoras de estimação, que rapidamente se tornaram as favoritas da internet: pequenas, peludas e protagonistas de vídeos virais que registram suas travessuras.
Por meio de sua empresa, Spider Stuff, Taylor já vendeu cerca de 600 aranhas neste ano, acompanhando a explosão da demanda por aranhas-saltadoras como animais de estimação.
Ela as cria em "condomínios de aranhas", estruturas projetadas por ela mesma, com compartimentos individuais para evitar o canibalismo.
Também mantém 31 aranhas como pets, entre elas Harry, uma aranha-saltadora arborícola de 1 ano, aventureira, com presas verde-escuras e manchas turquesa iridescentes no abdômen.
Durante uma recente chamada de vídeo, Harry, menor que a unha do polegar de Taylor, caminhou por sua mão, saltou entre seus dedos, bateu as patas dianteiras e depois se acomodou para se limpar.
"Criar um vínculo com uma aranha é algo que você nunca imaginaria ser possível até acontecer", disse Taylor, que cobra entre US$ 60 e US$ 100 por uma aranha-saltadora, dependendo da espécie.
As aranhas-saltadoras — um grupo comum encontrado em todos os continentes, exceto a Antártida, e que reúne pelo menos 6 mil espécies — tornaram-se as menores e mais improváveis celebridades das redes sociais.
Sua popularidade como animais de estimação foi impulsionada justamente pelo sucesso online, onde aparecem em closes apoiadas sobre unhas perfeitamente feitas, encarando a câmera com seus oito pequenos e penetrantes olhos negros.
Essas estrelas aracnídeas das redes sociais recebem nomes fofos como Bambi, Ivy, Juniper, Pumpkin e Flower.
Também fazem coisas adoráveis: inclinam a cabeça de lado com curiosidade, dormem enroladas em pequenas redes de seda, levantam as patas dianteiras acima da cabeça como se estivessem chamando um táxi, passeiam por miniaturas de padarias e supermercados e assistem a pequenas TVs de brinquedo enquanto devoram vermes vivos.
Seus fãs as chamam de spooders, spoods e web puppies ("filhotes da teia").
Alguns desses apaixonados por aranhas já tiveram medo dos animais com os quais hoje convivem afetuosamente.
"Eu morria de medo delas", contou Olivia Ontkean, de 34 anos, professora de dança em Portland, no Oregon, que ficou "completamente viciada" em aranhas depois de superar sua fobia.
Hoje ela tem cerca de 250 aranhas adultas em casa, além de incontáveis filhotes, vendidos por meio de sua empresa, Dances With Spoods.
Outra convertida, Joleen Hernandez, de 39 anos, mãe de cinco filhos e dona de casa em Oakley, na Califórnia, disse que as redes sociais mudaram sua percepção das aranhas como criaturas assustadoras e nojentas, inspirando-a a criar suas próprias aranhas-saltadoras.
"Meus amigos e familiares acharam que eu tinha enlouquecido", disse ela.
As reações mais comuns eram "por quê?" e "eca".
As aranhas, por muito tempo vistas como criaturas assustadoras ou repulsivas, passaram por uma impressionante transformação de imagem.
Segundo seus admiradores, isso acontece, em parte, porque elas rendem um excelente conteúdo para as redes sociais.
Em uma época em que boa parte do conteúdo online parece repetitivo, guiado por tendências ou patrocinado por marcas, o fenômeno das spooders oferece algo diferente: um pequeno amigo peludo caminhando sobre unhas decoradas com pedras brilhantes, uma aranha do tamanho de um grão de café fazendo "uppies" (erguendo as patas dianteiras como uma criança pedindo colo) antes de saltar para a mão de uma pessoa.
Essas interações afetuosas entre humanos e aranhas dão ao público a oportunidade de rever antigas ideias sobre quais criaturas merecem nosso carinho — e acabam mudando a percepção de muita gente.
Os entusiastas afirmam que as aranhas-saltadoras são as embaixadoras perfeitas dos aracnídeos: pequenas, curiosas, observadoras e frequentemente capazes de se adaptar ao contato humano.
"As pessoas estão descobrindo como esses animais são inteligentes e encantadores", disse Nathan Morehouse, ecólogo e professor associado da Universidade de Cincinnati que estuda aranhas-saltadoras.
