Consumidor tem alívio em julho, mas hortaliças acumulam alta de até 87% em 12 meses em Belém - QTU Questões do Universo

Consumidor tem alívio em julho, mas hortaliças acumulam alta de até 87% em 12 meses em Belém

Fonte: Bandeira da fonte

Fazer a feira ficou um pouco menos pesado para os moradores de Belém no último mês.
Após seguidas altas que pressionaram o orçamento das famílias, a maioria das verduras e legumes apresentou recuo nos valores comercializados nos supermercados e mercados municipais da cidade em julho deste ano.
No entanto, a baixa imediata nas bancas não é suficiente para reverter a forte inflação que os alimentos básicos sofreram.
No recorte dos últimos 12 meses, ingredientes indispensáveis na panela do paraense encareceram acima dos 80%.
Os dados foram divulgados nesta quarta (5) pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos no Pará (Dieese/PA).

Safras de inverno barateiam itens de consumo diário

A redução sentida nos caixas de supermercados e nas feiras livres em julho é reflexo direto da entrada das safras de inverno e da melhora das condições climáticas, o que ajudou a regularizar a oferta dos alimentos.
Entre as maiores quedas registradas no mês passado, destacam-se a cenoura (-5,23%), a macaxeira (-5,05%), o repolho (-4,87%) e a couve (-4,70%).
Itens bastante presentes no dia a dia regional também ficaram um pouco mais acessíveis na variação mensal, como o pimentão verde (-3,68%), o cheiro verde (-2,68%) e o jambu (-0,48%).  

Apesar da tendência geral de baixa mensal, uma minoria de produtos seguiu o caminho inverso.
A cebola teve o reajuste mais expressivo de julho, ficando 5,78% mais cara, acompanhada pela alfavaca (1,96%) e pelo feijão verde (1,71%).  

Carestia acumulada de 66% no ano e até 87% em 12 meses

Quando se observa o cenário a longo prazo, o susto do consumidor se justifica.
Apenas no acumulado deste ano, de janeiro a julho de 2026, os reajustes dos hortifrutigranjeiros superaram com muita margem a inflação geral estimada de 3,50% para o período.
Nesses sete meses, a cenoura saltou 66,34% e a cebola aumentou 65,79%.
A batata também pesou com 50% de encarecimento.  

Ao ampliar a análise para o período de um ano (julho de 2025 a julho de 2026), a disparada é ainda mais severa, ultrapassando os 4,60% de inflação calculada para a data.
Em 12 meses, a cenoura lidera o ranking de aumentos com 87,14%.
Na sequência, aparecem a beterraba (75,51%), cebola (63,82%), batata (62,22%) e o repolho (59,53%).  

O comportamento nas alturas tem raízes no primeiro semestre de 2026, quando as chuvas intensas prejudicaram a produção agrícola e atrasaram colheitas.
A situação agrava-se pela dependência histórica que o Pará possui do abastecimento de outros estados.
Oscilações na produção nacional e nos custos logísticos de transporte de itens como cenoura, cebola, batata e beterraba são rapidamente repassadas aos preços locais. 

"A pesquisa de preços continua sendo uma das principais estratégias para reduzir os gastos com alimentação.
Um mesmo produto pode apresentar diferenças significativas de preços entre supermercados, feiras livres e mercados municipais", orienta Everson Costa, supervisor técnico do Dieese/PA.   

Principais variações no preço das hortaliças em Belém

Recuos em julho de 2026: cenoura (-5,23%), macaxeira (-5,05%), repolho (-4,87%) e couve (-4,70%)
Alta no ano (jan a jul/2026): cenoura (+66,34%), cebola (+65,79%) e batata (+50,00%)
Alta em 12 meses (jul/2025 a jul/2026): cenoura (+87,14%), beterraba (+75,51%) e cebola (+63,82%)

Fonte: Dieese/PA