Uma fêmea de golfinho foi filmada carregando o corpo de seu filhote morto por cerca de duas semanas no Estuário de Leschenault, na costa sudoeste da Austrália, em um comportamento de luto registrado pela ONG Geographe Marine Research.
Segundo a organização, o animal, conhecido como Fraggle, já havia perdido seus quatro últimos filhotes e agora enfrenta mais uma gestação sem sucesso.
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De acordo com a entidade, o filhote havia nascido apenas duas semanas antes da morte.
Os registros foram feitos pela ONG ainda no final do mês de julho.
Os pesquisadores afirmaram que, por se tratar de um nascimento durante o inverno australiano, as chances de sobrevivência já eram reduzidas, embora houvesse esperança de que Fraggle conseguisse criar o filhote.
Antes da morte, a equipe percebeu que o filhote apresentava uma frequência respiratória elevada, sinal que indicava um agravamento de seu estado de saúde.
Em publicação nas redes sociais, a ONG explicou que é comum golfinhos carregarem seus filhotes mortos durante um período de luto que pode durar vários dias.
— Em algum momento, ela precisa deixá-lo ir e se alimentar para sobreviver — informou a Geographe Marine Research.
Os pesquisadores destacaram ainda que apenas um pequeno grupo de golfinhos vive no estuário, o que torna os nascimentos raros.
Mesmo quando ocorrem, a taxa de sobrevivência dos filhotes costuma ser baixa.
Outro aspecto que chamou a atenção dos cientistas foi o comportamento de outros golfinhos durante o período de luto.
Segundo a ONG, animais que vivem em mar aberto se aproximaram do grupo local e permaneceram ao lado de Fraggle.
— Desta vez, parece que alguns de seus amigos que vivem em mar aberto se juntaram aos golfinhos locais para lamentar ao lado dela, demonstrando o forte vínculo familiar que possuem — destacou a organização.
O comportamento de carregar filhotes mortos já foi documentado por pesquisadores em diferentes espécies de cetáceos e é considerado uma das evidências mais conhecidas de luto entre esses animais.
