EUA apoiaram iene para conter riscos cambiais em outros países da Ásia, diz Bessent - QTU Questões do Universo

EUA apoiaram iene para conter riscos cambiais em outros países da Ásia, diz Bessent

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Os Estados Unidos se juntaram a uma intervenção cambial coordenada com o Japão para evitar que a fraqueza do iene espalhe instabilidade pelas moedas asiáticas, disse o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, ao “Nikkei Asia” em uma entrevista exclusiva na qual citou as lições da crise financeira asiática da década de 1990.

Ao explicar os motivos da intervenção de compra de ienes — a primeira desse tipo em cerca de 28 anos —, Bessent citou a crise e o impacto de uma desvalorização significativa do iene.
Em 1998, a moeda japonesa se desvalorizou 30 ienes em relação ao dólar ao longo de um ano, agravando a crise.

"Muitas moedas asiáticas acompanham o iene japonês atualmente.
O won sul-coreano está fraco porque o iene está fraco.
Muitas pessoas acreditam que a China tem uma moeda muito desvalorizada e estão relutantes em valorizá-la demais apenas por causa da fraqueza do iene", disse Bessent.

Uma alta autoridade do governo, que falou sob condição de anonimato, destacou que "o Japão depende fortemente de importações, e o iene fraco está alimentando a inflação."

Elogiando as reformas econômicas implementadas quando Shinzo Abe era primeiro-ministro do Japão, Bessent disse: "Ele levou a sério a reflação.
Tivemos uma reforma corporativa substancial que gerou retornos mais altos sobre o capital.
Vocês terão o primeiro superávit primário em muito tempo."

"Já passamos dessa fase da Abenomics; agora é hora da 'Takaichinomics'", disse o secretário, referindo-se às políticas econômicas da atual primeira-ministra, Sanae Takaichi.

Os mercados agora estão precificando a possibilidade de um aumento antecipado na taxa de juros pelo Banco do Japão.
Bessent disse: "Conheço o presidente [do Banco do Japão] Kazuo Ueda há 15 anos.
Tenho grande confiança nele.
Ele é muito conhecedor do mercado."

"Todos devem entender isso como um sinal de que as políticas japonesas que estão sendo implementadas agora farão com que o iene se fortaleça", acrescentou.

Uma alta autoridade dos Estados Unidos disse: "As taxas de juros japonesas são uma espécie de âncora global." Aumentos sustentados nos rendimentos dos títulos japoneses podem redefinir os fluxos globais de capital e exercer pressão ascendente sobre as taxas de juros de longo prazo nos principais mercados.

Takaichi planeja reduzir o imposto sobre o consumo de alimentos de 8% para 1%.
Embora reconheça que esta é uma decisão a ser tomada pelo governo dela, a alta autoridade americana disse: "Eles terão que decidir, mas você poderia fazer uma de duas coisas: você poderia ter isso, ou poderia tentar reduzir a inflação.
Se fosse eu, tentaria reduzir a inflação."

Em relação a cenários futuros de intervenção coordenada entre Japão e Estados Unidos, a autoridade disse: "Todas as opções estão na mesa." Isso significa que inclui potencialmente uma intervenção para vender dólares.
Enquanto isso, sobre o uso de compra de ienes e venda de euros na intervenção coordenada, a autoridade explicou: "Não queríamos nenhuma dúvida de que continuamos a ter uma política de dólar forte.
Isso poderia ser visto como um enfraquecimento do dólar."

O funcionário do governo americano expressou preocupação com a atividade de investidores especulativos, destacando as "maiores posições vendidas (short) no iene em muitos anos." Mas a autoridade descartou a possibilidade de fuga de capitais do Japão, dizendo que "não há sinais" disso.

Atsushi Mimura, vice-ministro das finanças do Japão para assuntos internacionais, descreveu o processo de intervenção como "a forma definitiva de uma aliança cambial entre Japão e Estados Unidos."