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Em 'Quem ama cuida', Bia descobre interesse de César em Brigitte: 'Torço para que role', diz Maria Ribeiro

Fonte: Bandeira da fonte

Aos 50 anos, Maria Ribeiro vive a maternidade em diferentes frentes.
Em “Quem ama cuida”, da Globo, ela é Bia, mãe de Luísa (Maya Dias) e mulher do médico César (Rainer Cadete), personagem que, segundo a atriz, ganharia novos contornos caso se separasse.
No teatro, em cartaz em Copacabana com “O filho”, ela encara outra história ligada à maternidade, ao acompanhar de perto a saúde mental de um adolescente.
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Fora dos palcos e das telas, porém, é na vida real que Maria identifica seu maior desafio: ser mãe de João, 23 anos, do casamento com Paulo Betti, e Bento, 16, da união com Caio Blat.
Na conversa a seguir, ela fala ainda sobre o namoro à distância com o músico Rica Amabis, que mora em São Paulo, e outros aspectos da vida pessoal.
Confira:
Personagem mimada e chata
“Mulheres como Bia existem, mas não me identifico com ela.
Não consigo conceber a ideia de uma vida centrada no casamento.
Acho uma loucura absoluta.
Todas as mulheres devem ter autonomia, ter seu dinheiro, trabalho, amigos, uma vida que não seja em função de homem.
Compreendo que as pessoas achem Bia mimada e chata.
É bom, pois abre um questionamento do público sobre mulheres que vivem em função do casamento.
Como atriz, é mais interessante fazer uma personagem patricinha do que fazer uma feminista como eu”.
Feminista
“Fui criada acreditando realmente que o casamento era o grande objetivo da mulher.
A minha mãe (Marina Amaral) é uma superescritora, mas foi lançar o primeiro livro dela com 70 anos porque meu pai não deixava ela trabalhar.
Com o tempo, fui entendendo.
Para fazer a Bia, fui procurar mulheres que têm no casamento a base das suas vidas.
Todas as mulheres têm o direito de fazer o que quiserem, mas não aconselho as minhas amigas a viverem em função de um homem.
Depois da Bia, eu tenho julgado menos”.
'Quem ama cuida': César (Rainer Cadete) é casado com Bia (Maria Ribeiro) e os dois são pais de Luísa (Maya Dias)
Fabio Rocha/Rede Globo
Mãe da novela
“Bia é superligada à filha.
Acho injusto a Brigitte falar que ela não liga para a Luísa.
De qualquer maneira, a filha é um apêndice do casamento.
Não sei se a Bia teria vontade de ter filhos se não fosse casada.
Bia não é má pessoa, mas acho que ela vive numa bolha onde não se relaciona com a realidade da maior parte dos brasileiros”.
Maternidade real
“Foi a coisa mais legal que me aconteceu.
Sei que isso não rola com todo mundo.
É como uma loteria.
Ser mãe de menino é um desafio.
Sou bastante enfática com eles quando o assunto é o respeito à mulher.
Como moram comigo, percebem que o tratamento é diferente, pelo fato de eu ser mulher.
Quando você vai na oficina resolver algo do carro, por exemplo, todo mundo olha.
Procuro não ser a chata do discurso, mas é importante aproveitar as circunstâncias.
Meus filhos são gentis e até melhores do que eu.
Eu aprendo mais com eles do que eles comigo’’.
Saúde mental
“Uma peça que fala de depressão na adolescência, saúde mental e machismo é muito importante.
Tive parentes que morreram por suicídio.
Vi esse problema de perto.
Meus filhos nunca tiveram depressão.
Já tive questões de ansiedade e crises de pânico.
Tenho uma personalidade solar, e também me cuido.
Faço análise desde os 20 anos.
Qualquer questão que eu tenha, eu aprendi a conversar, mas tenho angústias como todo mundo”.
Maria Ribeiro em cena de 'O Filho' com Andreas Trotta
Ronaldo Gutierrez/ Divulgação
'Quem ama cuida'
“Torço para que César deixe a Bia e role algo com Brigitte.
Seria bom para a trama.
Um casal feliz não costuma gerar cenas interessantes para os atores.
Acho bom que o César se apaixone pela Brigitte com as questões que ela tem.
É importante a gente naturalizar questões psíquicas.
E uma questão psíquica não torna alguém menos interessante.
Por mais que Bia sofra, pode aproveitar e ver que há vida fora do casamento”.