Flávio Bolsonaro vai apostar em atos na periferia na tentativa de

Flávio Bolsonaro vai apostar em atos na periferia na tentativa de 'virar o jogo' contra Lula em São Paulo

Fonte: Bandeira da fonte

O senador Flávio Bolsonaro, candidato a presidente pelo PL, buscará mais "entradas" na periferia de São Paulo, em atos ao longo da campanha, para tentar derrotar Lula na cidade — onde o atual presidente venceu Jair Bolsonaro em 2022, apesar de ter perdido no estado de forma geral.
Nessa empreitada, ele terá como principal cabo eleitoral o prefeito Ricardo Nunes (MDB), cuja base eleitoral original é a Zona Sul da capital paulista.

No passado, as periferias paulistanas deram importantes vitórias à esquerda, como nas eleições à prefeitura de Luiza Erundina (1988), Marta Suplicy (2000) e Fernando Haddad (2012).
Ao mesmo tempo, a campanha do PL vê com otimismo o fato de que as chamadas "franjas" da metrópole foram as principais responsáveis pela reeleição de Nunes há dois anos, em disputa com Guilherme Boulos (PSOL).
Naquela eleição, o empresário Pablo Marçal (então no PRTB e atualmente no União Brasil) também obteve votação expressiva em áreas mais afastadas do Centro, sobretudo na Zona Leste.

O assunto foi um dos temas da reunião que Flávio fez com Nunes e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), na sexta (30), juntamente com cerca de 20 vereadores paulistanos, no QG da campanha.
Na ocasião, Flávio afirmou o desejo de fazer agendas com o auxílio de Tarcísio, prefeito e vereadores, mas ainda não foram determinadas datas nem localidades.
De acordo com um dos presentes, Flávio ouviu demandas individuais de necessidades da cidade, como de investimentos em áreas de mobilidade, saúde e educação, entre outras.
Quando foi a vez de falar, o senador pediu empenho para que seu nome chegasse às casas dos paulistanos, pois ele ainda se considera menos conhecido da população do que seu pai.

Nas contas de um aliado de Nunes, os vereadores reunidos ali teriam potencial de atrair cerca de 3 milhões de votos para Flávio.
Para efeito de comparação, no segundo turno da eleição para presidente de 2022, Lula venceu Bolsonaro por 2 milhões de votos em todo o país.

Sobre a ajuda de Tarcísio na capital, porém, há um fator importante que pode atrapalhar a empreitada de Flávio.
Como mostrou O GLOBO, o governador tem dito a aliados nos bastidores que pretende rodar com o senador apenas no interior do estado, região em que o conservadorismo é mais enraizado.
O motivo seria o receio de se "contaminar" com a rejeição do presidenciável, sobretudo após a divulgação da ligação dele com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

No discurso oficial, na sexta, perguntado sobre circular ou não com Flávio na cidade, Tarcísio, que estava ao lado do presidenciável, disse que estará com o aliado em "todos os cantos" do estado.

– Em todo o estado, em todo o estado, nosso apoio é irrestrito, incondicional, a gente acredita que é o melhor caminho para o Brasil e nós vamos apoiar em todos os quatro cantos do estado, aqui na capital, no interior, a gente vai estar junto no Vale do Paraíba, vamos estar junto no Vale do Ribeira, vamos estar junto no Noroeste, no Centro-Oeste, no Pontal do Paranapanema e na região metropolitana de São Paulo, sem sombra de dúvida – disse Tarcísio.

Apesar de toda a base aliada ter sido convidada para o encontro, cerca de 20 vereadores compareceram.
Atualmente, 36 dos 55 vereadores da cidade apoiam o prefeito.
Entre os motivos para as ausências, estava um veto do ex-vereador Milton Leite (União Brasil) — dos seis membros do partido, apenas Ricardo Teixeira, que preside a Câmara, compareceu.
As outras ausências foram justificadas por viagens e também pelo fato de muitos vereadores "pisarem nas duas canoas", com seus eleitores divididos entre Tarcísio e Lula, por exemplo.