O ex-ministro da Fazenda e candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, disse confiar no trabalho da Polícia Federal (PF), o que não significa dizer que todos dentro da corporação agem corretamente.
A declaração foi feita na sabatina realizada pelo portal UOL e a Folha de São Paulo nesta segunda-feira, 24.
Haddad havia sido questionado sobre a avaliação do advogado de Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, de que a PF estaria fazendo vazamentos seletivos com fins eleitorais.
"Penso que o Marco Aurélio advogado de Lulinha, que também é o coordenador da campanha de Lula em São Paulo se referia a uma questão muito específica: você não pode, para combater o crime, cometer crime.
O vazamento de um inquérito sob sigilo é crime.
Tanto é que o ministro do Supremo André Mendonça, com razão, mandou abrir um inquérito sobre o vazamento criminoso", afirmou Haddad, dizendo que esse tipo de prática pode, inclusive, anular condenações que de fato deveriam ser feitas.
"E faz muito bem o ministro de continuar apurando as atividades de quem quer que seja, inclusive do filho do presidente", acrescentou.
Em seguida, o petista disse que o presidente Lula tem reforçado que não irá fazer qualquer interferência na Polícia Federal visando ajudar ou prejudicar alguém, o que, segundo Haddad, o diferencia do que o ex-presidente Jair Bolsonaro fazia.
"Essa é a diferença de dois chefes de Estado.
Um fez tudo que podia para proteger o filho e o outro não faz nada nem para prejudicar nem para ajudar.
Essa é distinção.
Se a imprensa não for capaz de reconhecer isso, nós estamos em dificuldades", criticou.
Na avaliação de Haddad, é "ingenuidade" acreditar que a polarização política que tomou conta do País não tenha, também, contaminado instituições, como a própria PF.
Ele reiterou, porém, que confia na Polícia Federal.
"Confiar numa instituição não significa dizer que todos os membros daquela instituição estão agindo corretamente."
