Num dia em que São Paulo enfrentou uma greve em sua rede de trens metropolitanos, o sistema da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) que mede a extensão da lentidão teve uma pane e foi tirado do ar.
Quem buscasse consultar o site da agência no final da manhã, encontrava o painel de monitoramento registrando 0 km de congestionamento na cidade.
A CET constatou o problema após o sistema ter apontado, erroneamente, que a capital teve mais de 2.000 km de lentidão no horário de pico.
"No momento, pedimos para desconsiderar os dados do site da CET, porque o sistema passa por instabilidade de manutenção", afirmou a companhia em um comunicado breve.
"Enviaremos o índice correto por meio de nota oficial assim que possível."
Antes de o salto fora do comum no número ocorrer, o painel de monitoramento mostrava valores altos, mas dentro de um nível normal de variação.
A Zona Leste chegou a ter mais de 300 km de trânsito acumulado, e a Zona Sul 200 km, segundo a companhia durante a manhã.
Rodízio e Paese
A extensão de congestionamento foi maior hoje em São Paulo, entre outros fatores, porque a prefeitura suspendeu o rodízio de veículos.
Além disso, diante da greve na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), foi colocado em operação o sistema Paese, que disponibiliza ônibus de transferência entre as estações fechadas, o que aumenta a frota de coletivos em circulação.
Os ferroviários de São Paulo paralisaram parcialmente a Linhas 11 (Coral) e 12 (Safira) e totalmente a Linha 13 (Jade).
A greve ocorreu em protesto após as falhas apresentadas pela Trivia Trens, dias após a empresa assumir a concessão das linhas que eram da CPTM.
A região mais afetada pela greve foi a Zona Leste da capital, além de municípios como Guarulhos, Ferraz de Vasconcelos, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Suzano e Poá.
Devido à paralisação, o governo de São Paulo adotou um plano de contingência, com a antecipação do horário de abertura das linhas 1 (Azul), 2 (Verde), 3 (Vermelha) e 15 (Prata) do Metrô para as 4h (o normal é 4h40) como parte do plano de contingência, e colocou mais trens em circulação.
Apesar de a greve ter criado transtorno para os passageiros, o problema foi minimizado com algumas medidas além da suspensão do rodízio e do Paese.
A CPTM acionou a Justiça e o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT2) determinou um contingente mínimo de operação durante a greve, com 80% do efetivo nos horários de pico (entre 4h e 10h e das 16h às 21h) e 60% nos demais horários.
Além disso, quem estava circulando entre estações conectadas com as linhas de metrô, como Barra Funda e Tatuapé, podia alcançar seu destino, ainda que com atraso.
A baldeação foi possível porque a operação parcial ocorreu em dois ramais bem conetados com o metrô.
O tamanho real do congestionamento provocado na cidade, porém, não havia sido divulgado até às 13h, horário no qual o sistema foi restabelecido, mas quando a extensão da lentidão já havia diminuído.
