O dólar à vista exibe valorização frente ao real nesta terça-feira (4), em movimento descolado do que é observado na maioria dos mercados mais líquidos no exterior.
Com o alívio no prêmio de risco global, diante de possíveis avanços nas tratativas entre Estados Unidos e Irã, a moeda americana perde espaço globalmente.
O que faz com que o câmbio brasileiro fique mais pressionado é a desvalorização nos preços do petróleo, conforme lembram gestores e traders de moedas.
Como a apreciação da commodity havia dado suporte ao real por causa da melhora nos termos de troca, o movimento reverso leva à pressão sobre a moeda brasileira.
Perto das 13h20, o dólar à vista era negociado em alta de 0,51%, cotado a R$ 5,1127, depois de ter tocado na mínima de R$ 5,0724 e batido na máxima de R$ 5,1152.
Já o euro comercial avançava 0,61%, aos R$ 5,8910.
No exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, recuava 0,01%, aos 99,889 pontos.
No começo da sessão, o dólar chegou a cair frente ao real, em linha com o que era observado nos mercados pares.
Ao longo da manhã, porém, a divisa brasileira foi perdendo força e se tornou aquela com pior desempenho entre as 33 mais líquidas.
Operadores de câmbio dizem que isso é resultado da desvalorização do preço do petróleo.
“A meu ver, é petróleo mais fraco e, consequentemente, piora dos termos de troca", diz um gestor.
“O peso chileno e o rand sul-africano vivem justamente o contrário, para essas moedas, o petróleo em baixa é bom.” Há pouco, o dólar recuava 0,95% ante o peso chileno e 0,90% contra o rand sul-africano.
Para além da questão do petróleo, há quem diga que, com o cenário eleitoral se aproximando, o real estaria se tornando menos atrativo.
“Pode ser que já haja desmonte [de posições em real] pela proximidade das eleições também", diz outro gestor.
“Tenho visto que quem quer comprar moeda emergente, já não se mete com o real por conta do evento.
Isso vai atrapalhando aos poucos.”
Esses dois fatores atrelados ao fato de o mercado brasileiro ser grande, líquido e forte em derivativos também podem estar abrindo espaço para que os agentes globais montem posições de proteção (hedge) no Brasil, já que o imbróglio entre Irã e Estados Unidos não está resolvido.
“O mercado brasileiro é muito usado por gestores para comprar dólar quando há incerteza global.
Tem o custo disso [Selic alta no Brasil], mas com as eleições no radar e chances de acordo entre EUA e Irã, o real fica mais pressionado.
Vamos ver se isso se sustenta.”
Dólar avança hoje e real é a pior moeda entre as 33 mais líquidas
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