Arqueólogos israelenses encontraram restos de vigas de madeira carbonizadas durante uma escavação em Jerusalém.
Com cerca de 2.600 anos, o material pode ter pertencido a um edifício do período do Templo de Salomão, também conhecido como Primeiro Templo.
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A descoberta, feita sob um estacionamento, foi anunciada agora no fim de julho pela Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA).
Segundo Efrat Bocher, diretor da escavação, as vigas parecem ter servido de cobertura para um pátio interno de um edifício construído durante o período do Primeiro Templo:
“Durante a destruição, elas desabaram no chão.
Acreditamos que o revestimento de gesso das paredes do edifício, derretido pelo fogo, cobriu as vigas de madeira carbonizadas e, em última análise, possibilitou sua preservação excepcional”.
O Templo de Salomão teria sido destruído durante o cerco de Jerusalém promovido pelo rei babilônico Nabucodonosor II, por volta de 587 a.C.
Segundo o Livro dos Reis, parte da Bíblia Hebraica, Salomão teria mandado construir o templo em Jerusalém.
Em um santuário interno, o rei bíblico teria colocado a lendária Arca da Aliança.
Imagens mostram restos das vigas queimadas durante Cerco de Nabucodonosor II
Reut Vilf, City of Davi
A Autoridade de Antiguidades de Israel atribui a conservação das madeiras ao material derretido durante o incêndio: “O que provavelmente preservou as vigas por aproximadamente 2.600 anos foi o gesso derretido das paredes do edifício, selando a madeira queimada por baixo”.
Segundo Johanna Regev, pesquisadora da Autoridade de Antiguidades de Israel e do Instituto Weizmann de Ciências, é raro encontrar madeiras antigas com uma quantidade tão elevada de anéis de crescimento: “Até recentemente, conseguíamos datar achados dessa época com uma margem de erro de centenas de anos.
Agora, à medida que separamos e coletamos os anéis um a um em campo, podemos obter uma precisão muito maior, potencialmente reduzindo a margem de erro para apenas dez anos.”.
Para os diretores da escavação, os habitantes que retornaram a Jerusalém após o fim do exílio provavelmente “tomaram a decisão deliberada de preservar a memória da destruição, deixando para trás vestígios que contam a história da catástrofe”.
O Ministro do Patrimônio, Amichai Eliyahu, afirma que as vigas de madeira queimadas na destruição do Primeiro Templo são um lembrete poderoso da presença do povo judaíco em Jerusalém há 2 mil anos: "É nossa responsabilidade continuar a descobrir, preservar e transmitir este património às gerações futuras".
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