O afegão Esmatullah Mohsini, de 22 anos, chegou ao Brasil em 2022, sem conhecer ninguém.
Antes disso, ele, começou a trabalhar aos 7 anos no seu país natal e foi morar no Irã aos 14, numa fábrica de bolsas.
Ao se estabelecer no Brasil, lançou uma marca de mochilas de material reciclado.
Amanhã, vai compartilhar sua história no Rio Innovation Week, às 14h.
A mediação será de Dani Suzuki, apoiadora da ACNUr, Agência da ONU para Refugiados.
Conte um pouco da sua história com suas próprias palavras.
Comecei a trabalhar aos 7 anos.
Aos 11 anos, comecei a trabalhar oficialmente como costureiro.
Quando completei 14, o Afeganistão estava em guerra e fui para o Irã.
Meu irmão mais velho já estava lá trabalhando numa fábrica de bolsas e conseguiu uma vaga para mim.
Foram quatro anos de muito sofrimento.
Em 2021, um primo me avisou que o Brasil estava liberando vistos para afegãos.
Cheguei ao Brasil sozinho pensando que teria acolhimento.
Fiquei perdido no Aeroporto de Guarulhos sem saber o que fazer: não falava inglês nem sabia ler e escrever na minha língua.
Por sorte, uma senhora afegã perguntou se eu precisava de ajuda e me levou onde estavam mais de 300 afegãos.
Morei no aeroporto de Guarulhos quase três meses.
Na noite de Natal, conheci meus pais brasileiros Sheila e Charles, que faziam trabalho voluntário.
Ficamos conversando por aplicativo e, em janeiro de 2023, eles me chamaram para passar um final de semana na casa deles.
Hoje é também a minha casa.
Qual foi a inspiração da criação da marca?
Por seis meses, eu só estudei, mas a necessidade de trabalho começou a crescer devido à necessidade financeira da minha família no Afeganistão.
Minha mãe brasileira me alfabetizou e ganhei deles uma máquina de costura.
Foi quando criamos a Esmat Wear no universo digital.
Quais são os materiais utilizados?
Lona de algodão sustentável, lona de caminhão e tecidos reciclados.
Quem é seu público?
Meu público é bem aberto.
Participo de feiras e festivais culturais e encontro crianças, jovens, idosos, comunidade LGBT.
Tenho loja na Rua Agusta, em São Paulo e na Riviera de São Lourenço.
São pessoas que gostam de produtos autorais e artesanais.
