eleicoA ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não participou nesta quarta-feira do anúncio do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, em Brasília.
Segundo a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), aliados tentaram levar Michelle à coletiva, mas ela preferiu permanecer em casa com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
— Michelle não veio porque está fazendo comida para o marido.
Tentamos trazer ela — afirmou Damares.
Michelle vinha participando das discussões políticas do PL e teve influência, inclusive, no debate sobre a composição da chapa presidencial.
Sua ausência ocorre, porém, depois de Flávio e a ex-primeira-dama terem feito movimentos públicos para superar um embate que expôs divisões na família Bolsonaro e provocou uma das principais crises da pré-campanha do senador.
Nesta quarta, Damares afirmou que a reaproximação segue em curso.
— A reconciliação com Flávio está indo bem — disse.
A crise entre os dois veio a público no fim de junho, depois de divergências sobre a montagem do palanque do PL no Ceará.
Michelle se opunha à aliança construída pela cúpula partidária com Ciro Gomes (PSDB) para a disputa pelo governo e defendia a então vereadora Priscila Costa (PL) como candidata ao Senado.
Flávio e dirigentes nacionais do PL, por outro lado, bancaram o acordo com Ciro, que retirou Priscila da composição para o Senado.
Michelle reagiu com vídeos nas redes sociais nos quais acusou o enteado de desrespeitá-la e minimizar sua importância política.
O embate abriu uma crise que se arrastou pelas semanas seguintes e exigiu a intervenção de dirigentes do PL.
Os dois passaram, então, a dar demonstrações públicas de distensão.
No fim de julho, divulgaram vídeos sinalizando uma reconciliação, movimento que integrantes da campanha consideraram necessário para encerrar um desgaste justamente num segmento em que Flávio enfrenta dificuldades eleitorais: o público feminino.
Mulheres e a escolha do vice
Michelle também esteve indiretamente no centro das discussões sobre a vice.
Durante boa parte da pré-campanha, Flávio dizia preferir uma mulher como companheira de chapa, tanto para tentar reduzir sua resistência entre eleitoras quanto para buscar uma composição com outro partido.
Tereza Cristina (PP-MS) foi a principal aposta, mas não recebeu autorização do PP para aceitar a vaga.
Depois, a campanha investiu na ex-presidente da Caixa Daniella Marques, aliada de Michelle e recém-filiada ao Republicanos, mas a legenda decidiu não integrar a coligação de Flávio.
Já na reta final, Priscila Costa voltou a ser considerada.
Aliada próxima de Michelle e personagem da crise que havia separado a ex-primeira-dama de Flávio, a deputada chegou a ser sondada para integrar a chapa.
A possibilidade, no entanto, também esbarrou nas consequências de abandonar um projeto político próprio para assumir a candidatura a vice.
Damares afirmou nesta quarta-feira que esse fator pesou nas discussões sobre os nomes femininos.
Segundo ela, retirar mulheres que já estavam envolvidas em suas próprias campanhas poderia passar uma mensagem contraditória ao eleitorado.
— Trazer mulheres que estão no meio da campanha seria uma forma de dizer para o eleitor esquecer tudo que elas falaram.
Um homem é diferente.
O Gaspar queria servir o Brasil, podia ser senador, governador — disse.
No caso de Priscila, Damares afirmou que a própria deputada ponderou também os impactos pessoais da decisão.
— Priscila não seria fácil, com quatro mulheres.
Ela também ponderou: “Sou mãe antes de ser candidata”.
Com a escolha de Gaspar, Flávio abandonou a preferência manifestada durante meses por uma chapa com uma mulher.
Damares minimizou o simbolismo da decisão e afirmou que pretende cobrar do candidato, caso seja eleito, espaço feminino em postos de maior poder.
— Uma vice só por simbolismo não me interessa.
Agora me interessa quantas mulheres Flávio vai indicar como ministras, para o STF — afirmou.
