Haddad minimiza custo das câmeras nas fardas, fala em sucateamento das delegacias e propõe B.O

Haddad minimiza custo das câmeras nas fardas, fala em sucateamento das delegacias e propõe B.O 'por zap'

Fonte: Bandeira da fonte

O ex-ministro Fernando Haddad, candidato a governador de São Paulo pelo PT, criticou nesta quarta-feira (19) a política de segurança de Tarcísio de Freitas (Republicanos), em especial a atuação dele na gestão das polícias, sobretudo a Civil, além da forma como o programa de câmeras nas fardas dos policiais foi executado.

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As declarações foram feitas durante sabatina dos jornais O Globo e Valor Econômico e da rádio CBN com os candidatos ao governo de São Paulo, nesta quarta-feira (19).
Ao ser indagado sobre o que mudaria no programa das câmeras e quanto isso custaria, o candidato não confirmou valores, mas diz que o custo não preocupa.
– O que custa não é nada comparado com as vidas que vai salvar.
Essas tecnologias estão sendo barateadas a todo tempo.
O Tarcísio botou R$600 milhões na Muralha Paulista e não resultou em nada.
Então nós vamos ter uma tecnologia provada e aprovada que funciona.
A letalidade policial subiu 80% no governo Tarcisio.
A morte de policial e fora dele, inclusive por suicídio, aumentou.
Tem que voltar a câmera, eu sou a favor disso desde 2022, e ele (Tarcísio) fica ziguezagueando.
Quando fica mal com a elite ele fala: 'ah, vou fazer’, quando fica mal com as polícias, fala: ‘ah, não vou fazer’.
Inclusive essas câmeras que estão sendo instaladas nas ruas precisam de inteligência por trás, não adianta instalar câmeras nas ruas e imaginar que os dados vão favorecer investigação e patrulhamento, não vão – afirma Haddad.

A entrevista é conduzida por Vera Magalhães, colunista de O Globo, Marcello Corrêia, editor de Política do Valor, e Guilherme Muniz, apresentador do CBN São Paulo, que vai ao ar todas as manhãs.
Na quinta-feira (20), será a vez de Tarcísio de Freitas, também a partir das 10h30.
Os convites foram baseados no desempenho dos candidatos na pesquisa Quaest divulgada em 29 de julho.
Ainda sobre o tema segurança, Haddad prometeu, caso eleito, criar um modelo de confecção de ocorrências de crimes, por parte das vítimas, por meio de b.o.
por WhatsApp.

– Nós estamos bolando o B.O.
por WhatsApp.
Pode ser qualquer coisa.
Se você fizer chegar a informação, um B.O., a inteligência artificial vai conversar com você para ir falando o que falta falar.
Se identificar, dizer que rua você esta, onde foi a ocorrência, o que te roubaram, o que a pessoa está vestida.
Ela vai conversar com você para você dar todas as informações, mas a partir daí o que interessa do B.O.? O que interessa é ele ir para um centro de dados onde você vai fazer inteligência do patrulhamento e da investigação – diz Haddad.

As críticas de Fernando Haddad sobre a condução das políticas da segurança pública paulista, nos últimos quatro anos, também abrangem processos que são vistos pela população, quando há a necessidade de idas a delegacias.
Segundo o ex-ministro, o sistema, sucateado, interfere na qualidade do trabalho dos policiais.

– Você já entrou em uma delegacia ultimamente? Já viu um computador? Já viu quanto tempo leva para ligar um computador? Outro dia um conhecido foi em uma delegacia e demorou 50 minutos para começar a fazer o B.O.
Os policiais civis são pessoas qualificadas, formadas, gente que está disposta a ajudar.
E eles estão sem nenhuma condição de investigar nada, a investigação em São Paulo não apura 5% dos crimes.
Nós chegamos ao absurdo de apurar autoria de homicídio em 31%.
Para cada 3 homicídios, você punia um homicida – disse Haddad.

Haddad deu partida oficialmente na campanha no domingo passado, com um comício ao lado do presidente Lula (PT), seu padrinho político, no estádio de Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista.
Ao longo da semana, fez duas caminhadas: a primeira delas com mulheres, na região do Centro da capital paulista, e a segunda numa comunidade de Heliópolis, na Zona Sul.
Entre as prioridades de seu plano de governo será justamente a segurança pública, objeto da sabatina desta quara-feira.
Como mostrou O GLOBO nesta quarta-feira, o petista propõe a criação de um gabinete institucional no Palácio dos Bandeirantes com representantes de órgãos federais, como Receita e Polícia Federal, além do Ministério Público, para liderar pessoalmente estratégias de asfixia financeira de estruturas criminosas.
Também num sinal de prioridade, o ex-ministro da Fazenda apresentou suas principais propostas de segurança no último dia 10, ainda antes do início oficial da campanha, sugerindo racionalizar o combate ao crime com tecnologia.
Uma das ideias de Haddad é um sistema de registro de boletins de ocorrência pelo aplicativo mensageiro WhatsApp e um “mapa do crime” abastecido com os documentos analisados com ajuda de inteligência artificial (IA).
A questão evidenciada não só por Haddad, mas também pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, faz sentido.
A violência é a principal preocupação dos paulistas, citada por 34% dos 1.650 ouvidos pela Quaest no mês passado, e os indicadores têm sido questionados por Haddad para levar o eleitor a uma avaliação da gestão Tarcísio.
O petista diz que falta transparência nas estatísticas sobre crime em São Paulo e promete criar uma nova metodologia passível de auditoria externa da sociedade.