O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, e o presidente francês, Emmanuel Macron, prometeram ampliar o apoio militar à Ucrânia durante uma reunião de aliados em Kiev, em meio às comemorações do Dia da Independência do país.
As novas medidas incluem o acesso dos ucranianos à tecnologia militar sigilosa e a aceleração das entregas de mísseis de defesa aérea.
Leia também:
Zelensky diz que Ucrânia quer paz, mas descarta rendição à Rússia a qualquer preço
Kremlin diz que ajuda britânica com mísseis à Ucrânia ‘joga lenha na fogueira’
Putin afirma que Ucrânia abriu ‘caixa de Pandora’ com ataques a alvos econômicos
Em sua primeira viagem ao exterior desde que assumiu o cargo no mês passado, Burnham pediu aos integrantes da “Coalizão dos Dispostos” em Kiev que façam “tudo o que pudermos” para reforçar as defesas da Ucrânia contra os ataques aéreos russos.
O presidente Volodymyr Zelensky havia elogiado mais cedo a resiliência do povo ucraniano durante mais de quatro anos de guerra.
“A Ucrânia quer absolutamente a paz, mas não está pronta para simplesmente se render”, disse Zelensky, acrescentando que a Rússia não interromperia sua agressão mesmo que a Ucrânia cedesse às exigências de Moscou por mais territórios no leste do país.
Vestindo uma camisa tradicional ucraniana bordada, Zelensky agradeceu aos líderes estrangeiros que viajaram a Kiev para demonstrar apoio no 35º aniversário da independência da Ucrânia em relação à União Soviética.
Ao lado de Zelensky e do presidente do Conselho Europeu, António Costa, Burnham afirmou que a escolha de Kiev como destino de sua primeira viagem ao exterior demonstrava a importância que atribui ao apoio à defesa da Ucrânia.
“Estamos com vocês nesta luta até o fim, de corpo e alma”, disse Burnham, prometendo manter o apoio “apesar das ameaças ultrajantes da Rússia contra o meu país”.
“Este é o momento de manter a pressão sobre a Rússia.
O momento de restringir sua capacidade de financiar esta guerra ilegal”, acrescentou o premiê britânico, defendendo novas sanções econômicas.
O Reino Unido anunciou nesta segunda-feira que permitirá a Kiev acesso a tecnologia sigilosa para iniciar sua própria produção de mísseis de cruzeiro Storm Shadow de longo alcance, capazes de realizar ataques em profundidade no território russo.
A França já deu seu aval ao licenciamento da tecnologia para o míssil europeu.
Em resposta, o Kremlin afirmou que o uso de tecnologia britânica sigilosa iria “jogar mais lenha na fogueira” da deterioração das relações entre os dois países, depois de ter advertido Londres na semana passada de que haveria “consequências” pelo fornecimento de drones a Kiev.
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, deposita um buquê de rosas vermelhas no Muro da Memória, na Praça Mykhailivska (Praça de São Miguel), na parte antiga de Kiev, em 24 de agosto de 2026
Henry Nicholls/Pool Photo via AP
Ucrânia precisa de mais interceptadores, diz presidente
Com a Rússia intensificando os ataques com mísseis balísticos contra cidades ucranianas, Kiev enfrenta uma grave escassez de interceptadores do sistema de defesa aérea Patriot, de fabricação americana — a única arma de seu arsenal capaz de derrubar esses mísseis.
Zelensky afirmou que a Ucrânia precisa de pelo menos 300 interceptadores para atravessar o inverno e pediu aos aliados que entreguem um pacote de defesa aérea antes que a Rússia retome os ataques contra a infraestrutura energética do país.
O presidente francês, Emmanuel Macron, que copresidiu por videoconferência a reunião da coalizão, afirmou que uma série de ataques letais contra cidades ucranianas nas últimas semanas demonstrou que os aliados precisam acelerar as entregas de interceptadores e disse que a França fará sua parte.
“Acho muito importante que todos nós aceleremos as entregas”, disse Macron durante a reunião, pedindo aos países que não recuem diante das intimidações russas.
“Para mim, a conclusão é muito clara: mantenham a calma e sigam em frente.”
Zelensky disse aos participantes que o esforço de guerra da Ucrânia é dificultado por um déficit de US$ 27 bilhões no financiamento da defesa neste ano e pediu apoio financeiro adicional.
Ele sugeriu que os ativos russos congelados no exterior poderiam ser utilizados para cobrir o déficit.
Ao prestar homenagem ao povo e aos soldados ucranianos que defendem o país na guerra, Zelensky pediu aos aliados que forneçam “tudo” o que for necessário para interromper o conflito.
“Não estamos pedindo que vocês lutem por nós”, afirmou.
Militares da Unidade de Sistemas Não Tripulados do Batalhão Especial de Polícia de Fuzileiros se protegem de um drone de combate russo, em meio à guerra na Ucrânia, na cidade de Druzhkivka, na linha de frente, na região de Donetsk, em 24 de agosto de 2026
REUTERS/Stringer
Demonstração de drones
Centenas de milhares de pessoas morreram e vastas áreas do território ucraniano foram devastadas desde que a Rússia lançou sua invasão em grande escala, em 24 de fevereiro de 2022.
As negociações de paz lideradas pelos Estados Unidos para tentar alcançar um fim duradouro para a guerra fracassaram no início deste ano, depois que a Ucrânia rejeitou as exigências russas de ceder mais territórios.
Os combates continuam ao longo de uma linha de frente de 1.200 quilômetros, e a Ucrânia conseguiu praticamente interromper o avanço geral das forças russas neste ano.
No céu de Kiev, um esquadrão de drones aéreos fez uma demonstração da tecnologia militar ucraniana, que tem ajudado a conter as forças russas.
Drones navais percorreram o rio Dnipro, enquanto veículos terrestres não tripulados — alguns equipados com metralhadoras pesadas — avançaram em formação por uma das principais avenidas históricas da cidade.
A Ucrânia intensificou seus ataques de longo alcance contra refinarias e infraestrutura logística russas, com o objetivo de enfraquecer o esforço de guerra de Moscou.
Nesta segunda-feira, ataques ucranianos com drones atingiram quatro centros logísticos pertencentes à Ozon, segunda maior varejista online da Rússia, no sul do país, informou a empresa.
Em um momento solene, o líder ucraniano concedeu condecorações de Estado a soldados mortos, entregando as homenagens a suas mães e outros familiares.
Zelensky também anunciou o retorno de dez militares ucranianos que haviam sido considerados desaparecidos em combate, como parte de uma troca especial de prisioneiros com a Rússia.
“Lembramos de cada um daqueles que continuam em cativeiro”, afirmou Zelensky, prometendo fazer todo o possível para trazê-los de volta.
Da esquerda, o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham; o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky; e o primeiro-ministro ucraniano, Sergiy Koretsky, reagem enquanto ouvem o presidente da França, Emmanuel Macron, falar por videoconferência durante uma reunião da Coalizão dos Dispostos, em Kiev, Ucrânia, em 24 de agosto de 2026
Henry Nicholls/Pool Photo via AP
