Gigantes da indústria da Alemanha querem ampliar jornada no país para  40 horas sem aumento de salário - QTU Questões do Universo

Gigantes da indústria da Alemanha querem ampliar jornada no país para 40 horas sem aumento de salário

Fonte: Bandeira da fonte

Executivos das maiores indústrias da Alemanha estão defendendo a retomada da jornada semanal de 40 horas sem aumento de salário.
Segundo reportagem do britânico Financial Times, os empresários, entre eles os da Mercedes-Benz e da fabricante de máquinas Stihl, argumentam que os elevados custos trabalhistas estão comprometendo a competitividade da indústria alemã no cenário internacional.
Vitória para Lula: Congresso aprova MP que acaba com 'taxa das blusinhas' a um mês das eleições
Fim da escala 6x1: Lula ligou para Alcolumbre para tentar destravar votação da PEC no Senado
Atualmente, a jornada semanal de 35 horas é o padrão estabelecido por acordos coletivos para cerca de um quinto dos trabalhadores alemães, sobretudo em setores como o automotivo, o de engenharia e as indústrias de ferro e aço.
A discussão na Alemanha acontece ao mesmo tempo em que no Brasil tramita no Congresso Nacional a proposta de emenda constitucional (PEC) do fim da escala 6x1 .
A PEC prevê dois dias de descanso na semana e redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas.

Ovos e mel afetados: Governo diz ter recebido veto à carne brasileira pela UE com 'indignação' e ameaça adotar 'medidas de reciprocidade'
No início deste mês, Martin Brudermüller, presidente do Conselho de Supervisão do Grupo Mercedes-Benz, afirmou ao jornal alemão Handelsblatt que o custo da mão de obra no país “se tornou alto demais em comparação aos padrões internacionais”.
Segundo ele, a Alemanha também perdeu a vantagem de produtividade que mantinha em relação a importantes concorrentes.
Diante desse cenário, Brudermüller defendeu uma revisão da jornada de trabalho.
— Deveríamos considerar seriamente o retorno à semana de 40 horas— declarou ao jornal.
INSS: Governo anuncia que zerou fila, apesar de mais de 200 mil pedidos aguardando resposta
O tema ganha ainda mais relevância diante das negociações salariais entre sindicatos dos trabalhadores da indústria e empregadores, previstas para começar em outubro.

A jornada de 35 horas semanais foi adotada após uma disputa trabalhista ocorrida em 1984, quando dezenas de metalúrgicos da então Alemanha Ocidental entraram em greve por sete semanas para reivindicar a redução da carga horária.
Considerando todos os setores da economia, a jornada média de trabalho na Alemanha atualmente é de 37,8 horas semanais.
Alta dos custos trabalhistas na Alemanha
Os custos da mão de obra alemã estão entre os mais elevados da União Europeia.
De acordo com o Financial Times, uma hora de trabalho no setor industrial do país custa € 49,50 (R$ 297, na cotação atual)— valor 47% superior à média de € 33,70 (R$ 202) registrada na UE e mais de três vezes maior que os € 15,60 (cerca de R$ 93) praticados na Hungria, por exemplo.
Embora os trabalhadores alemães apresentem produtividade superior à de seus pares do Leste Europeu, o custo unitário do trabalho — indicador que relaciona o custo da mão de obra à produção dos funcionários — vem aumentando em ritmo significativamente mais acelerado desde 2023, segundo levantamento do Instituto de Macroeconomia e Pesquisa Econômica (IMK), um centro de estudos financiado pelos sindicatos alemães, citado pelo FT.