"Quando você convive com uma delas como animal de estimação, rapidamente percebe que ela presta muita atenção em você."
Segundo ele, as aranhas-saltadoras são solitárias.
Embora possam morder, isso raramente acontece, a menos que se sintam ameaçadas, e seu veneno é inofensivo para os seres humanos.
Nem todos, porém, aprovam essa nova tendência.
Defensores dos direitos dos animais criticam o fato de as pessoas alimentarem sua aracnofilia mantendo aranhas como pets.
Alguns argumentam que a busca incessante por novidades nas redes sociais não deveria transformar invertebrados de oito patas em artistas de um espetáculo.
Em um artigo publicado no ano passado, a organização People for the Ethical Treatment of Animals (PETA) classificou a febre das aranhas-saltadoras como uma "moda cruel das redes sociais" e afirmou que elas não deveriam ser tratadas como "adereços".
Em um ponto, donos de aranhas e seus críticos concordam: as aranhas merecem mais consideração.
"Quando você conhece uma aranha-saltadora e percebe que ela é fofa e inofensiva, começa a entender que praticamente todas as aranhas são assim.
Nenhuma está tentando atacar você", disse Kelly Bannister, de 37 anos, enfermeira especializada em cuidados paliativos que vive em Bonney Lake, no estado de Washington.
Ela se apaixonou por aranhas há alguns anos, depois de assistir a um vídeo de uma aranha-saltadora explorando uma casinha em miniatura.
Hoje possui pelo menos 90 delas e está abrindo uma loja em um galpão reformado em sua propriedade para vender aranhas por meio da empresa Web Puppy Lodge.
À medida que a procura por aranhas-saltadoras cresceu — e insetos e outros invertebrados se tornaram animais de estimação cada vez mais populares — grandes redes varejistas passaram a vender esses animais, provocando descontentamento entre pequenos criadores independentes.
No ano passado, depois que as redes Petco e PetSmart começaram a comercializar aranhas-saltadoras, mais de 2 mil pessoas assinaram uma petição pedindo que elas interrompessem as vendas.
A Petco não respondeu aos pedidos de comentário.
Já um porta-voz da PetSmart afirmou que a empresa mantém "rigorosos padrões de bem-estar animal, seleção de fornecedores e conformidade", além de seguir "normas abrangentes para os cuidados, saúde e bem-estar dos animais enquanto permanecem nas lojas".
As vendas têm sido fortes.
A PetSmart, que também passou a vender piolhos-de-cobra-gigantes-africanos e besouros conhecidos por fingirem-se de mortos, já comercializou dezenas de milhares de aranhas-saltadoras desde que elas chegaram às lojas, em agosto do ano passado.
É claro que existem desvantagens em criar aranhas-saltadoras como animais de estimação.
Elas são caçadoras e precisam de presas vivas, como larvas de tenébrio, moscas-das-frutas e grilos.
Normalmente vivem apenas entre um e três anos.
Podem escapar dos terrários e desaparecer.
Ou, sem querer, você pode comprar uma fêmea grávida e acabar com centenas de filhotes.
Por outro lado, uma ninhada de pequenas aranhas pode valer ouro na internet.
Há alguns anos, Tiana Gayton, que trabalha em uma organização sem fins lucrativos em Los Angeles, teve uma surpresa quando duas de suas aranhas-saltadoras, Opal e Jade, chegaram grávidas.
Aos 38 anos, ela acabou com cerca de 600 filhotes.
Não planejava "virar avó de aranhas", mas abraçou o papel, criando e depois vendendo os animais.
Gayton, conhecida nas redes sociais como Tiana the Bug Lady, onde reúne mais de 3 milhões de seguidores, criou um grupo no Facebook para que outros "pais de aranhas" compartilhassem fotos e tirassem dúvidas.
O grupo cresceu, passou a reunir admiradores de aranhas-saltadoras em geral e hoje conta com mais de 15 mil integrantes.
Um vídeo no TikTok mostrando Opal "colocando seus filhotes para dormir" dentro do saco de ovos de seda ultrapassou 2,4 milhões de visualizações.
Um dos comentários veio de alguém que sempre teve aversão a aranhas, mas abriu uma exceção para Opal: "Eu odeio aranhas, menos a Opal.
Ela pode ficar."