Um dos principais céticos e críticos da vacinação, o secretário de Saúde dos Estados Unidos, Robert F.
Kennedy Jr., disse os pais americanos que eles devem vacinar seus filhos contra o sarampo em meio a um surto no país com o piores indicadores desde 1991.
Kennedy passou anos disseminando informações mentirosas sobre vacinas, incluindo a vacina contra sarampo, caxumba e rubéola, fez sua declaração durante uma entrevista à CNN.
A incidência de sarampo ultrapassou um marco importante: os EUA registraram oficialmente 2.371 infecções confirmadas este ano, superando o total de 2.289 casos em 2025.
Os últimos dois anos registraram mais infecções por sarampo nos EUA do que todo o resto do século XXI.
A última vez que um número tão grande de casos de sarampo foi registrado em um único ano foi em 1991.
A declaração de Kennedy foi extraída dele por Dana Bash, apresentadora da CNN, que o convidou a usar sua influência para falar diretamente com os pais com a aproximação do novo ano letivo.
Ela o incentivou a dizer às famílias que deveriam vacinar seus filhos contra o sarampo, 'porque é seguro e ajudará a salvar a vida de seus filhos'.
'Os pais devem vacinar seus filhos contra o sarampo.
A vacina contra o sarampo é eficaz e previne a doença em cerca de 97% dos casos.
As pessoas devem se vacinar'.
Mais tarde na entrevista, ele acrescentou que as pessoas também deveriam tomar a vacina combinada contra sarampo, caxumba e rubéola, a principal proteção contra a doença que tem sido um alvo específico do movimento antivacina.
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos
Divulgação/Casa Branca
O apelo do secretário de saúde para que os pais vacinem seus filhos contra o sarampo contrasta fortemente com os muitos anos em que Kennedy tem sido um dos principais defensores da desinformação, questionando a eficácia e a segurança das vacinas.
Os novos surtos de sarampo já registrados este ano colocam os EUA em risco de perder o status de país livre da doença, que mantêm desde 2000.
Questionado se assumia alguma responsabilidade pelo aumento de casos de sarampo, ele respondeu: 'Absolutamente não'.
Mesmo desde que se tornou a principal autoridade de saúde do país, ele descreveu a vacinação contra o sarampo como uma escolha pessoal e afirmou, incorretamente, que o poder da vacina está diminuindo.
Ele prosseguiu atribuindo os surtos às comunidades religiosas que rejeitam as vacinas e às condições globais de saúde.
Andy Kim, senador democrata dos EUA por Nova Jersey, interpretou os comentários de Kennedy como uma demonstração de que ele e Donald Trump não tinham planos para se preparar para uma possível próxima pandemia.
'A única coisa para a qual eles têm um plano é tentar distrair você do fato de que tiraram o acesso à saúde de milhões de pessoas', disse Kim .
Kennedy aproveitou a conversa com a CNN para disseminar ainda mais informações mentirosas sobre outros aspectos da saúde pública.
Ele afirmou que tanto o vírus sincicial respiratório, uma das principais causas de mortalidade infantil, quanto a doença de Lyme foram causados pela manipulação de germes em laboratórios.
A sugestão foi contradita por décadas de evidências científicas que indicam que ambos têm origens naturais.
O VSR foi identificado inicialmente na década de 1950, duas décadas antes do início de experimentos desse tipo, conhecidos como pesquisas de 'ganho de função'.
Durante a entrevista, Kennedy repetiu alegações infundadas de que havia uma ligação entre o uso de Tylenol durante a gravidez e o autismo, e lançou dúvidas sobre a eficácia das vacinas para proteger as crianças contra a Covid-19.
